Publicado em Poesia

Soneto ao Gragoatá

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Eu, no Gragoatá! ^_^

Ah, meu Gragoatá! És meu refúgio à beira-mar!
És tão acolhedor… És meu segundo lar!
De manhã és sol que envolve e à tarde, brisa que vem refrescar
De noite és abrigo de amantes, és ópio que faz viajar.

Ao pé da palmeira ponho-me a divagar.
À frente a Ponte, à direita o Teatro Popular,
À esquerda outra arquitetura, é outro lugar.
A beleza que há aqui é tão outra do lado de lá!

Aqui tudo me encanta, tudo me faz meditar.
Das barcas passando em seu ritmo particular
Às garças flanando entre o azul do céu e o azul do mar.

Teu chão recebe músicos, poetas, gente que vem estudar.
És porto, és tablado! É pena eu não poder ficar.
Ah, meu Gragoatá! És meu recanto de sonhar!

(Thaís Bartolomeu – 2014)

Publicado em Ficção

Papel, Caneta e Palavra – Capítulo I

Nota: Para ‘ ***** ’ , leia-se qualquer nome masculino com cinco letras, sendo três consoantes e duas vogais. Os meus preferidos são André, Pedro, Bruno e Lucas, mas fique à vontade. Boa Leitura.

Se tivesse um jeito fácil de dizer ‘eu te amo’ a quem amamos, mesmo sabendo que a pessoa em questão não nos corresponde, não existiriam poemas de amor.
Os apaixonados só se debruçam sobre seus cadernos para escrever sobre o amor porque não podem estar debruçados sobre o colo da pessoa amada.

Aos que amam e não são amados, sobra o consolo do papel amigo, que estará sempre lá para receber suas súplicas surdas e a sua mágoa que parecem não ter fim.
Tudo o que você sente e não pode dizer de outra forma, está à disposição do poema, esse agrupamento de versos que vai aos poucos construindo um abrigo solidário para você se refugiar da solidão.
E os versos são esse pulsar desesperado, acelerado, de quem sente o mundo na garganta mas sabe que não pode dar voz a ele a não ser pela palavra escrita.

A caneta precisa estar sempre lá, lembre-se de carregá-la para onde for. A caneta é a porta-voz do grito que você é impedido de dar. É ela quem fará a mística conexão entre a palavra e o papel. E são os três, o papel, a caneta e a palavra, a santíssima trindade daquele que ama sozinho.

Os versos que ***** começou a escrever hoje foram mais sofridos do que os de um mês atrás, quando sua alma o fez saber que ele a amava. Isso porque há duas semanas sua consciência o fez saber que não era e nem seria amado pela menina do sorriso bonito.

O primeiro poema era sobre como ela é incrível, era todo sobre ela, ou talvez um pouco sobre os dois. Porque depois de passar semanas escrevendo o nome dela em todas as superfícies possíveis, ele acabou por descobrir uma graciosa coincidência que resolveu usar nos versos de abertura:

Querida, os nossos nomes
Cinco letras têm
Ambos com três consoantes
E duas vogais também

Tão belo quanto seus lábios
É o sorriso que eles contêm

blá blá blá

O poema de hoje, porém, tinha uma cor acinzentada e começava neste tom:

É triste amar quem não nos pode amar de volta
Porque já entregou a outro o coração;
Amar assim, é um grito mudo e sem resposta
É só melancolia, é só dor, é só solidão.

Se não fosse a poesia,  ***** estaria perdido. Todos os apaixonados também estariam.
Sem a segurança do verso e desse castelo de papel que ele nos ajuda a construir na hora da tempestade, o que seria de nós? É certo que o papel é frágil, assim como é frágil o coração de quem ama e também é certo que se destrói facilmente já com as primeiras gotas de chuva, mas já é um conforto saber que não estamos sós em meio a ela. Dos nossos olhos escorrem as lágrimas sofridas, da folha escorre a tinta preta da caneta amiga.

Papel, caneta e palavra, tríade sagrada, abrigo que não se pode encontrar no peito da pessoa amada.

Publicado em Ficção

Na poeira do sebo da Rua 5 de Março

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Como não seria perfeito um romance que começasse em uma livraria?!

