Publicado em John Mayer, Sobre a Vida

It’s just a season thing

autumn-leaves-wallpapers-photos

Se esse mês de janeiro está sendo tranquilo pra você, só praia e picolé como eu tenho visto nas fotos da maioria das pessoas no facebook, eu fico feliz por você, mas não te invejo. Não porque o meu janeiro esteja sendo melhor ainda do que o seu, pelo contrário. Para mim esse tem sido um mês de muitos conflitos, problemas e decisões difíceis a serem tomadas. (Inclusive, no momento estou fazendo um esforço enorme para digitar esse post, já que meu braço direito está enfaixado e estou sentindo bastante dor.)

Diante disso tudo eu deveria sim estar invejando as suas férias de praia e picolé e reclamando insistentemente da minha vida. Já fiz isso, mas segui em frente. Aqui estou eu mais uma vez querendo pensar em coisas bonitas e alegres e escrever o texto que possa ajudar tanto a mim quanto a vocês. Vamos lá?!

Desde outubro de 2013, todas as minhas crises e conflitos têm destino certo: John Mayer. E é tão incrível porque sempre que recorro a ele e começo a ouvir todos os álbuns na ordem e no repeat eu sempre encontro algo novo e que fala comigo de uma forma tão profunda que é como se eu nunca tivesse ouvido aquilo antes (apesar de já ter ouvido 500 mil vezes).

Na crise atual encontrei o que eu precisava novamente em Wheel (quem diria?!). Já ouvi tantas vezes essa música (já tenho até outro post sobre ela, clique aqui) e acho que por me prender tanto naquele final maravilhoso eu até então não tinha dado atenção a outras coisas igualmente incríveis que ele diz ao longo da música, uma delas é o título desse post.

Wheel é uma música que fala de diferentes momentos que são comuns na vida de todo mundo, que fazem parte justamente desse ciclo sem fim (olha que lindo, falando de O Rei Leão e John no mesmo post

Quando eu ouvi Wheel dessa vez, ela passou a ser para mim uma música que fala de encontros e despedidas e que fala também de escolhas que temos que fazer. Escolher entre voar ou não, escolher entre ouvir a cabeça ou o coração, escolher entre ficar ou partir. Nós temos que fazer escolhas, mas a vida não vai parar pra que as façamos. A sua roda vai continuar a girar e a seguir o seu caminho.

Mas o que dessa vez mais me chamou a atenção mesmo mesmo mesmo foram esses versos:

You can’t build a house of leaves
And live like it’s an evergreen
It’s just a season thing
It’s just this thing that seasons do

(Você não pode construir uma casa de folhas e morar nela como se fosse uma sempre-viva, isso é só uma fase/estação, e é isso que as estações fazem)

O John é tão perfeito que às vezes fica até complicado traduzir as ideias geniais dele, mas tentei. O fato é que, quando estamos em uma fase boa nos apegamos a tudo que faz parte daquele momento tão ótimo da nossa vida como se aquilo fosse durar pra sempre. Sabemos que não dura, nada dura pra sempre. E quando vemos as folhas verdes e vivas queremos fazer dali o nosso lar e a nossa alegria, mas a estação das folhas verdes passará. Elas morrerão e em breve estarão secas e caídas ao chão. Mas veja pelo lado bom: isso também é só mais uma estação.

As coisas não estarão verdinhas e bonitas o tempo todo e nem tão pouco estarão sempre obscuras. It’s just a season thing. E cada fase que passamos na nossa vida é importante, cada riso e cada choro. E é passando por isso tudo com a consciência de que são fases necessárias para o nosso crescimento que conseguimos nos tornar mais maduros. Seja bom ou seja ruim, tudo vai passar, a roda vai continuar a se mover.

Como dá vontade de pausar a vida de vez em quando naqueles dias em que tudo sai bem do jeito que a gente quer, sai tudo perfeito! Mas a vida não é uma evergreen (aguardem um texto com esse título explicando isso melhor) e nem poderia ser. Passar pelos altos e baixos da vida, pelas perdas, pelos ganhos, conhecer gente que se torna amiga, conhecer gente que só vem pra tirar, tudo isso faz parte da complicada matemática que resulta, por fim, em quem somos. E que bom por tudo!

Publicado em Filmes e Séries, Sobre a Vida, Sobre Ser Você

O Que Eu Quero Mais é Ser Rei (para relembrar dos seus sonhos de infância)

Simba-3-(The_Lion_King)

Entra ano, sai ano e uma coisa não muda pra mim: O Rei Leão continua sendo o melhor filme da história. Não é a toa que o primeiro artigo desse ano tem a ver com o meu tão querido filme, que inclusive também foi tema do primeiro post que eu fiz aqui há quase 1 ano atrás. Pois bem, agora vamos ao que interessa.

