Publicado em John Mayer, Sobre a Vida, Sobre o Amor

Você não é ninguém até alguém te desapontar

711ysmQSMRL._SL1200_Hoje eu tive o prazer que parar para ouvir o álbum mais recente do John Mayer, Paradise Valley. Eu já conhecia uma música ou outra, mas parar para escutar o álbum todo, música por música, na ordem que o artista quis colocar e tudo mais faz toda a diferença sempre!

E eu ouvi o CD todo (pela primeira vez) apaixonadamente. E antes de escutar mais uma vez resolvi dar uma olhada no título das canções e um em especial me chamou muito a atenção não só por ser o maior de todos, mas principalmente por falar muito em poucas palavras: “You’re no one till someone lets you down”

Eu pensei “nossa, verdade… essa deve ser uma das músicas mais tristes”. E resolvi botar essa pra tocar logo, mesmo sendo a 9ª faixa. E qual não foi a minha surpresa quando percebi que essa era na verdade uma das mais alegres! Uma melodia tranquila, com uma batida meio country, folk (não sei bem). Enfim… linda!

Parei para pensar o que é que tinha a ver uma verdade tão triste sendo dita de uma forma tão relaxada. Ouvi a música uma vez e depois peguei a letra para ouvir de novo, (porque ouvir uma música olhando a letra, mesmo que você tenha entendido tudo, também faz toda a diferença, nos ajuda a entrar ainda mais na poesia dela) e foi aí que percebi que eu estava equivocada, que não havia mesmo razão para uma música com esse título ser triste. Tudo o que o John fala nessa música é verdade e de fato se desapontar, se decepcionar, se desiludir (e o que mais essa expressão possa querer dizer) é uma coisa boa na nossa vida!

“COMO ASSIM?!!”

Eu explico.

Como o John fala na música através de suas brilhantes metáforas e jogos de palavras e imagens, se desapontar no amor e ter o coração partido algumas vezes é algo que faz parte do nosso crescimento e que no final acaba nos fazendo bem sim. É lógico que depois de levar um fora, ver a pessoa que você gosta com outro, ver que se enganou muito com alguém e coisas do tipo ninguém se sente bem. Realmente na hora não tem como.

Mas se pararmos para pensar, muitas vezes, se decepcionar pode ser a melhor coisa do mundo. Depois de uma decepção começamos a pensar nas nossas vidas, nas nossas escolhas, no que andamos fazendo e para quem estamos entregando nosso coração de mão beijada, e então temos a chance de mudar tudo daí para frente, se quisermos.

E depois de refletir sobre a mensagem nessa música comecei a pensar na minha própria história e em quantas vezes eu já fui desapontada, em quantas vezes já estive em pedaços. Percebi que realmente eu não seria quem eu sou hoje se não tivesse vivido todas aquelas experiências. E penso que quem tem uma vida sem percalços, sem decepções, na verdade tem uma vida vazia. De fato ainda não é ninguém. Quem nunca caiu não sabe que pode se levantar, não conhece a força que tem.

E, além do mais, como ser poeta tendo sido feliz e correspondido em todos os seus amores?! Como escrever sobre a vida com um olhar iludido, como se as rosas não tivessem seus espinhos?! O sofrimento, além de nos trazer reflexão e auto-conhecimento, também dá ao amante das letras matéria de poesia. Como já disse Vinícius de Moraes ” pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza”.

É por isso que eu sou feliz com as minhas tristezas e por isso que eu sempre acho lindo um poema ou música triste que alguém escreve. Porque, por mais deprimente que seja, e por mais profunda que seja aquela dor, colocá-la para fora é sempre uma maneira de amenizá-la e, quando se faz isso através da arte passa a ser também uma maneira de tocar a alma de outras pessoas.

Que não fujamos do amor por medo de sofrer, assim como não devemos evitar as rosas só por causa de seus espinhos. E que possamos cada vez mais ser capazes de transformar mesmo a mais forte dor em belas palavras e doces melodias.

Publicado em Filmes e Séries, Sobre a Vida, Sobre o Amor

O Rei Leão e Eu

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Bem, este é o meu primeiro post e eu estou um pouco nervosa (nunca tive um blog antes!).

Pensei um pouco sobre qual deveria ser o tema da minha primeira postagem e concluí que deveria ser sobre algo que me tocasse e que tivesse um pouco a ver com a minha história de vida. Foi nesse momento que percebi que deveria começar o meu blog falando sobre O Rei Leão.

Quem me conhece pelo menos um pouquinho sabe o quanto eu amo esse filme, mas talvez poucos saibam por que ele é tão importante para mim.

Quando eu assisti O rei Leão pela primeira vez, em fita cassete, eu deveria ter uns 5 anos no máximo, e ao longo da minha vida eu já assisti mais outras incontáveis vezes. Mas o que eu mais me lembro desse meu primeiro contato com o filme é do Hakuna Matata (não só da frase, mas principalmente da música).

E hoje em dia eu penso no quanto a minha vida seria mais tranquila se, pelo menos de vezes em quando, eu não me preocupasse tanto com ela e apenas a vivesse…

Conforme o tempo foi passando e eu fui crescendo e, consequentemente, me tornando mais capaz de refletir, a cada vez que eu assistia O Rei Leão eu aprendia uma coisa nova para a minha vida.

Com O Rei Leão eu já aprendi que mesmo na sua própria família pode haver gente que queria te derrubar e que as vezes encontramos uma família de verdade em pessoas que aparentemente são totalmente diferentes de nós mas que nos acolhem como se fossemos do mesmo sangue, como Timão e Pumba fizeram.

Também aprendi que nunca é tarde para retomarmos sonhos antigos, como o sonho de infância do Simba de ser rei, e que as pessoas que nos amam de verdade sempre nos aceitam de volta, não importa o tempo que passamos distantes.

E junto disso tudo, hoje também percebo que além de ter aprendido muitas coisas, também passei a criar ideais para a minha vida a partir de O Rei Leão.

Passei a querer um pai como o Mufasa, que me aconselhasse, que estivesse sempre presente na minha vida, mesmo que não fosse uma presença física, e que fosse capaz até de sacrificar sua vida por mim.

Mas eu acho que o que o mais comecei a idealizar mesmo para minha vida foi um amor como o do Simba e da Nala. Um amor que começasse como a inocência doce de uma brincadeira e que fosse fruto de uma grande amizade e que durasse para sempre, não importando nem tempo, distância nem nada. Passei a desejar um amor que fosse grande demais para ser partilhado somente por duas pessoas. Passei desde então a sonhar com a minha família.

Agora estou em uma espécie de jornada de auto-conhecimento, só eu e meu Rafiki interior, descobrindo de verdade quem eu sou e qual é o lugar a que pertenço nesse mundo.

Até agora já descobri que, assim como disse Machado de Assis, “o menino é o pai do homem” e que de fato a criança que fomos outrora é que gera o adulto que somos hoje. E descobri sou feliz por ver que a sociedade não me corrompeu tanto como ela costuma fazer com as pessoas em geral e que o meu filme favorito sempre será o filme que assisti e me encantei aos 5 anos de idade e que os meus projetos de vida sempre girarão em torno de amor, amizade e família.

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Simba S2 Nala