Publicado em Poesia

Nietzsche

São estes teus olhos pequenos
E toda a paz que eles me dão
Ou são os seus sorrisos amenos
Que tranquilizam meu coração?

Talvez seja a sua doçura ao falar
De coisas que me fazem sorrir
Ou o jeito carinhoso de me tratar
Ainda quando falo em desistir

Deve ser, então, um pouco de tudo
De Nietzsche às bochechas rosadas
Dos assuntos sérios às risadas

O que faz meu mundo ter mais conteúdo
O que traz pra minha vida cor e alegria
E transforma qualquer dor em poesia

Thaís Bartolomeu – 2015

Publicado em Poesia

Para o amor que ainda não chegou

rain-pictures-city-streets1

Talvez ele não venha num cavalo branco
Talvez esteja vindo de ônibus
Num daqueles que vem parando em cada ponto
Talvez por isso a demora
Talvez por isso o cansaço quando chegar
.
E quando ele chegar
Talvez ainda tenha que andar um pouco a pé
Talvez pegue chuva no caminho
Talvez resolva parar embaixo de um toldo
E esperar que ela passe
.
E enquanto você espera que ele passe
A chuva passa e ele continua
Continua e dessa vez até chegar
E talvez chegue hoje no fim da tarde
Ou amanhã quando menos esperar
.

Publicado em Ficção

As aventuras de uma pessoa sem caneta

centro

Esta história é sobre a horrível situação de precisar urgentemente escrever um poema incrível que um vento encantado te soprou aos ouvidos no meio da rua, e se dar conta que você não tem uma mísera caneta.
O celular está descarregado e você não sabe o que fazer pra aquela ideia não sumir.
Você olha pros lados e se vê cercado por uma multidão indiferente. Ninguém vai parar pra ver se tem uma caneta na bolsa e te emprestar.
Além do mais, você tem medo de falar qualquer coisa com alguém e se embolar com os versos.
Nenhuma papelaria por perto, só empresas e mais empresas, prédios e mais prédios. Agora o que fazer?
Eis que o capitalismo , aquele que tanto valoriza o empreendedor e rebaixa o poeta, coloca diante dos seus olhos o seu símbolo máximo como uma possível solução.
E você entra desesperado pelas portas de vidro de uma agência bancária e corre em direção aos envelopes de depósito, e lá bem ao lado deles, está ela, a sua querida amiga, a caneta!!!
E que se danem todos os office boys e demais pessoas ali dentro do banco esperando pra mandar dinheiro para alguém.
Mentalmente você responde a todas elas: ” o meu poema é mais importante que dinheiro, ainda mais porque fala de amor!”
E depois de pôr em ordem cada palavra, cada verso e cada estrofe você sai da agência triunfante com um grupo de pessoas atrasadas te olhando feio e um envelope vazio em mãos.
Ou melhor, vazios não. Com um lindo poema sobre si.

Publicado em Poesia

E você sorriu pra mim (soneto)

estações

Eu estava aqui no quarto a toa
Tentando rimar romã com travesseiro
Quando lembrei daquela noite boa
E dos nossos doces beijos de janeiro.

Você fazia músicas sobre quem passava
E enquanto eu tentava disfarçar o riso
Entre um acorde e outro você me beijava.
Como eu adoro esses seus improvisos!

E você sorriu pra mim quando eu disse
O quanto gosto de te ouvir tocar.
Como conhecer você e não se apaixonar?

E acho que quem passasse e nos visse
Iria dizer que formamos um belo casal.
Ainda teremos tempo de mudar nosso final?

Thaís Bartolomeu

Publicado em John Mayer, Sobre Música

Viver de música

download

Eu sou uma pessoa de sorte, tenho muitos amigos músicos! E sei que o grande sonho da maioria deles é conseguir viver de música. Um sonho muito lindo e digno, apesar de ser não ser fácil de ser realizado, assim como não é fácil também o meu sonho de viver de literatura. Eu sei que essa expressão se refere a ter a música como profissão e não apenas algo que você faz porque ama mas ainda precisa de um trabalho mais tradicional pra conseguir se sustentar.