Lá estaria você, vendo o quê de literatura inglesa havia naquela seção que realmente estava escrito em inglês. Quase nada, como sempre. Muitas adaptações e poucos originais. Não são assim também as pessoas? Quantas são o que essencialmente gostariam de ser e quantas se adaptam para que possam se sentir parte de algo?! Não são realmente as pessoas como os livros? Mas deixemos de comparações e voltemos ao romance, ou antes, aos romances, o da Jane Austen, o que ele procura ou que surgirá entre vocês dois.

Enquanto você estaria procurando por “Sense and Sensibility” , lá estaria ele, com cara de leitor, lindo e charmoso, procurando por algo novo, algum bom livro para ler durante a viagem para Cabo Frio com os pais no próximo fim de semana. Você não conseguiria alcançar a prateleira desejada e então ele, cavalheiro, alto e encantador, pegaria o livro para você. E fazendo valer o famoso jargão do profeta, em retribuição a esta gentileza, você o ajudaria com a escolha de um romance. Sendo ele da Engenharia e você de Letras, a sua sugestão seria mais do que aceita. E estaria aí iniciado um perfeito romance entre vocês.

Perfeito? Talvez não… Talvez seja apenas mais um cliché. A menina de humanas, o rapaz de exatas; ela baixinha e procurando por livros de mocinha e ele fazendo hora dentro da loja. Porque meses depois você descobriria que a história da procura de um livro para ler durante viagem fora pura invenção (talvez a própria viagem também tenha sido). Ele não costuma ler muito, menos ainda no carro.

Não são realmente as pessoas como os livros? Tantas capas bonitas mas com conteúdo bem menos interessantes, enchendo as prateleiras de uma moderna e badalada livraria como esta, enquanto há tanta coisa realmente boa perdida em sebos amofinados!Seria melhor mudar o cenário.

Um romance começado em uma livraria poderia ser sim muito imperfeito, com tanta gente que hoje frequenta livrarias por motivos tão semanticamente distantes da palavra L I V R A R I A. Até porque livraria, em conceito contemporâneo, passou a ser uma loja que vende celulares, computadores, cds, jogos, quadros, brinquedos e possivelmente algum livro. Sendo assim, você poderia acabar topando mesmo com alguém que nem gosta de ler e que talvez nem seja estudante de nada e que foi lá só para comprar um jogo qualquer de videogame ou ainda um Cd da Cláudia Leitte.

Então vamos mudar mudar logo esse cenário. O que se escreveu até aqui não presta. Vamos começar de novo.

Como não seria perfeito um romance que começasse num sebo?! No sebo sim! Seria perfeito! Quem vai ao sebo procura antes qualidade à novidade. Não há nada de novo debaixo do céu, não há nada de novo nas prateleiras de um sebo. Muitos vão ao sebo crendo que só lá encontrarão algo raro, quase extinto ou que já não se publica e que só vão conseguir ter acesso caso alguém, acometido de qualquer coisa que envolva loucura, um dia tenha se desfeito de uma preciosidade.

Não são realmente as pessoas como os livros? Algumas vivem anos com alguém que, em certo momento, não lhes deu o devido valor e as descartou. Então passam a viver na poeira do sebo da Rua 5 de Março até serem encontradas por alguém que por longo tempo procurou por elas, e que há de quere-las com toda vontade, mesmo sabendo que o passado lhes deixou infinitas manchas e rasuras. Há de cuidar para não causar mais marcas.

Um romance que começasse em um sebo teria mais chance de envolver duas pessoas de humanas e talvez nenhuma delas fosse linda. E talvez teriam praticamente a mesma altura. E talvez os dois gostassem de Agatha Christie. Ele teria um cabelo grande e bagunçado e barba por fazer e não precisaria das suas dicas de literatura. Seria mais uma troca de figurinhas.

Mas, talvez, ‘romance perfeito’ seja uma hipérbole da minha parte, porque se as pessoas realmente são como os livros, logo não são perfeitas. Ainda quando lemos os clássicos, inquietos como somos, não conseguimos achá-los perfeitos (conheço muita gente que gostaria de poder ter dado algumas dicas ao Charles Dickens).

Os romances nunca são perfeitos porque as pessoas também não são. E na verdade não importa muito se o dito romance começou numa livraria, num sebo ou numa biblioteca.
Aaaah! Mas como não seria perfeito um romance que começasse em uma biblioteca?!

O que se escreveu até aqui não presta. Vamos começar de novo.

