Publicado em John Mayer, Sobre a Vida, Sobre Ser Você

Viva bem com a idade que você tem!

Niterói! Praia Vermelha! Visual que inspirou o post de hoje…

Já faz algum tempo que eu ando preocupada, mais do que devia, com esse assunto de idade. Hoje à tarde comecei a refletir um pouco mais sobre o assunto e percebi que, talvez essa minha recente inquietação tenha a ver com o fato de a nossa sociedade conferir uma carga muito negativa ao termo velho e, consequentemente aos seus derivados, dentre os quais está a palavra envelhecer. Quando se diz que algo é velho, geralmente não é um elogio. Chama-se de velho o que já não já não serve mais ou já não é atual.

Mas talvez também tenha a ver com o fato de, nesse ano, eu ter começado a conviver muito com pessoas com cerca de 17 anos (leia-se ‘meus alunos’) e porque eu costumava considerar os meus 17 anos a fase mais top da minha vida. Hoje, pensando com mais frieza, eu me dei conta de que na verdade essa foi uma idade como todas as outras, com seus prós e contras. E foi assim que eu conclui que ter 23 anos é lindo! Tão lindo quanto ter 10, 15, 30 ou 45. O segredo para aproveitar bem a sua idade é saber usa-la a seu favor.

Eu li pela primeira vez a frase que dá título a esse texto quando eu tinha 13 anos. Ela estava escrita no muro de um grupo da terceira idade em Macaé. E eu detestava ter 13 anos! O que me levou já naquela época a concluir que viver bem com a idade que você tem é um desafio não só para os idosos, mas para pessoas de qualquer idade, isso porque o ser humano é um animalzinho muito reclamão, nunca está satisfeito.

E hoje eu abri mão do individualismo para me dar conta de que ver o tempo passar correndo diante dos olhos e se assustar com isso não é exclusividade minha. Nando Reis já falou sobre isso em “Não vou me adaptar” e o próprio John Mayer com uma das metáforas mais perfeitas que existem em “Stop this train”. E, voltando ainda mais, saindo da música para a literatura, eu conclui que realmente envelhecer não vale o meu drama e não é nem bom ficar pensando em possibilidades bizarras de se evitar isso (Dorian Gray e Fausto estão aí como exemplos, porque… né!).

Eu já zoei muito a minha mãe porque ela viveu a época em que “A Lagoa Azul” passou no cinema, e agora é a minha vez de já ter que lidar com pessoas dizendo que os meus queridos filmes dos anos 90 são velhos. Mas vamos pensar nas vantagens de envelhecer convivendo com novas gerações. Você vai ter histórias pra contar!
Eu sempre gostei muito de ouvir as histórias da minha avó sobre como eram as coisas quando ela tinha mais ou menos a minha idade lá nos anos 60. Nada como ouvir a versão de alguém que você conhece e que esteve realmente lá. Você pode ler mil livros de história, mas o relato de quem viveu é algo sem igual!

Também sempre ficava encantada quando uma professora de história que eu tive contava pra gente como foi ter participado do Fora Collor. E, apesar de não ser professora de história, daqui a algum tempo estarei contando pra alunos meus que não terão vivido a “Revolta dos 20 centavos” como foi tudo aquilo e como foi estar lá. Vou contar também que houve um tempo que escrevíamos ‘cinquenta’ com estranhos dois pontinhos em cima do u.

Algo muito interessante sobre a vida é que há coisas que simplesmente não se desgastam com o tempo. Um exemplo simples e incontestável é a música. É incrível como existem músicas que já foram produzidas há décadas mas que continuam nos encantando como se fossem a maior novidade do mundo! Há em certas músicas algum traço de atemporalidade que eu atribuo ao espírito vivaz, humano e universal que elas transmitem, o que nos mostra que se nós procurarmos também manter o nosso vigor firme, a ação do tempo por sozinha não será capaz de deixar em ruínas o brilho da nosso alvorecer.

É bom ser chamado de jovem porque a juventude está mesmo relacionada ao que é belo e viçoso e por isso fico feliz quando as pessoas dizem que eu pareço ser mais nova. Mas, por outro lado, também é verdade às vezes eu ouço isso por causa de alguns pensamentos infantis que eu ainda estava insistindo em manter. Tenho sentido falta de alguém me dizer que sou madura. Ainda tenho muito para amadurecer e sei que isso vem com o tempo.