Hoje, porém, enquanto eu ouvia Pearl Jam no ônibus, à caminho da casa da minha prima, comecei a reformular esse conceito ‘Viver de música’. Cheguei à conclusão que vive de música todos aqueles que precisam de música pra viver.

Viver de música é não sair de casa sem o fone, é precisar ouvir música aonde quer que você vá. Seja da sua casa ao mercadinho da esquina ou por horas num ônibus até o trabalho.
Viver de música é medir o tempo com ela. Quanto tempo eu levo de casa pra faculdade? O Born and Raised quase inteiro! Quanto tempo da minha casa até o ponto de ônibus? Don’t look back in anger, mais ou menos.
Viver de música é definir o seu estado emocional pela música que você ouve no repeat.
‘ -E aí cara, como você está?’
‘ -Po, tô ouvindo Black no repeat desde acordei…’
(E pra você isso responde tudo!)
Viver de música é achar que ela é a melhor terapia, um ombro amigo em que você sempre se encostar independente do que aconteça.
Viver de música é ter uma música pra cada momento da sua vida, uma playlist mental de músicas pra sair da fossa, pra ficar mais ainda na fossa ou ao menos pra tentar entender porque raios você está na fossa.
(Bem, eu sempre acho que tudo tem a ver com uma fossa)
Viver de música é até mesmo ter algumas crenças comprovadas apenas por você mesmo a respeito dela. Como a crença de achar que você vai conseguir andar mais rápido quando está atrasado se você colocar pra tocar uma música mais rápida.
(Estudos afirmam que Chop Suey é capaz de te fazer andar até 300% mais rápido!)
Isso sem falar daquela crença doida de que uma música FOI TOTALMENTE E SEM DÚVIDA ALGUMA escrita pra você e mais ninguém no mundo. (Como não? Story of man foi escrita pra mim sim, eu hein!)
Viver de música é acreditar que de fato ela te ajuda e muito! Te ajuda a entender melhor o mundo, e porque as coisas são como são e talvez até mesmo porque você é como é!
Viver de música é não conseguir ser indiferente a ela. E quanto a isso cada um reage do seu jeito. Há os que pedem um violão de presente ainda novinhos, ou juntam um dinheiro suado pra comprar na juventude e então aprendem a tocar as suas músicas preferidas e logo estão compondo suas próprias. Há também os que não tem o talento necessário ou a disciplina necessária de horas praticando pra aprender a tocar, mas também compõem. Há os que se descobrem em outros instrumentos e também os que são sempre os que cantam nas rodinhas de amigos e acabam por que tem uma voz incrível! E há ainda os que eu chamo de ‘nerds musicais’ que não cantam, nem tocam, nem compõem mas sabem mais de música do que muita gente por aí! Sabe quem compôs o quê e quando e porquê e estão sempre te mostrando músicas lindas e cantores e banda sensacionais que você nem fazia ideia que existiam!

Viver de música! Que privilégio fascinante! O que seria de mim sem a música? Provavelmente não teria tanta sensibilidade e talvez nunca tivesse me interessado em estudar inglês! Quanta coisa eu já aprendi com música e quantos momentos bons ficaram ainda melhores só por causa da música que estava tocando na hora!

Viver de música é saber que mesmo tendo que fazer qualquer outro tipo de coisa na vida pra ter seu dinheiro, você simplesmente não pode viver sem ela.

E você, também vive de música?

Publicado em Poesia

Hoje não, amanhã talvez

110

E talvez o problema seja
Que nós esperamos demais
Da vida, das pessoas, do futuro
Esperamos demais pra agir, pra mudar

E talvez o problema seja
O daqui a pouco, o mais tarde
Ou o qualquer dia desses
Que às vezes se torna em nunca mais

E assim vamos postergando o hoje
Para um amanhã que não existe
Feito de ilusão e neblina
Sempre esperando demais!

