Publicado em Poesia

Paisagem

InstaSize_2014_11 _ 1111289

Com os olhos do corpo não sabia enxergar
A brisa do mar, o cheiro da maresia
Os pequenos obséquios que a natureza me fazia

Com os olhos internos aprendi a observar
A liberdade dos pássaros, a sua melodia
Os pequenos lembretes que a vida me trazia

Porque há em todas as praias
Brisa, maresia, pássaros e melodia;
Porque há em toda paisagem
Vida, natureza, liberdade e poesia

Thaís Bartolomeu

Publicado em Sobre a Vida

“São as ilusões o que nos faz felizes?”

Falling-asleep-forest

Há cerca de uma semana comecei a ler um livro que já estava na minha lista de espera há um bom tempo chamado ‘Os sofrimentos do jovem Werther’. Esse livro é de fato incrível e tem me inspirado a escrever muita coisa desde então, e o título desse post é retirado de uma passagem dele.

Quando eu me deparei com esse questionamento ‘São as ilusões o que nos faz felizes?’ durante a minha leitura, eu respondi para mim mesma: ‘É óbvio que não!’. Mas depois comecei a pensar que apesar de a resposta ser definitivamente NÃO, talvez isso não seja tão óbvio assim, então resolvi escrever.

De fato, quando nos encontramos nesse estado de estar iludido com algo, a impressão que dá é que estamos felizes. Mas ao fim percebemos que era só mesmo uma impressão. Porque quando nos iludimos nos tornamos incapazes de ver o que está bem na nossa frente, criamos uma realidade paralela, uma universo que não existe, ou seja, uma grande ficção. É só quando finalmente acordamos para o que é real que nos damos conta de que aquela tal felicidade também era fictícia.

Por mais difícil que pareça, é melhor assim ( apesar do susto que levamos quando nos damos conta de quanto tempo perdemos e do quando mentimos para nós mesmos, nos enganando presos a determinada situação)! Eu sei que na hora é como se acordássemos de um sonho e passássemos a ficar presos em um pesadelo sem fim. Mas eu digo que não é nem sonho nem pesadelo, é apenas a vida real.

E a vida real é boa, é linda, é surpreendente! Não são as ilusões o que nos faz felizes, elas apenas nos fazem perder tempo, perder oportunidades… Mas a vida tão gracinha como é, sempre nos dá novas chances, nos traz novas pessoas que nos mostraram que o que é real é muito mais incrível, forte e verdadeiro do que qualquer ilusão com suas vagas impressões de felicidade.

Publicado em Sobre o Amor

A pessoa certa

Quando você encontra a pessoa certa você passa a não querer procurar mais ninguém. Você continua saindo, indo aos seus shows e suas festas e continua olhando para as pessoas bonitas, mas não passa disso.

Quando você encontra a pessoa certa ela passa a ser o parâmetro para todas as outras que você vai vir a conhecer. Se algum cara tem algo que te agrada você se lembra que o ELE tem muito mais, se uma menina fez algo que você não gostou você logo pensa que ELA nunca faria aquilo.

E às vezes demora até você perceber que já encontrou a pessoa certa. Na maioria das vezes você só se dá conta disso ao ver que todas as outras pessoas já não parecem boas o suficiente pra você. Ninguém é tão carinhosa quanto ela, ninguém é tão inteligente quanto ele.

E quando você ainda está lutando para admitir que está apaixonada e que aquele carinha é tudo que você queria ou que aquela menina tem tudo que você sempre desejou, pode ser que apareça alguém te convidando pra sair e você vá. Pode ser até que ele seja legal e pode ser até que vocês fiquem, mas… Não, não é ela.

Quando eu penso nisso logo me vem à mente o Leoni cantando ‘Depois de você os outros são os outros e só’.

Encontrar a pessoa certa é aquele sentimento de que alguém secretamente stalkeou seu coração e mandou fazer uma pessoa bem do jeitinho que você sempre quis (ou talvez ainda melhor), apesar dos defeitos que todos nós temos. A vida sempre surpreende! Talvez você não estava contando que ele seria tão divertido ou que ela fosse tão compreensiva.

E eis que um belo dia você está no ônibus a caminho de casa ouvindo a sua música favorita e você se lembra dele, o sorriso dele te vem à cabeça e logo vem o cheiro,  o gosto do beijo, o jeito de te abraçar…Você resolve mandar uma mensagem pra ela, diz que está com saudade, marca um novo encontro.

Essa é sempre a minha parte preferida em qualquer filme ou romance: quando a pessoa se dá conta de que já encontrou a pessoa certa! E a pessoa é tão certa mesmo que inclusive te corresponde!!! Muitas vezes a incerteza da reciprocidade mata os relacionamentos antes que eles comecem, por isso nada como dizer ‘acho que estou gostando de você, sabia?!’. Se ela for mesmo a pessoa certa vai te dizer ‘eu também!’.