Então que tal fazermos do tempo, ao invés de nosso inimigo, nosso aliado? Ao invés de se queixar ou fazer de tudo para parecer mais novos do que somos, por que não unir o melhor dos dois mundos?! O frescor do adolescente e a experiência do adulto?! ; a intrepidez do jovem e a cautela do homem maduro?!
Porque o tempo não para mesmo e para encarar o inevitável, nada melhor do que um sorriso no rosto e um coração bem disposto. Viva bem com a idade que você tem!

Publicado em Poesia

Chance (song/poem)

(Para o meu querido amigo, aquele mais parecido comigo, aquele de todas as horas…)

When I am in pieces you give me peace
When I am falling down you make me complete

That day I told you ‘meet me downtown’
And I was so happy by seeing you around

Chance has put you next to me
I can tell my secrets to you
You can open your heart to me
Chance flowed such a light upon me
You turn my world in blue
You are just perfect to me

‘Don’t you think I am silly?’, I asked you
‘No, I am romantic too!’, you cleared up to me

You understand me better than myself
You breeze me like anybody else

Chance has put you next to me
I can tell my secrets to you
You can open your heart to me
Chance flowed such a light upon me
You turn my world in blue
You are just perfect to me

If it’s being naive, know I am naive too
If you think you are the only one, know I am with you

Thaís Bartolomeu

Publicado em Filmes e Séries, John Mayer, Sobre Ser Você

Body and soul, I am a freak!

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Me sentir deslocada é algo que faz parte de mim desde que eu era criança. Desde que eu ouvi a história d’O patinho feio pela primeira vez eu já me identifiquei. Não por me achar feia em si, mas porque sempre me senti, em certa medida, uma estranha no ninho.

Com o passar dos anos eu fui percebendo que o fato de me sentir deslocada na maior parte dos lugares em que frequentava se dava principalmente pelo fato de eu ser uma pessoa tímida. É bem verdade que nas minhas recentes experiências mundo a fora eu acabei descobrindo que não sou tão tímida quanto eu pensava, mas, ainda assim, sou bastante tímida.

E essa timidez que me acompanha desde sempre acabou fazendo com que eu criasse espaços meus, mundos particulares em que eu pudesse me expressar e me sentir acolhida. E foi nos filmes, nos livros e nas músicas que acabei encontrando, de certa forma, o meu lugar. Ontem eu estava assistindo ‘Matilda’, que é simplesmente um filme perfeito, e fiquei refletindo um pouco mais sobre isso. Felizmente a minha família não era tão caótica quanto a dela, mas às vezes o sentimento de não ser compreendida ainda persiste.

Com o passar do tempo fui percebendo que além do problema da timidez, o que me fazia e ainda me faz sentir deslocada no mundo é o fato de não pertencer a nenhum grupo específico, não ser definitivamente uma coisa só. Que rótulo eu poderia colocar em mim? A que lugar eu pertenço?

Eu amo ler, amo literatura, mas a Universidade não é a minha única casa. Há diversos clássicos da literatura que eu não li e nem sei se vou ler e há milhões de autores que eu nunca ouvi falar. Eu amo música, principalmente Rock, mas eu não sou isso… Ouvi uma música do Led Zeppelin pela primeira vez antes de ontem. Eu adoro sair, adoro festinhas e reuniões mas eu não bebo (nada de álcool, de jeito nenhum) e acho maluquice beber. Então sempre que saio em grupo para determinados lugares eu só faço parte até certo ponto.

De todas as coisas que eu faço e que eu gosto não há nada que me reduza ao ponto de me definir. Assim como algumas poucas pessoas, sou uma freak, uma outsider.

E é por isso que eu passo e preciso mesmo passar certa parte do meu tempo sozinha, porque não há ninguém nesse mundo que me entenda plenamente ou com quem eu me identifique amplamente. E são pouquíssimos os amigos de verdade que eu tenho, pouquíssimas as pessoas que estão do meu lado mesmo quando, como diria John Mayer, ‘I am not myself’. Porque às vezes eu ajo de uma maneira tão diversa do que eu gostaria que eu realmente me sinto outra pessoa.

