A Pequena Sereia, Frozen e O ‘Amor Verdadeiro’

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Disney de novo! Siiiim, sempre! A Pequena Sereia, e um que eu amo bastante, Frozen.

Acredito que todo mundo que vai vir ler esse post, se não assistiu aos dois filmes pelo menos sabe do que se trata a história de cada um. Vou começar aqui falando das semelhanças de enredo entre os dois. Em ambos os filmes as protagonistas estão saindo da adolescência, Ariel com 17 anos e Anna com 18 e as duas tinham passado a vida toda loucas pra conhecer o mundo lá fora. Quando elas conseguem finalmente sair do ambiente em que estavam de certa forma presas, se apaixonam pelo primeiro cara que encontram e querem se casar com ele. E acho que as semelhanças acabam aqui.

Eu lembro até hoje da minha reação de susto quando assistindo a estréia de Frozen no cinema, vi a cena, logo no começo do filme, em que a Anna vai pedir o consentimento da irmã para se casar com o Hans e a Elsa simplesmente diz: Você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer. Eu fiquei tipo “Como é que ninguém nunca falou isso pras outras princesas antes???”

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Porque o que acontece em quase todos os filmes de princesa da Disney é que a protagonista se casa sim com um cara que acabou de conhecer!!! E eu digo ‘quase todos’ por que no meu filme de princesa preferido da Disney eles passam um bom tempo juntos, se conhecendo e lendo juntos, aquela coisa toda…  ai ai A Bela e a Fera)

Mas voltando aqui pra nossa análise, sinceramente não me espanta essa paixão sem noção pelo primeiro cara que te aparece pela frente quando você sai e conhece o mundo, o que foi insistentemente chamado nos filmes de ‘amor verdadeiro’. Primeiro porque quando você tem 17/18 anos você nem sem sempre age com a cabeça e eu sei o que é se sentir presa, sentir que você não pode fazer nada e querer subir no primeiro cavalo branco que vir na sua frente e ir pra um reino bem distante. O que me espanta realmente é todo mundo até então meio que achar normal os desfechos de casamento e felizes para sempre entre pessoas que mal se conhecem nesses filmes.

Eu nem vou comentar dos clássicos Branca de Neve, Cinderela A Bela Adormecida porque são realmente muuuuito antigos, mas A Pequena Sereia é de 1989 e ela não tinha um motivo sequer pra justificar ter se apaixonado pelo Eric. Mesmo assim a pessoa vai lá e faz um pacto com uma bruxa pra tentar ficar com o cara (oi?). E no final o próprio pai transforma a filha em humana pra ela ser livre pra viver ‘o amor verdadeiro’. Enfim. Elsa tem mais juízo que o rei Tritão.

É bom ver que as coisas estão mudando e mesmo se tratando de filmes infantis as mulheres estão tendo a oportunidade de desempenharem papéis menos ingênuos e irreais. O amor é algo que se constrói e acredito que muitas meninas, assim como eu, cresceram com a ideia de que o amor é uma coisa que acontece assim do nada. Que um belo dia você vai encontrar um cara que é tudo que você queria e vocês vão se apaixonar e namorar e se casar e (olha aí de novo) serão felizes para sempre. Mas quanta coisa acontece na nossa vida, quantos caminhos e descaminhos… E quem sabe até se a pessoa que vai ser seu grande amor não vai chegar porque , (quem sabe) ela até chegou e você ainda não se deu conta porque está esperando alguém fora do normal ou porque está insistindo com um cara de definitivamente não quer ser o seu príncipe.

Espero que os temas das próximas animações sobre princesas continuem se adequando às novas demandas como aconteceu com Frozen, e quem sabe daqui há um tempo tenhamos um filme em que o amor verdadeiro quebre o feitiço da friendzone. Ah, friendzone… Isso já vai ter que ser outro post.

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