Publicado em Sobre a Vida

Está tudo no Facebook!

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Existe um clássico traço da nossa natureza humana que já estava presente láááá nos nossos queridos Adão e Eva: a vontade de saber mais.

Acho que por mais desmotivada ou preguiçosa que uma pessoa seja, sempre há algum assunto pelo qual ela se interesse a ponto de pesquisar sobre ele e querer saber cada vez mais. Seja futebol, música… seja a vida dos atores da Globo! Há sempre alguém interessado em saber mais!

Hoje eu estive me lembrando que, na minha época de Ensino Fundamental, nós (eu e quase todas as demais meninas) fazíamos uma coisa muito peculiar chamada Caderno de Perguntas. Pra quem não sabe, se tratava de um caderno mesmo que cada uma preenchia com pelo menos umas 50 perguntas e que nós íamos passando pra as pessoas da nossa e de outras turmas, pessoas da vizinhança e, especialmente, meninos pelos quais nós nutríamos segundas intenções. Era uma prática que já existia há um bocado de tempo, pelo que eu sei, mas que foi parando já na época do Orkut (que Deus o tenha) até sumir de vez na era do Facebook.

Já não é mais necessário gastar horas da sua preciosa adolescência cuidadosamente escolhendo e escrevendo as perguntas que vão te levar a descobrir o que você deseja a respeito de alguém. Há agora um novo método e até um novo verbo! Sim… Stalkear, stalkear, stalkear!

E o Facebook superou e muito o nosso datado Caderno de Perguntas. Primeiro porque não é só uma coisa de adolescente. Todo mundo pode ter um e todo mundo pode olhar o perfil de todo mundo. Segundo, porque nós nem precisamos ter o trabalho de perguntar nada! Já está tudo lá! Nome, idade, signo, onde mora, com quem mora, onde estuda, se faz curso, se tem irmãos, se tem namorado(a) (que é o que geralmente o que se procura primeiro quando se está de olho em alguém)… Enfim! E essas são só as informações básicas. Pelas páginas que a pessoa curte sabemos também os filmes que gosta, os cantores que admira, do que ela acha graça , os ideais que defende.

Tudo isso ainda é muito pouco! O bom stalker consegue saber muito mais! Desde lugares e festas que a pessoa foi até antigos relacionamentos. Isso é um pouco assustador, vocês não acham? Mas se o Facebook se tornou hoje essa fonte quase infinita de informações a nosso respeito, sinto dizer, mas é porque nós as fornecemos. E o que mais me intriga, na verdade, é POR QUE RAIOS A GENTE SE EXPÕE TANTO ASSIM?

Eu mesma já me senti refém dessa suposta invasão da minha vida, até me dar conta que tudo que as pessoas ‘descobriam’ a meu respeito era só porque eu as deixava saber. Eu mesma que fazia questão de postar sobre coisas que na verdade não eram da conta de ninguém. Mas… por quê?

A verdade é que ferramentas como o Facebook ajudam a desconstruir a ideia que a sociedade moderna colocou nas nossas cabeças de que nós somos apenas mais um na multidão, só mais um número. Na sua rede social você é alguém importante, tem amigos, fãs, seguidores, gente que curte suas fotos, te elogia, discute as suas opiniões e compartilha por aí as coisas que você diz. Que sucesso! O Facebook fez de nós alguém no mundo!

Mas vamos lá lembrar que você já era alguém importante mesmo antes dessa coisa toda de internet e a sua vida não se torna menos interessante se você passar um dia inteiro sem postar como você passou por lugares lindos ou como foi bom almoçar com suas amigas naquele restaurante chique. Você é e sempre será alguém peculiar e que faz coisas incrivelmente legais!

Dá um certo gostinho saber que tem gente interessada em saber o que a gente anda fazendo e pensando, mas um gostinho ainda melhor é o da nossa liberdade. Pasmem com o que eu vou dizer agora: nós não precisamos da aprovação das outras pessoas pra viver (olha só que fantástico!). Nós podemos fazer e pensar coisas sem posta-las no facebook (eita notícia boa, hein!). Alguns dizem que parece que estamos sendo observados o tempo inteiro, mas na verdade somos nós que fazemos questão de nos dar a ver.

Lembro que há algum tempo atrás fiz amizade com uma menina e quando pedi o Facebook dela pra que continuássemos conversando ela me disse “Não tenho Facebook”. Eu fiquei tão atônita na hora que só fiquei olhando pra ela sem reação, mas como se como a minha expressão eu perguntasse “COMO ASSIM, CARA?! POR QUÊ?” , ela completou “Eu gosto de viver a minha vida em particular”. Aquilo não saiu mais da minha cabeça.

Não que ache o Facebook a pior coisa do mundo, muito menos que todo mundo deveria deixar de usar. Só não podemos é ser dominados por ele e pelas inquietantes perguntas que ele nos faz constantemente: “O que você está pensando?” “O que você está fazendo?” “Quem estava com você?”. Na verdade, quase ninguém se interessa realmente por isso, assim como quase nenhum dos seus amigos no seu Facebook são seus amigos de verdade.

Que tal aproveitar mais a vida com o que realmente importa?! Aí você também deixa pra contar sobre isso pra quem realmente se importa com você.

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

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