Publicado em Ficção

Memórias em um guardanapo de bar (conto)

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Há sempre que se ter uma caneta à mão. Caso não haja papel, existem muitas outras superfícies que lhe substituem. Não que tivesse faltado papel na tarde de há pouco (ela estava sempre com seus mil cadernos), mas sabe-se lá ao certo porque razão, ela resolveu escrever no antebraço dele o seguinte pedido: Não me esqueça. Ele nem sequer tentou fazê-lo.

Olhava ainda agora para o braço onde a delicada caligrafia daquela a quem ele amava tornara-se já um borrão quase indecifrável. Ainda assim ele não haveria de esquece-la. Foram horas vagando pela orla da praia sem saber ao certo aonde ir e o que fazer. A chuva rompeu o plácido céu mas ele não fugiu dela. Sentou-se e pôs-se a contemplar o mar. Seu pensamento ia e vinha como as inquietas ondas. O que vagava pelas ruas era só um corpo vazio, sua alma era dela e com ela havia ficado.

O que é uma lembrança? Para que ela serve? Não havia força no mundo capaz de lhe trazer conforto frente a essas perguntas, porque tudo o que ele tinha era uma lembrança estéril. Foi então que pensou em escrever. “Isso sempre ajuda!”, dizia ela. Entrou no primeiro bar que avistou, não se pode precisar o que bebeu e nem se bebeu. Só se sabe que escreveu e que três folhas de guardanapo foram o suficiente. Olhou novamente para o braço como poeta que evoca sua musa, mas depois da densa chuva havia apenas escassos resquícios da tinta preta.

Suas mãos tremiam, seus olhos enchiam-se de lágrimas. “Não a verei novamente.”. Acredita-se que foi esta a primeira frase que escreveu, mas há quem diga que foi “Não a terei novamente.” Agora não é hora de se discutir caligrafia, até porque ambas as coisas eram verdade. E chorou. Ele esperou por aquele momento durante todo o inverno, mas foi com a chegada da primavera que ela, que inclusive tinha nome de flor, desabrochou em seu regaço.

Um romance que começou em meio aos livros não poderia ter desfecho melhor do que em uma biblioteca vazia. E assim foi. Os pormenores do encontro amoroso ocuparam quase duas daquelas improvisadas páginas e seria indiscrição reproduzi-los aqui.

“Escrever para não esquecer.” Foi uma das coisas que ele aprendeu com ela. Sempre que estavam juntos falavam de livros e poetas, e quando ela declamava algum poema que sabia de cor seu êxtase era completo! Como aqueles versos a deixavam ainda mais bonita! Mas lembrar disso tudo agora, de que lhe adiantava?

O primeiro dia que se viram não há de voltar, assim como a tarde de horas atrás já não existe. O passado é sempre ausência, é sempre extinção… Era tudo tão vivo e ao mesmo tempo tão embaçado…Às vezes ele sentia como se ele pudesse novamente acariciar seus cabelos e beijar sua nuca, mas não podia. Uma lembrança, afinal, o que é? Para que serve?

Thaís Bartolomeu

Publicado em Sobre a Vida

Pra mim a vida é bela sim!

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Hoje o meu post não é daqueles em que eu questiono mais do que respondo. Hoje eu venho aqui para trazer uma constatação: a vida é boa e vale a pena. Se você discorda, ouça a música Sublime do querido Figueiredo e creio que mudarão de ideia.

Esse ano está passando muito rápido (acho que todos concordam) e, antes que ele acabe, parei um pouco pra ‘listar’ quantas coisas maravilhosas me aconteceram nesse tempo. Mas mais do que isso, me perguntei por que até o ano passado tanta coisa parecia tão difícil e em poucos meses tudo começou a dar certo pra mim.

Foi no dia 03 de março desse ano eu ouvi a Sublime pela primeira vez e logo de cara ela me encantou pela melodia, pela voz doce que a interpreta, mas, principalmente pela leveza e pela verdade da letra. E nessa semana, enquanto a ouvia pela milésima vez a caminho da faculdade, me veio o seguinte pensamento: Sublime explica tudo.

A vida, de fato, é cheia de coisas boas. Acontece que, muitas vezes, elas não chegam até nós porque simplesmente não olhamos para elas, não aprendemos a contemplar o belo, como já disse Augusto Cury. Depois de ter perdido boa parte da minha vida (anos da minha adolescência) chorando a toa e achando que nada era justo e que o mundo estava contra mim, hoje eu vejo que era eu quem ofuscava a minha vida.

A felicidade está ao alcance de todos porque ela está dentro de cada um nós e, portanto, só deve depender de nós mesmos. Mas de que cor está pintado o seu interior? Será que está cinza e amargo? Então por que não pintá-lo com novas cores? Eis o que até então me faltava. Olhar para o que é bom e encher-me com o colorido do que é bom. Como eu já disse, é fato! Infalível! A vida responde ao que você lhe entrega.

Entregue à vida alegria e ela te dará sorrisos.Entregue paz e ela te dará sossego. Desperte em si o amor, cultive o bem e você viverá cercado da beleza e do perfume das rosas, independente dos seus espinhos. Todas as coisas variam de acordo com a forma que você as olha, é só questão de opinião.

Liberte-se do que te deixa pra baixo, troque a forma hostil de ver o mundo por uma que deseje estar em harmonia com ele. Ilumine-se com a luz do sol e desconecte-se um pouco do que é virtual para conectar-se com o que é real e puro. Renove-se por dentro.

Viva o que é Sublime!

Publicado em Poesia

Um pouco de cada (soneto às avessas)

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Uns o sossego da casa, outros a rua deserta
Uns a mão amiga, outros o infinito na mala
Uns o escuro do quarto, outros a noite iluminada
(Os forasteiros, mochila e estrada)

Uns o acaso, outros a certeza
Uns o desconhecido, outros a constância
Uns o casulo, outros a ventania
(Os sonhadores, caderno e melancolia)

Uns o ombro amigo, outros a mão solitária
Uns o exagero, outros o descaso
Uns o beijo infinito, outros o exílio
Uns o afeto, outros a apatia
(Os ingênuos, carinho e melodia)

Uns o agora, outros a eternidade
Uns o pra sempre, outros o nunca mais
Uns o grito pungente, outros o silêncio forçado
Uns o choro sem causa, outros a lágrima calada
(Os sofredores, um pouco de cada)

Thaís Bartolomeu

Publicado em Poesia

Springtime Ballad (Sonnet)

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Written by Alexandre Alves
Translated to English by Thaís Bartolomeu

Hello, spring! Hello Sweetness!
How beatiful is the tree
Flourished in the yard
Of my bosky house

It’s a remarkable day
Peace, harmony and poetry
Ready to celebrate
The roses blossoming

So lovely is the spring
To enjoy its solemnty
Let’s just gaze this feast

Then we show our land with more love
Where the sparrow is
Still singing all alone