Publicado em Poesia

Você, bom dia, luz do dia (Canção)

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Ao meu querido amigo, inspiração de todo dia

Luz do dia, vem e irradia
É o que há de bom
É o seu bom dia
Que você me dá
É o meu bom dia
Que é melhor quando você está
E agora você está
A cada dia
Todo dia
Veio pra ficar

Luz do dia, doce companhia
É o conforto amigo
É a sua mania
De me chamar de guria
É o nosso dia-a-dia
Que fez a parceria
Que me faz sossegar
Porque é só você chegar
No meu dia
E tudo vira poesia

Luz do dia, chega e contagia
É o seu abraço
É a sua alegria
Que agora também é minha
E que me faz acreditar
Que tudo vai melhorar
Que vai chegar o nosso dia
E até lá
Sei que você vai estar
Sempre aqui pra me dar bom dia

Thaís Bartolomeu

Publicado em Sobre Ser Você

“Cada um vive atrás das grades que carrega consigo”

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Eu encontrei a frase que dá título ao post de hoje absolutamente por acaso em um texto de Franz Kafka. Já faz algumas semanas que essa frase que expressa uma imagem tão forte e impactante não sai da minha cabeça e hoje, finalmente, as ideias que começaram a se formar na minha mente resolveram transcorrer pelos meus dedos. Vamos a elas.

É interessante que antes de encontrar essa frase que me ajudou a refletir sobre tanta coisa, eu estava conversando com uma pessoa mais velha (algo que eu estava fazendo cada vez com menos frequência) e me queixava dos traços da minha personalidade que me impedem de viver a minha vida do modo como eu gostaria. Sempre que toco nesse assunto, destaco logo a minha timidez, que sempre me pareceu ser o meu maior problema, mas nessa conversa também falei com ela da minha insegurança e da minha falta de habilidade para começar conversas com pessoas que não conheço. Eu estava pronta para ouvir algo do tipo “ah, mas você pode trabalhar isso e mudar” etc, só que, para a minha maior surpresa eu ouvi “Thaís, você tem uma imagem equivocada de si mesma”.

Aquilo me chocou tanto! Não imaginava que alguém no mundo pudesse me enxergar como uma pessoa sociável e confiante e, sem falsa modéstia, eu confesso que os argumentos que ela usou me levaram a concordar com ela. Por incrível que pareça, eu não sou esse poço de ensimesmamento que eu fico me convencendo que sou. Mas por que, então, eu sou tão dura comigo mesma? Por que me vejo com olhos tão críticos? A frase de Kafka me fez pensar.

Desde que eu me entendo por gente eu repito para mim mesma “sou tímida e por isso não sou boa em fazer amizades”, “sou tímida e por isso as pessoas me acham chata e me excluem”, “sou tímida e por isso não consigo fazer com que as pessoas entendam o que eu quero dizer e o meu ponto de vista sobre as coisas” e por aí vai. A minha timidez é uma das grades que venho carregando comigo para me privar do mundo. Junto com ela, tem também a grade da falta de auto-estima… nunca bonita o suficiente, nunca atraente o suficiente, completamente sem carisma, com um cabelo que não é dos melhores, com um corpo não tão bem acabado e cheia de pensamentos que ainda me fazem levar susto quando algum carinha diz que sou bonita.

Essas duas grandes deram vida a pior grade de todas: a grade da falta de fé em mim mesma. E, pra piorar, de uns tempos pra cá ainda resolvi que sou ingênua em relação às pessoas e por isso estou condenada a ser eternamente feita de boba pelas pessoas de quem eu gostar. Eis aí as minhas grades, a minha pequena prisão particular. E eu aqui pensando que o meu problema era qualquer coisa relacionada a falta de sorte.

Conversando com algumas pessoas depois disso, percebi que o Kafka estava mesmo certo e que esse gradeamento não era exclusividade minha. Se fosse, eu não estaria escrevendo esse texto, não valeria apenas gastar palavras e mais palavras para falar de algo com que ninguém mais pudesse se identificar. Mas… por que é que nós criamos essas grades? Por que escolhemos nos esconder atrás delas? O que nos assusta tanto no mundo lá fora?