Dia desses lá estava eu ouvindo a trilha sonora de O Rei Leão no meu celular enquanto andava de ônibus por aí. E quando começou a tocar “O que eu quero mais é ser rei” eu fiquei pensando ‘Como é que pode? Quando o Simba era filhote ele era doido pra ser o rei, mas depois de tudo que aconteceu ele acabou aceitando a vida que o Timão e Pumba mostraram pra ele e simplesmente esqueceu do próprio sonho… Como é que pode?’

E então eu comecei a tentar lembrar das coisas que eu queria ser quando eu era criança, dos sonhos que eu tinha, das coisas que eu queria fazer na vida e principalmente da pessoa que eu queria me tornar. Será que está tudo caminhando como eu gostaria? Quando a Nala reaparece na história ela logo se preocupa e fazê-lo lembrar da infância e do seu sonho. É como se o próprio Simba criança voltasse para falar ‘Que história é essa de ficar aí comendo esses insetos e deixar de lado todo o reino que seu pai te deixou?’

E eu fiquei imaginando, se a Thaisinha criança viesse aqui falar comigo, o que será que ela iria me dizer? Acho que começaria com algo do tipo ‘Você está ficando doida???’. Quando eu era criança sempre inventava muita história pras minhas Barbies e por várias vezes comecei a escrever livros com essas histórias, o que é algo que eu ainda trago comigo. Mas fora isso, eu também brincava de ter vários empregos, até porque eu podia fazer de tudo, desde um bolo de terra até apresentar um Talk Show. Hoje em dia o que eu faço com todas as coisas que eu sei? Com certeza eu poderia estar fazendo mais.

Muitas vezes a vida adulta nos leva a uma acomodação como a do Simba em sua nova filosofia de vida Hakuna Matata. Não que ela não seja muito válida, mas a verdade é que viver com menos problemas também significa viver menos. Escolhemos fazer o que nos dá menos trabalho, o que nos cansa menos mas muitas vezes isso também pouco nos satisfaz. Será que não estamos nos subestimando e levando uma vida medíocre, fazendo coisas medíocres?

O que acontece conosco quando estamos nessa situação é aquilo que o Mufasa (em espírito) vem dizer pro Simba: Você se esqueceu de quem você é. Sendo assim, vale lembrar também do que ele fala em seguida e que para mim é uma das frases mais marcantes do filme: Lembre-se de quem você é!

O tempo passa, coisas ruins acontecem, pessoas aparecem pra dizer que você não deve insistir em determinado projeto ou que você não é capaz de alcançar algumas coisas. Nós sentimos medo, nós nos sentimos pressionados, nós paramos, nos reformulamos e esquecemos de quem somos, daquilo que queríamos ser. Esquecemos quem podemos ser, da nossa força, dos nossos talentos, dos nossos sonhos, da nossa capacidade de reerguer das cinzas um mundo destruído.

Quando eu era criança eu queria ter um quarto só pra mim numa casa de dois andares com uma sacada, queria saber falar todos os idiomas e aparecer na televisão. Queria que as pessoas parassem para ouvir minhas histórias e emoldurassem pra pôr na parede os desenhos que eu fazia. Eu queria saber desenhar pessoas e queria gravar uma música. Queria ter um cabelo grande e bonito, queria não ter que ouvir piadinhas por causa dele. Eu queria ser feliz, ter as coisas que eu queria ao meu alcance, queria não me sentir inferior a ninguém em nenhum sentido. Quem eu sou hoje?

Hoje finalmente tenho a independência que eu e toda criança sonha, mas condiciono muitas coisas que pertencem só a mim à opinião dos outros, como a minha auto-estima, por exemplo. Quem nós nossos? Somos uma rotina chata? Somos um emprego maçante? Somos estudar só pelo diploma? Somos o nosso facebook? Somos a descrição do Twitter ou do Instragram? Somos a quantidade de curtidas numa foto? Somos a quantidade de ‘amigos’ e seguidores? Não, nós não somos isso. Não acredite se alguém disser que você é isso. Lembre-se de quem você é. Seja o Rei pelo menos da sua própria vida e, como diz Tiago Iorc, procure a criança dentro do homem adulto.

Lembre-se de quem você é.

Publicado em Poesia

Gravidade

pii

De tanto fingir coragem tornei-me forte
Enfrentei mar bravo em noite de tempestade
Soube vencer a praia vazia e o medo da solidão

De tanto dizer que não doía, curei a ferida
Disse ‘não’ à morte quando ela veio me visitar
(Aonde ninguém vê, sua agulhada ainda machuca)

De tanto chorar só por dentro reguei a alma
Dei meu sorriso pro mundo e pra minha tristeza, casa
(A lágrima que se esconde atrás dos dentes não incomoda)

De tanto ler no escuro aprendi a enxergar além
Vi de perto a verdade que se esconde de dia,
Um mundo avesso que ninguém parece enxergar

De tanto escrever e apagar fiz minha história
De caneta cansada e papel gasto eu nasci
E deles sempre renasço em meio ao temporal que vier.

Thaís Bartolomeu – 2015