Publicado em John Mayer, Sobre o Amor

O que é amar alguém?

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Mais de uma semana sem postar nada no blog e mais de duas semanas sem escrever um texto em prosa que prestasse. Não sei se esse aqui vai ficar prestando pra compensar, mas vou falar um pouco do que tenho sentido.

Nesse tempo que fiquei sem escrever muitas ideias me passaram pela cabeça a respeito da vida, dos nossos sentimentos, dos relacionamentos. Nessa época de fim de ano é inevitável não tentar fazer um balanço de tudo o que fizemos, o que foi bom, o que foi ruim, o que valeu, o que não valeu. E no meio de vários questionamentos eu me perguntei hoje cedo: eu amei alguém esse ano?

Como toda pessoa que se apega facilmente, eu já achei por diversas vezes nesse 2014 que estava apaixonada. Talvez eu estivesse mesmo. Talvez tenha de fato me apaixonado algumas dúzias de vezes esse ano, porque se apaixonar não é difícil e pode acontecer mesmo várias vezes com pessoas românticas e, pasmem, até mais de uma vez simultaneamente.

Porque a gente se apaixona sempre que acha que encontrou uma pessoa parecida com a gente, que nos entende em algum sentido, que gosta das mesmas coisas que nós, que pensa da mesma forma que a gente em algum aspecto e por aí vai. Mas tem diferença entre esse efêmero encantamento, que eu chamo aqui de ‘se apaixonar’ e entre um sentimento forte que deixa você de coração na mão, pronto a entrega-lo pra outra pessoa, que eu chamarei aqui de ‘amar’.

Quando a gente se apaixona é fácil de explicar, você diz “ah, eu gosto dele porque ele é um amor, sempre gentil comigo, me entende, gosta dos mesmos filmes e livros que eu…”. Se apaixonar sempre tem uma lógica. O brabo é que muitas vezes confundimos essa paixão com amor.

Ouvindo “I don’t trust myself” do John Mayer essa manhã, uma frase na música me chamou a atenção:
“Who do you love, me or the thought of me?”

Fiquei com isso na cabeça o dia todo. Realmente, quando encontramos alguém que ‘combina’ com a gente e que parece ter por nós um sentimento recíproco de interesse, começamos a achar que aquela é a pessoa ideal, que deveríamos namorar e que daria tudo certo. Não é assim que funciona (mas não me pergunte por quê).

É isso que o John chama na música de ‘thought of me’. Quando sentimos que somos correspondidos criamos uma série de pensamentos a respeito daquela pessoa pra nos convencermos de que é ela e começamos a imaginar um possível romance. Isso é uma das piores coisas que alguém pode fazer, mas é o que mais fazemos, quero dizer, pensar em começar um relacionamento cheio de expectativas, achando que aquela pessoa é o amor da sua vida só porque também se interessou por você e pelas coisas que têm em comum.

O que eu concluí é que é raríssimo você amar alguém que vai te amar também. Porque o amor não tem lógica.

Você ama aquela pessoa que é totalmente diferente de você em várias coisas, que não gosta de tudo de você gosta, não frequenta os mesmos lugares, não admira os mesmos artistas e chama o seu sentimentalismo de fazer drama. No entanto você ama essa pessoa. Ama sem razão e sem saber por quê.

Eu acredito que a gente pode amar mais de uma pessoa na vida sim. Eu mesma já amei mais de uma vez e em todas essas vezes esse amor não tinha a menor lógica. Amar alguém é algo muito forte, tanto que às vezes achamos que é mais forte do que nós. Mas não é. A partir do momento que esse amor nos faz sofrer, podemos trabalhar para nos libertar dele. Não nascemos para ser escravos de nada nem de ninguém.

A lição de hoje é portanto não confundir paixão com amor, pois as paixões são bem mais frequentes e com a mesma facilidade que chegam, vão embora. Então não vale a pena ficar fantasiando em cima de algo que não tem profundidade, muito menos sofrer por conta disso. O amor correspondido é algo raro, difícil de acontecer e que eu não sei como funciona. Só conheço gostar de alguém convenientemente, porque a pessoa é boa pra você e te faz bem. Duas pessoas que amam uma a outra sem a menos explicação eu não sei dizer como é.

Vai lá tentar entender a vida, vai tentar entender o amor…

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

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