Publicado em Entrevista, Sobre Música

Entrevista com o músico Eric Maia

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  • Como a música entrou na sua vida?

Meus pais sempre foram pessoas muito envolvidas com a música. Meu pai é músico profissional há muitos anos, ele teve várias bandas e minha mãe o acompanhava, sendo cantora do grupo.  Nós tínhamos centenas de discos de vinil na sala, sempre acessíveis e desde cedo fui me familiarizando com clássicos da MPB e da música internacional. Além disso, sempre tinha um violão no sofá de casa, o que acabou despertando meu interesse.

  • Quais foram as suas primeiras experiências com a música?

Quando eu era muito pequeno, talvez com 4, 5 anos em diante, meu pai me levava com ele pra shows em barzinhos e clubes. Eu cantava algumas músicas infantis da época, no final, ele me dava um dinheiro e dizia que música era trabalho. Quando eu tinha 6 anos, meu pai começou a me ensinar letras de músicas mais famosas até um dia que com uns 7, 8 anos, ele me ensinou a cantar “La barca” e aquilo era muito legal e inusitado. Até hoje pessoas comentam que era muito legal ver uma criança cantando uma música em espanhol. (risos) Nessa época, eu comecei a me interessar por violão, eu observava meu pai tocar e imitava os acordes. Acebei aprendendo. E nessa época eu comecei a estudar bateria, só que quando eu era criança, ter uma bateria, além de barulhento, era extremamente caro. (risos) Então eu acabei me dedicando ao violão e ganhei minha primeira guitarra aos 12 anos.

  • Quando e de que forma você descobriu que gostaria de ser músico?

Desde criança eu queria montar uma banda. Aos 11 anos montei minha primeira bandinha. Nós a chamávamos de “The Mentes”, isso em 1995. Eu era o baterista. Depois, aos 14, tentei montar outras bandas, mas em Itaboraí-RJ, lugar em que nasci e passei a maior parte da vida, nessa época a garotada não ligava pra música. Era muito difícil, frustrante e decepcionante viver num lugar onde ninguém da minha idade compartilhava o interesse pela música. Até que em 1999 eu conheci o Felipe Nunes. Ele veio de Angra dos Reis-RJ estudar no mesmo colégio que eu. Ele é baixista. Nesse ano, fundamos a banda que temos até hoje, a Barbie Suburbana.

  • Comente um pouco da sua rotina como músico.

Minha rotina atual de músico é bem agitada. São muitas noites sem dormir, fins de semana sem vida social. Toco em bares, clubes, boates, festas de aniversário, casamentos, etc. Basicamente de quinta a domingo, nos municípios de Niterói, Rio de Janeiro, Itaboraí, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Tanguá, Maricá, etc.

  • Quais são as suas maiores influências na música? Há algum músico em especial que te inspire?

Eu sou muito fã de Beatles. Estou sempre ouvindo. Quanto aos estilos, sou muito eclético. Gosto muito de rock, é meu gênero predileto. O reggae também tá quase ali empatado. Escuto muito Blues como Stevie Ray Vaughan e muita MPB. Os artistas que eu mais me espelho são Eric Clapton, Paul McCartney, John Mayer e Jimi Hendrix.

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  • Comente um pouco sobre os projetos em que já esteve envolvido e quais são seus projetos atuais.

Eu gravei dois discos independentes com a Barbie Suburbana. Um em 2004, chamado “Pare, olhe e escute” e outro em  2009, chamado “Barbie Suburbana”. Os dois estão disponíveis para download gratuito no nosso site: www.barbiesuburbana.com além de estarem disponíveis para ouvir no Youtube.

Atualmente, estou trabalhando num disco solo de músicas autorais e em outro com versões cover de sucessos da música internacional. Devem ficar prontos no final de 2015.

Além disso, tenho tocado na noite da região metropolitana do Rio de Janeiro. Sempre na estrada!

  • Qual é o seu maior sonho como músico?

Ao contrário de muita gente, eu nunca pensei na fama e no sucesso como um fim. Meu objetivo é tocar, é fazer meu som, é continuar fazendo o que eu mais amo na vida. Vejo o sucesso como algo secundário, um meio melhor a se alcançar para conseguir manter o sonho vivo. Meu maior sonho é conseguir divulgar minha arte, compartilhar meu trabalho com pessoas que se identifiquem com a mensagem que eu quero passar, viver disso, cada vez mais e com mais qualidade, tocar muito nessa estrada, encher esse mundo de poesia e música.

  • O que você considera a maior dificuldade para alcança-lo e por quê?

A maior dificuldade é a mesma em qualquer ramo: dificuldade de investimento. A música é um ramo como qualquer outro. Para conseguir divulgar nossa arte é necessário investimento. Conseguir gravar bons materiais, em estúdios de qualidade é um processo muito caro. Instrumentos musicais de ponta também são muito caros, é necessário abrir mão de muitas coisas pra poder ter uma guitarra de primeira linha e equipamentos bons. Outro problema é que no Brasil não há espaço para estilos que não estão na “moda”. Ou você faz o que todo mundo faz, ainda que seja mal feito, ou feito como um produto vagabundo de linha de produção só pra vender o máximo possível, ou então você está fadado ao desconhecimento. Isso é muito duro. E aí, um belo dia, você consegue uma certa projeção, aparecem muitas pessoas criticando seu trabalho apenas por criticar, sem conhecer um décimo da sua história. É um ramo injusto e a aceitação das pessoas é muitas vezes cruel.

  • Comente um pouco sobre suas composições e demais textos que você escreve. Como é isso pra você?

Eu sinto uma inquietação. Sinto necessidade de dividir minhas angústias com as pessoas. Saber se elas também sentem o que sinto em relação ao mundo e às coisas. Sou fascinado pelo debate de ideias, pela humanidade do diálogo, pela rejeição às ideias de senso comum. Gosto de escrever sobre um lado crítico, inquieto e inconformado a respeito da vida e do mundo e vivo na busca por interlocutores que estejam na mesma vibração que a minha. Eu só lamento não ter meios de alcançar mais pessoas.

  • O que é a música pra você?

A música é um instrumento da alma. É uma expressão quase que espiritual do que se pensa. É uma forma perfeita de materializar toda a sensibilidade humana em sons e versos. Eu nunca conseguiria viver sem música. Escuto música o tempo todo, em tudo, em qualquer lugar, esteja eu fazendo qualquer coisa. É a melhor parte da minha vida.

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

3 comentários em “Entrevista com o músico Eric Maia

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