“Tememos a liberdade e a responsabilidade. Por isso preferimos sufocar atrás das grades que nós mesmos fabricamos.” Essa é a hipótese do autor e realmente faz sentido, mas eu proponho irmos além. Acho que nós tememos não sermos aceitos e por isso procuramos um ‘lugar seguro’ para nos refugiarmos das críticas correndo na frente e sendo excessivamente críticos com nós mesmos antes de qualquer pessoa. Muitas vezes usamos essas grades como desculpa para as nossas limitações e para as coisas que não temos coragem de fazer/enfrentar. É como se disséssemos “eu não posso passar daqui porque a minha timidez não deixa” ou “não posso amar ninguém porque sou uma pessoa fria”.

Todavia, eu concordo que viver sem grades, viver em liberdade nos dá algumas responsabilidades que às vezes não nos sentimentos fortes o bastante para assumir. Como é difícil sair de um lugar com o qual nos acostumamos, como é difícil se jogar no mundo como tem que ser, sem ter onde segurar quando algo der errado! Pensando sobre isso tudo, vi que eram dessas grades que vinham muitos dos meus pensamentos negativos que comentei em um post da semana passada.

Como seria bom encerrar esse texto dizendo que depois do Kafka serei uma pessoa totalmente confiante e livre e que já me desfiz das minhas grades! Mas algo que também tenho aprendido nesses últimos tempos é que tudo que é feito pra durar leva tempo pra ser construído. Não vai ser hoje nem amanhã que nós seremos pessoas desapegadas dessas afirmações tão cruéis que viemos repetindo para nós mesmos durante tanto tempo. Haverá muito esforço e algum tempo até que nossas grades se dissipem. Mas, seja como for, já é um grande passo saber que estamos precisando soltar as mãos das grades e começar finalmente a serra-las.

Publicado em John Mayer, Sobre o Amor

Top 5 John Mayer Sobre Fim de Relacionamentos Amorosos

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Aqui estou eu novamente com mais um incrível Top 5 do nosso amado John Mayer! Dessa vez para falar sobre fim de relacionamentos porque, afinal, nada dura pra sempre e todo mundo já amou e também deixou de amar alguém.
Mas, na verdade, a minha maior intenção com esse post é provar a minha tese de que o fim de um relacionamento amoroso é a melhor coisa na vida de um artista! Nada inspira mais!
Enquanto as pessoas normais só choram ou tomam um porre, o compositor vai lá e escreve uma música simplesmente maravilhosa! Inclusive as minhas músicas preferidas falam sobre término de namoros e afins…
(OBS.: Esse semana mesmo postei a letra de uma música do meu amigo Gabriel Rangel, “Daquilo que cê foi“, que só reforça isso. Vão dar uma olhadinha depois, é linda!

Mas, sem mais delongas, vamos à lista!

1 – In your atmosphere

Olha ela aí! Vamos começar com a minha preferida! Realmente ‘In your atmosphere’ é um arraso de música. Expressa muito bem todo aquele sentimento que fica dentro da gente quando um relacionamento acaba e a gente não consegue parar de pensar na pessoa. E então tudo que você faz, todo lugar que você vai (mas especialmente os lugares onde vocês foram juntos) te faz lembrar da pessoa. Nessa música ele também consegue expressar muito bem aquele sentimento ambíguo de querer e não querer mais ver a pessoa…

‘Cause I die if I saw you
I die if didn’t see you there…

Quem nunca?

2 – Friends, Lovers or Nothing

Nunca diga ‘Dessa água não beberei’, já dizia minha avó! Por mais duro que seja de admitir quase todo mundo já terminou alguma vez com alguém e ficou naquela desgraçada situação de ‘em cima do muro’. No caso de ‘Friends, Lovers or Nothing’é a mulher que enche a cara e fica correndo atrás do John, coitado. Mas é compreensível, afinal, é o John Mayer né, gente! E eu amo muito esse posicionamento do John desde o título da música e na verdade ela toda é uma grande lição de vida! E os versos com que ele a encerra é algo que a gente sempre deveria ter em mente, não só no fim do relacionamento, mas no início e no meio também (acho que não é à toa que ele fica repetindo feito um mantra):

Anything other than yes is no
Anything other than stay is go
Anything less than I love you is lying

3 – I’m gonna find another you

Tadinho do John Mayer! Só de olhar pro título da música a gente já fica com dó! A mulher termina com ele mas o pobrezinho ainda diz que quer encontrar outra como ela!!! É muito amor 😦 ! Mas, na minha opinião, o que torna essa música especial são algumas metáforas que o John usa pra expressar como ele se sentiu com que esse término forçado, como ele mesmo diz. Adoro as leves humilhadas que ele dá tipo:

You might have your reasons
But you will never have my rhymes

e

My pride will keep me company
And you just gave yours all away

E pra ela não ficar pensando que ele iria ficar o resto da vida lá sofrendo ele deixa bem claro que agora vai se arrumar super gato e sair pra fazer as coisas que ela não o deixava fazer quando estavam juntos. Beijo recalque!

