Publicado em Filmes e Séries, John Mayer, Sobre a Vida, Sobre o Amor

“Acabei de te conhecer mas já te adoro”

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Sempre que eu penso no quanto eu tenho facilidade de me afeiçoar às pessoas e passar a tratá-las subitamente com um apego fora do normal, eu me lembro dessa frase do Dug no filme Up – Altas Aventuras : Acabei de te conhecer mas já te adoro!

Eu me sinto exatamente como ele quando me dou conta de que, por muito pouco, eu passo a gostar das pessoas mesmo ainda as conhecendo muito pouco. Mas… o que será nos faz gostar tanto de alguém de uma hora para outra? E porque frequentemente nos desapontamos ao fazer tal coisa? Trago aqui uma possibilidade.

Hoje conversando com o João, meu grande amigo e fiel leitor, ouvi dele algo muito interessante: é perigosa essa nossa busca por pessoas parecidas conosco.

A verdade é que nós, pessoas um pouco incomuns, com gostos mais excêntricos e que frequentemente se sentem deslocadas no tempo e no espaço, sempre ficamos com a impressão de que não há ninguém no mundo parecido conosco. Sendo assim, quando encontramos alguém com gostos parecidos com os nossos, ainda mais quando elas possuem características que não temos mas que adoraríamos ter… PRONTO! Amor incondicional!

Aí começa aquela história de não conseguir passar um dia sem falar com a pessoa, ouve música = pensa na pessoa, vê um filme = pensa na pessoa,  olha um passarinho em cima do muro = pensa na pessoa. Gasto de tempo, gasto de dinheiro, gasto de cérebro… Tudo em vão!

E o grande perigo mencionado pelo João ocorre porque, em quase 100% dos casos, a pessoa em questão não está nem aí para toda essa atenção que damos a ela, e isso porque ela não é nada daquilo que imaginávamos. Construímos uma imagem de perfeição em cima dela que simplesmente não existe, nos prendemos a um detalhe que temos em comum e logo criamos uma série de expectativas que não são correspondidas.

É muito difícil ser uma pessoa fora dos padrões (no meu caso em vários sentidos) quando ainda há em nós certa insegurança. Eu gostaria de ser mais confiante e de não me preocupar em encontrar pessoas que gostem de John Mayer, Tiago Iorc e afins e que apreciem literatura, por exemplo. Porque encontrar pessoas com gostos parecidos com os nossos não significa que elas pensam como nós, sentem como nós e que tem os mesmos preceitos e valores que os nossos.

Que possamos ir além de compatibilidades momentâneas e esperar alguns meses (pelo menos) para ver se vale mesmo a pena ‘adorar’ aquela tal pessoa e dar a ela o precioso título de nossa amiga.

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Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

Um comentário em ““Acabei de te conhecer mas já te adoro”

  1. Post perfeito! Eu sei como é se sentir assim, mas hoje em dia sofro do mal oposto: a dificuldade de “adorar” alguém assim, fervorosamente! Não sei o que é pior… rs…

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