Eu não queria que esse texto fosse meramente um relato pessoal, eu gostaria que ele tivesse alguma utilidade pra você que está lendo… E essas ideias vieram à minha cabeça porque eu tenho observado ultimamente a quantidade enorme de pessoas no mundo que tem uma vida perfeita, que sabem exatamente quem elas são e o que as definem (palmas pra elas). Eu não tenho outra definição além de freak, que na verdade não define nada.

Se você se encaixa perfeitamente na vida que você tem, na família que você tem e consegue se sentir plenamente parte dos meios sociais onde você vive (igreja, escola/faculdade, grupos de amigos etc), provavelmente esse texto não faz o menor sentido pra você. Então desculpe ter feito você ter lido isso tudo pra nada.

Mas se, por mais que você goste de alguma coisa ou de algum ambiente ou de alguma pessoa, vez ou outra você se pergunta “O que é que eu estou fazendo aqui?”, temos algo em comum.

Ser um freak é se sentir um pouco forasteiro em qualquer lugar, até mesmo naqueles que você conhece a sua vida toda. É perceber que em certos ambientes você é sempre o estranho, o que vê graça no que ninguém vê, o que se emociona com o que ninguém se importa, o que fala coisas que todos acham a maior bobeira do mundo.

Ser um freak é nunca parecer maduro o suficiente, porque sempre alguém vai te dizer que nessa idade você não deveria mais gostar de determinada coisa ou agir daquela forma. O freak é aquela pessoa inacabada, aquela tal metamorfose ambulante que já virou cliché, que muita gente diz que é, mas que na verdade poucos são os que enfrentam a dor de, de tempo em tempo, ter que se isolar um pouco e perder um pouco do seu antigo corpo pra ganhar formas novas.

Ser um freak é muitas vezes parecer que você nasceu na época errada. É querer ter ido em Woodstock mas também achar que você não viveria sem internet.

Acho que nessa vida todo freak tinha que encontrar o seu love-freak pra viver feliz pra sempre. Alguém que também está meio à margem pra ficarem os dois falando de coisas que resto das pessoas normais e bem-resolvidas simplesmente não entenderiam. Eu já conclui que não seria feliz com uma pessoa-padrão e espero um dia poder dizer que encontrei o meu outsider, pra sair por aí sendo só a gente mesmo, ouvindo nossas músicas e tendo nossas crises de riso.

Somos muito mais do que dizem que somos. Aprendi com o “Clube dos Cinco” que as pessoas-padrão sempre vão nos enxergar ‘em termos mais simples e com as definições mais convenientes’, sempre querendo nos dar um rótulo de ‘um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso.’ Mas somos muito mais do que isso! E há em todos nós, os que estamos sempre um pouco de fora, o incrível desejo de apenas se sentir completo, mesmo com toda a nossa aparente estranheza.

Publicado em Poesia

A Minha Saudade Tem Nome (poema)

Saudade é a ausência que dói
É aquele aperto no peito quando se olha pro lado e não vê ninguém

Saudade é a cama vazia, o silêncio no quarto
É aquele filme que se assiste sozinha pensando nele

Saudade é o universo desconhecido
É aquele espaço em branco no céu, sem lua nem estrela

Saudade é a rua deserta no meio da cidade
É aquele passo que se dá sem firmeza, com medo de tropeçar

Saudade é a presente lembrança do que passou
É aquela música que ele tocou um dia, aquela que ninguém mais conhece

Saudade é a lágrima da madrugada
É aquele pensamento todo nele, é ter a alma toda nele

Saudade é a vida parada, relógio sem ponteiros
É aquela eterna lacuna, sem começo e sem fim

Saudade é a imensidão do que não existe
É aquela janela aberta para o horizonte solitário

Saudade é a hora que nunca passa, o dia que nunca chega
É aquele abraço que ainda está aguardando para ser dado

Saudade é a espera pelo retorno
É aquela vontade inenarrável de ter de novo no seu corpo a metade que ficou pra trás

 

Thaís Bartolomeu