Publicado em Filmes e Séries, Sobre o Amor

A Pequena Sereia, Frozen e O ‘Amor Verdadeiro’

24a93c093a19bc4a9c3112fe9cb634fc

Disney de novo! Siiiim, sempre! A Pequena Sereia, e um que eu amo bastante, Frozen.

Acredito que todo mundo que vai vir ler esse post, se não assistiu aos dois filmes pelo menos sabe do que se trata a história de cada um. Vou começar aqui falando das semelhanças de enredo entre os dois. Em ambos os filmes as protagonistas estão saindo da adolescência, Ariel com 17 anos e Anna com 18 e as duas tinham passado a vida toda loucas pra conhecer o mundo lá fora. Quando elas conseguem finalmente sair do ambiente em que estavam de certa forma presas, se apaixonam pelo primeiro cara que encontram e querem se casar com ele. E acho que as semelhanças acabam aqui.

Eu lembro até hoje da minha reação de susto quando assistindo a estréia de Frozen no cinema, vi a cena, logo no começo do filme, em que a Anna vai pedir o consentimento da irmã para se casar com o Hans e a Elsa simplesmente diz: Você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer. Eu fiquei tipo “Como é que ninguém nunca falou isso pras outras princesas antes???”

img-frozen-03

Porque o que acontece em quase todos os filmes de princesa da Disney é que a protagonista se casa sim com um cara que acabou de conhecer!!! E eu digo ‘quase todos’ por que no meu filme de princesa preferido da Disney eles passam um bom tempo juntos, se conhecendo e lendo juntos, aquela coisa toda…  ai ai A Bela e a Fera)

Mas voltando aqui pra nossa análise, sinceramente não me espanta essa paixão sem noção pelo primeiro cara que te aparece pela frente quando você sai e conhece o mundo, o que foi insistentemente chamado nos filmes de ‘amor verdadeiro’. Primeiro porque quando você tem 17/18 anos você nem sem sempre age com a cabeça e eu sei o que é se sentir presa, sentir que você não pode fazer nada e querer subir no primeiro cavalo branco que vir na sua frente e ir pra um reino bem distante. O que me espanta realmente é todo mundo até então meio que achar normal os desfechos de casamento e felizes para sempre entre pessoas que mal se conhecem nesses filmes.

Eu nem vou comentar dos clássicos Branca de Neve, Cinderela A Bela Adormecida porque são realmente muuuuito antigos, mas A Pequena Sereia é de 1989 e ela não tinha um motivo sequer pra justificar ter se apaixonado pelo Eric. Mesmo assim a pessoa vai lá e faz um pacto com uma bruxa pra tentar ficar com o cara (oi?). E no final o próprio pai transforma a filha em humana pra ela ser livre pra viver ‘o amor verdadeiro’. Enfim. Elsa tem mais juízo que o rei Tritão.

É bom ver que as coisas estão mudando e mesmo se tratando de filmes infantis as mulheres estão tendo a oportunidade de desempenharem papéis menos ingênuos e irreais. O amor é algo que se constrói e acredito que muitas meninas, assim como eu, cresceram com a ideia de que o amor é uma coisa que acontece assim do nada. Que um belo dia você vai encontrar um cara que é tudo que você queria e vocês vão se apaixonar e namorar e se casar e (olha aí de novo) serão felizes para sempre. Mas quanta coisa acontece na nossa vida, quantos caminhos e descaminhos… E quem sabe até se a pessoa que vai ser seu grande amor não vai chegar porque , (quem sabe) ela até chegou e você ainda não se deu conta porque está esperando alguém fora do normal ou porque está insistindo com um cara de definitivamente não quer ser o seu príncipe.

Espero que os temas das próximas animações sobre princesas continuem se adequando às novas demandas como aconteceu com Frozen, e quem sabe daqui há um tempo tenhamos um filme em que o amor verdadeiro quebre o feitiço da friendzone. Ah, friendzone… Isso já vai ter que ser outro post.