4 – Hummingbird

Pra não ficar parecendo também que só as mulheres que terminavam com o John e deixavam ele lá sofrendo, eis ‘Hummingbird’. É a típica música que te dá vontade de chorar mesmo antes de ouvir a letra. Ela reforça aquele velho ditado de que a gente só dá valor quando perde. A minha tendência é sempre ter pena do John (fazer o quê?), mas acho que ele mesmo acha que não cuidou dela como deveria… E, sim, John, acho que é ‘too late’ sim. Quando a gente se pergunta isso, geralmente é…

5 – Out of my mind

Só porque eu não quero terminar o post de hoje nesse clima fossa e porque ‘Out of my mind’ é uma música incrível! É uma das poucas músicas do John que eu gosto mais da performance dele do que da letra em si! Porque não basta só avisar pra mulher que ele finalmente decidiu tirá-la da cabeça e mandar ela correr pras amiguinhas pra contar a versão dela! Os solos dessa música são totalmente ‘não estou mais nem aí pra você’! E o que dizer dessas risadas no meio da música??? Para tudo gente! Vamos assistir (de novo)!

Bom, espero que tenham gostado do post mostrando diferentes músicas do John Mayer mostrando diferente contextos de fim de relacionamentos amorosos, que vão desde o clássico ‘não consigo parar de pensar em você’ até ao derradeiro ‘cansei’.

P.S.: Pensei em colocar ‘Dreaming with a broken heart’ e ‘Comfortable’ nesse Top 5, mas não queria ser responsável por cortes no pulso de ninguém.

Publicado em Sobre a Vida

Está tudo no Facebook!

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Existe um clássico traço da nossa natureza humana que já estava presente láááá nos nossos queridos Adão e Eva: a vontade de saber mais.

Acho que por mais desmotivada ou preguiçosa que uma pessoa seja, sempre há algum assunto pelo qual ela se interesse a ponto de pesquisar sobre ele e querer saber cada vez mais. Seja futebol, música… seja a vida dos atores da Globo! Há sempre alguém interessado em saber mais!

Hoje eu estive me lembrando que, na minha época de Ensino Fundamental, nós (eu e quase todas as demais meninas) fazíamos uma coisa muito peculiar chamada Caderno de Perguntas. Pra quem não sabe, se tratava de um caderno mesmo que cada uma preenchia com pelo menos umas 50 perguntas e que nós íamos passando pra as pessoas da nossa e de outras turmas, pessoas da vizinhança e, especialmente, meninos pelos quais nós nutríamos segundas intenções. Era uma prática que já existia há um bocado de tempo, pelo que eu sei, mas que foi parando já na época do Orkut (que Deus o tenha) até sumir de vez na era do Facebook.

Já não é mais necessário gastar horas da sua preciosa adolescência cuidadosamente escolhendo e escrevendo as perguntas que vão te levar a descobrir o que você deseja a respeito de alguém. Há agora um novo método e até um novo verbo! Sim… Stalkear, stalkear, stalkear!

E o Facebook superou e muito o nosso datado Caderno de Perguntas. Primeiro porque não é só uma coisa de adolescente. Todo mundo pode ter um e todo mundo pode olhar o perfil de todo mundo. Segundo, porque nós nem precisamos ter o trabalho de perguntar nada! Já está tudo lá! Nome, idade, signo, onde mora, com quem mora, onde estuda, se faz curso, se tem irmãos, se tem namorado(a) (que é o que geralmente o que se procura primeiro quando se está de olho em alguém)… Enfim! E essas são só as informações básicas. Pelas páginas que a pessoa curte sabemos também os filmes que gosta, os cantores que admira, do que ela acha graça , os ideais que defende.

Tudo isso ainda é muito pouco! O bom stalker consegue saber muito mais! Desde lugares e festas que a pessoa foi até antigos relacionamentos. Isso é um pouco assustador, vocês não acham? Mas se o Facebook se tornou hoje essa fonte quase infinita de informações a nosso respeito, sinto dizer, mas é porque nós as fornecemos. E o que mais me intriga, na verdade, é POR QUE RAIOS A GENTE SE EXPÕE TANTO ASSIM?

