Publicado em Sobre a Vida, Sobre Ser Você

Excessos

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Uma coisa que pode parecer um pouco óbvia, mas que demorou um tempo para entrar na minha cabeça: Nada em excesso faz bem. Nada mesmo. Nem as coisas boas.

Acredito que todos nós somos pessoas minimamente complexas, porque não estamos sempre da mesma forma. Há dias em que estamos mais alegres e extrovertidos, outros em que estamos meio deprimidos e introspectivos. Pelo que eu já vivi até hoje, acho que toda pessoa é assim. O que nos diferencia uns dos outros é a nossa personalidade, e a nossa personalidade é reflexo daquilo a que mais damos vazão em nós.

Quando temos que falar de nós mesmos em alguma situação, geralmente procuramos nos ‘definir’ a partir das características que mais se sobressaem na gente. Mas se alguém me perguntasse agora “Thaís, quem é você?” O que eu iria dizer? Se alguém te perguntasse, o que você iria dizer?

O que eu quero propor como reflexão aqui é que não devemos deixar os nossos excessos definirem quem nós somos. Na verdade, temos que procurar a cada dia evitar esses excessos.

Talvez alguém pode pensar que o excesso de qualidades seria algo bom, mas também não é. Se você é carinhoso, animado e gosta de ajudar aos outros, por exemplo, isso sem dúvida é ótimo! Mas se você faz qualquer dessas três coisas em excessos, o fim disso será desastroso! O excesso faz com que a gente estrague algo que está bom da forma que está. É como colocar 1 quilo de açúcar para adoçar um copo de suco. Há que achar a medida certa, o tempero certo. Daí vem uma palavra linda que representa algo fundamental na vida de todas as pessoas: temperança.

Ter temperança é saber dosar, é ter equilíbrio. É saber respeitar limites. ‘Que limites?’ Os seus próprios!

Eu por muito tempo achei que se eu não me expressasse da maneira que eu sentisse vontade em determinado momento eu estaria me reprimindo. Na verdade eu estaria só respeitando os meus limites e agindo com maturidade. Ter equilíbrio é abrir mão dos excessos.

Acredito que a nossa vida seja uma constate caminhada de aperfeiçoamento pessoal, em que vamos sendo polidos, lapidados, filtrados. Reparem o quanto esses processos dão uma ideia de algo que se perde e fica para trás, mas também o quanto nos dão uma ideia de um produto final mais bem acabado. Temos mesmo que deixar um pouco de nós pelo caminho. Não podemos continuar agindo como crianças ou adolescentes quando já não os somos. Nessas fases os excessos estão muito presentes, mas crescer requer deixá-los de lado para o nosso próprio bem,

Que a nossa vida seja repleta de “termos médios”, como diria Machado de Assis. Nem riso demais, nem lágrimas demais. Nem abraços demais, nem frieza demais. Nem timidez demais, nem escândalo demais. Nem música demais, nem silêncio demais.

E tudo no tempo certo, na hora certa, na medida certa.

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

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