Publicado em Poesia

Verso e Canção

Light_Hand_by_Faellas

Como quem anda bêbado na escura noite
Os versos me vêm chegando pela madrugada.
De par em par, um apoiado no outro,
Juntam-se em torno de mim fazendo roda.
Dançam, cantam, trocam de lugar,
Eu fico atônita em meio à vertigem de palavras
Que cada verso me diz com voz melodiosa.
Logo já não estou mais sozinha no centro,
Sou tomada pelas mãos e convidada a bailar.
Como um só corpo nos unimos, nasce ali o poema
E então eu percebo que também sou verso, também sou canção.

Thaís Bartolomeu

Publicado em John Mayer, Sobre o Amor

O que é amar alguém?

img_6635

Mais de uma semana sem postar nada no blog e mais de duas semanas sem escrever um texto em prosa que prestasse. Não sei se esse aqui vai ficar prestando pra compensar, mas vou falar um pouco do que tenho sentido.

Nesse tempo que fiquei sem escrever muitas ideias me passaram pela cabeça a respeito da vida, dos nossos sentimentos, dos relacionamentos. Nessa época de fim de ano é inevitável não tentar fazer um balanço de tudo o que fizemos, o que foi bom, o que foi ruim, o que valeu, o que não valeu. E no meio de vários questionamentos eu me perguntei hoje cedo: eu amei alguém esse ano?

Como toda pessoa que se apega facilmente, eu já achei por diversas vezes nesse 2014 que estava apaixonada. Talvez eu estivesse mesmo. Talvez tenha de fato me apaixonado algumas dúzias de vezes esse ano, porque se apaixonar não é difícil e pode acontecer mesmo várias vezes com pessoas românticas e, pasmem, até mais de uma vez simultaneamente.

Porque a gente se apaixona sempre que acha que encontrou uma pessoa parecida com a gente, que nos entende em algum sentido, que gosta das mesmas coisas que nós, que pensa da mesma forma que a gente em algum aspecto e por aí vai. Mas tem diferença entre esse efêmero encantamento, que eu chamo aqui de ‘se apaixonar’ e entre um sentimento forte que deixa você de coração na mão, pronto a entrega-lo pra outra pessoa, que eu chamarei aqui de ‘amar’.

Quando a gente se apaixona é fácil de explicar, você diz “ah, eu gosto dele porque ele é um amor, sempre gentil comigo, me entende, gosta dos mesmos filmes e livros que eu…”. Se apaixonar sempre tem uma lógica. O brabo é que muitas vezes confundimos essa paixão com amor.

Ouvindo “I don’t trust myself” do John Mayer essa manhã, uma frase na música me chamou a atenção:
“Who do you love, me or the thought of me?”

Fiquei com isso na cabeça o dia todo. Realmente, quando encontramos alguém que ‘combina’ com a gente e que parece ter por nós um sentimento recíproco de interesse, começamos a achar que aquela é a pessoa ideal, que deveríamos namorar e que daria tudo certo. Não é assim que funciona (mas não me pergunte por quê).

É isso que o John chama na música de ‘thought of me’. Quando sentimos que somos correspondidos criamos uma série de pensamentos a respeito daquela pessoa pra nos convencermos de que é ela e começamos a imaginar um possível romance. Isso é uma das piores coisas que alguém pode fazer, mas é o que mais fazemos, quero dizer, pensar em começar um relacionamento cheio de expectativas, achando que aquela pessoa é o amor da sua vida só porque também se interessou por você e pelas coisas que têm em comum.

O que eu concluí é que é raríssimo você amar alguém que vai te amar também. Porque o amor não tem lógica.

Você ama aquela pessoa que é totalmente diferente de você em várias coisas, que não gosta de tudo de você gosta, não frequenta os mesmos lugares, não admira os mesmos artistas e chama o seu sentimentalismo de fazer drama. No entanto você ama essa pessoa. Ama sem razão e sem saber por quê.

Eu acredito que a gente pode amar mais de uma pessoa na vida sim. Eu mesma já amei mais de uma vez e em todas essas vezes esse amor não tinha a menor lógica. Amar alguém é algo muito forte, tanto que às vezes achamos que é mais forte do que nós. Mas não é. A partir do momento que esse amor nos faz sofrer, podemos trabalhar para nos libertar dele. Não nascemos para ser escravos de nada nem de ninguém.

A lição de hoje é portanto não confundir paixão com amor, pois as paixões são bem mais frequentes e com a mesma facilidade que chegam, vão embora. Então não vale a pena ficar fantasiando em cima de algo que não tem profundidade, muito menos sofrer por conta disso. O amor correspondido é algo raro, difícil de acontecer e que eu não sei como funciona. Só conheço gostar de alguém convenientemente, porque a pessoa é boa pra você e te faz bem. Duas pessoas que amam uma a outra sem a menos explicação eu não sei dizer como é.

Vai lá tentar entender a vida, vai tentar entender o amor…