Eu mesma já me senti refém dessa suposta invasão da minha vida, até me dar conta que tudo que as pessoas ‘descobriam’ a meu respeito era só porque eu as deixava saber. Eu mesma que fazia questão de postar sobre coisas que na verdade não eram da conta de ninguém. Mas… por quê?

A verdade é que ferramentas como o Facebook ajudam a desconstruir a ideia que a sociedade moderna colocou nas nossas cabeças de que nós somos apenas mais um na multidão, só mais um número. Na sua rede social você é alguém importante, tem amigos, fãs, seguidores, gente que curte suas fotos, te elogia, discute as suas opiniões e compartilha por aí as coisas que você diz. Que sucesso! O Facebook fez de nós alguém no mundo!

Mas vamos lá lembrar que você já era alguém importante mesmo antes dessa coisa toda de internet e a sua vida não se torna menos interessante se você passar um dia inteiro sem postar como você passou por lugares lindos ou como foi bom almoçar com suas amigas naquele restaurante chique. Você é e sempre será alguém peculiar e que faz coisas incrivelmente legais!

Dá um certo gostinho saber que tem gente interessada em saber o que a gente anda fazendo e pensando, mas um gostinho ainda melhor é o da nossa liberdade. Pasmem com o que eu vou dizer agora: nós não precisamos da aprovação das outras pessoas pra viver (olha só que fantástico!). Nós podemos fazer e pensar coisas sem posta-las no facebook (eita notícia boa, hein!). Alguns dizem que parece que estamos sendo observados o tempo inteiro, mas na verdade somos nós que fazemos questão de nos dar a ver.

Lembro que há algum tempo atrás fiz amizade com uma menina e quando pedi o Facebook dela pra que continuássemos conversando ela me disse “Não tenho Facebook”. Eu fiquei tão atônita na hora que só fiquei olhando pra ela sem reação, mas como se como a minha expressão eu perguntasse “COMO ASSIM, CARA?! POR QUÊ?” , ela completou “Eu gosto de viver a minha vida em particular”. Aquilo não saiu mais da minha cabeça.

Não que ache o Facebook a pior coisa do mundo, muito menos que todo mundo deveria deixar de usar. Só não podemos é ser dominados por ele e pelas inquietantes perguntas que ele nos faz constantemente: “O que você está pensando?” “O que você está fazendo?” “Quem estava com você?”. Na verdade, quase ninguém se interessa realmente por isso, assim como quase nenhum dos seus amigos no seu Facebook são seus amigos de verdade.

Que tal aproveitar mais a vida com o que realmente importa?! Aí você também deixa pra contar sobre isso pra quem realmente se importa com você.

Publicado em John Mayer, Sobre a Vida

Pense positivo, guria!

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Quando é pra citar a música Wheel, do John Mayer, a gente geralmente escolhe aqueles lindos versos com que ele a encerra:

I believe that my life’s gonna see
The love I give returned to me
(Eu acredito que a vida vai ver / o amor que eu dou retornar pra mim)

Realmente isso é uma lindeza! Mas como é difícil acreditar nisso quando a vida desanda a te dar um monte daqueles dias tumultuados e problemáticos, um atrás do outro! Tem épocas que as coisas ficam tão complicadas que fica difícil pensar em qualquer coisa boa. Mas, na verdade, isso geralmente acontece porque nós nos apegamos tanto às coisas boas da vida que fingimos que ela é toda boa, ou que é boa sempre.

Há um trecho dessa música que até ontem me passava sem me chamar muita atenção, e é justamente o que ele fala antes daqueles versos tão perfeitos:
You can’t love too much one part of it (Você não pode amar demais só uma parte disso)
E não é justamente o contrário o que a gente faz? Não é bem verdade que a gente é chegado a gostar só da parte boa da vida?

Só que a vida é essa roda que o John fala na música. Ela não para e nós não ficamos sempre no mesmo lugar. Assim como existem os sorrisos e as alegrias, existem também as lágrimas e decepções. Mas tudo na vida é aprendizado para quem está disposto a sempre crescer. Às vezes aprendemos vendo o exemplo dos outros, ou conversando com os amigos, mas outras vezes é necessário sentir a dor na própria carne.

O que nos faz melhores e o que nos faz crescer depende de como a gente reage a esse ‘lado ruim’ da vida. Essa é a hora de continuar amando, continuar acreditando, continuar sonhando. É o momento de mostrar que você é forte e vai permanecer firme independente das intempéries ao seu redor, assim como a Stonehenge. Que difícil pensar positivo com tudo desmoronando dentro e fora da gente!

Mas uma coisa é certa e eu até já falei sobre isso em outros textos aqui: a vida traz de volta o que você dá a ela. Por isso pensar positivo, pensar em coisas boas, é o melhor que você pode fazer se você quer que a vida te proporcione mais coisas agradáveis. Pense em tristeza, fique cabisbaixo e depressivo e a melancolia não vai te abandonar. Pense colorido, tente sorrir, faça o bem e você logo verá se abrir um clima mais azul.

( Obrigada, Dedé, pelos 6 dias de conversa que me convenceram a pensar positivo! 🙂

Publicado em Sobre Música, Sobre o Amor

Daquilo que cê foi – Gabriel Rangel

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Entra, pode ficar
Mas não esquece
De deixar aquele pedaço
Que nos fez virar
O que não somos
Não somos mais
Sem mais
Aqui
Jaz
Um amor que já se foi
‘Oi, tudo bem?’

Não esquece de passar depois
Pra ver se ela repôs
Tudo aquilo que cê foi
E quando se foi

Entra, pode buscar
Mas não esquece
De levar suas memórias
Que ontem cê deixou
Não é nada demais
Sem mais
Aqui
Jaz
Um amor que já se foi
É… não tô bem

Não precisa nem passar depois
Pra ver se ela repôs
Tudo aquilo que cê foi
E quando se foi
Tudo aquilo que se foi
E quando cê foi

Publicado em John Mayer, Sobre a Vida, Sobre o Amor

Não deu tudo errado o tempo todo

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Eis a nossa tendência quando algo não tem o desfecho que a gente esperava, logo vamos dizendo “Que droga! Deu tudo errado!” Há tanto o que se pensar sobre isso…

A primeira questão é: o que é que nós, meros mortais, sabemos da vida, afinal? Quem foi que disse que o ‘dar certo’ teria que coincidir exatamente com a nossa expectativa? Por milhares de vezes eu já quis muito alguma coisa e até chorei, praguejei contra ao vento, quando a tal coisa não aconteceu como eu queria. “Mas que droga! Por que é que tinha que dar tudo errado?” Mas também não foram poucas às vezes que depois eu dei graças a Deus por as coisas não terem acontecido do meu jeito. Concluí que foi melhor assim.

“Nada acontece por acaso”, “Há males que vêm para o bem” , “Deus sabe o que faz”. Tudo frase-feita, tudo cliché, tudo verdade. E que bom que as coisas não seguem os nossos planos! Não só porque muitas vezes nós erramos feio nas nossas vontades, mas também porque a vida seria extremamente chata se seguisse um roteiro (ainda que você tenha certeza que o seu roteiro é impecável! O meu, por exemplo, inclui o John Mayer gravando uma música escrita por mim!)

Mas quando se trata de fim de relacionamento, então! Essa sensação de “AAAAh, deu tudo errado!” é quase sempre presente. Vamos pensar. Não deu tudo errado o tempo todo, nem que tenha sido por poucos meses, ou algumas semanas ou por um único dia tudo deu certo. Em algum momento as coisas deram certo, mas tão certo, que ambos creram no amor e deixaram o resto do mundo pra lá pra viver aquela coisa boa, só vocês dois. Mas… vai lá saber por que, não tinha que ser assim. E isso também não quer dizer que tenha dado errado.

O que hoje você chama de certo, poderá descobrir amanhã que é o errado. O que você chama agora de “dar errado” pode ter sido a melhor coisa que já te aconteceu. A gente sofre na vida porque nós não sabemos esperar , porque queremos tudo para ontem e tudo do nosso jeito. Take it easy! A Vida é boa e o Destino é um carinha bacana, eles são cautelosos e pacientes (ao contrário de nós). E, como já bem disse Tiago Iorc, nada como um dia após o outro. O tempo é que dirá se de fato deu errado ou não.

*Agradeço a Derick Dellasierra e Bruno Fontes pela inspiração desse texto.