Gostar de chuva (Rain will make the flowers grow)

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Eu sou uma das poucas pessoas, dentre aquelas com as quais convivo, que gosta de chuva. O que mais ouço é gente reclamar dela. A chuva acaba com os planos.

Se começa a chover, nada de passeio, nada de show, nada de luau, nada de piquenique, nada de nada que seja ao ar livre. Será então que gostar de chuva é coisa de gente que gosta de ficar em casa?

Uma professora já me disse que gostar de chuva é característica de pessoas melancólicas. Pode ser. Se for isso mesmo até que faz sentido.

Mas seja lá o que for, a chuva tem para mim só significados positivos. E o que mais tenho pensado ultimamente é no da renovação.

Penso em chuva e penso no final de O rei leão, penso na questão do ciclo da vida e que a chuva também faz parte disso. Não só porque ela participa de um ciclo mais específico, o da água, mas porque para que haja florescimento, é necessário que haja chuva.

Rain will make the flowers grow! Esse é o trecho da música A little fall of rain, uma das minha preferidas do musical Os miseráveis e essa frase traduz muito bem a esperança que eu sinto toda vez que chove.

Não sei dizer quando comecei a gostar da chuva, do cheiro da terra, do barulho, do clima mais ameno… E também não sei quando comecei a pensar em significados para ela. Mas desde criança até hoje eu gosto de olha-la da minha janela e pensar que a vida pode ser totalmente nova quando a chuva passar.

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Memória

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A memória muitas vezes engana
Dando tinta nova ao que passou.
Pinta de azul o que era cinza
E faz ter saudade do que machucou.

Ela enfeita o cativeiro com flores,
Coloca adornos em todo o lugar.
E nós, com a vista iludida,
Sentimos vontade de voltar pra lá.

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Thaís Bartolomeu – 2015

Vinícius

Rafael e Pamela

Você chegou quando eu já não estava esperando mais nada. Quando eu estava contente com a nova rotina que eu havia inventado de ir pra praia todo domingo no fim da tarde para ler algum livro de poesia. Desde que comecei com isso li várias antologias enquanto o sol se punha bem na frente. E então você chegou. Em uma daquelas tardes você também surgiu bem na minha frente quando eu estava lendo os sonetos do Vinícius. Você apareceu e declamou um trecho do Soneto de Fidelidade pra eu tirar os olhos do livro e olhar pra você, todo charmoso dizendo “de tudo ao meu amor serei atento” pra uma perfeita desconhecida. Mais clichê impossível! Que bom pra nós que há certos clichês que me fascinam! E assim foi.
Você sentou do meu lado e começamos a falar dos nossos poetas preferidos e dos poemas que mais nos tocam. E anoiteceu. Pôs-se o sol sobre o dia mais bonito de abril. E desde lá, alguns domingos se passaram e em todos eles nós nos despedimos juntos do astro-rei. E com o tempo os seus olhos acolhedores foram se tornando irresistíveis, assim como as suas mãos que tentavam me ajudar a “segurar no lápis como todo mundo”. Ainda bem que você também não resistiu à sabe-se lá o quê que te chamou a atenção em mim. Quando eu não esperava mais nada, você chegou pra me mostrar que eu já não precisaria mesmo esperar mais. Porque você chegou.

Top 5 – Filmes que marcaram minha infância

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Já é uma tradição eu compartilhar aqui no blog algumas das minhas impressões sobre filmes que eu gosto e que são importantes na minha vida de alguma forma. E realmente eu AMO cinema! Há muitos e muitos filmes que acho incríveis e tudo mais, mas resolvi pela primeira vez organizar essa listinha com 5 dos filmes que assisti quando era criança e que marcaram muito a minha infância, contribuindo muito para quem eu sou hoje.

1 – Edward, mãos de Tesoura 

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Só pra ir na contramão, vou começar minha listinha com um filme que não é infantil! rsrs

Eu me lembro de assistir Edward, mãos de tesoura várias e várias vezes na Sessão da Tarde e acho que foi o primeiro filme que chorei assistindo. (Segundo minha mãe não eram poucas às vezes que ela me surpreendia chorando assistindo algum filme na TV quando criança.)

Lembro do quanto eu achava tudo muito injusto! O criador dele morrer justo quando ia lhe dar as mãos e o Edward sempre sendo prejudicado pelos outros sendo inocente! Que peninha que eu sentia dele! Ficava achando que ele merecia ser feliz e ter o direito de conviver com as pessoas e poder estar perto da garota que amava… Mas… Não.

Acho que ali de certa forma eu comecei a pensar que nem tudo na vida iria acontecer da maneira que a gente achasse certa ou justa e que muita gente simplesmente nunca iria compreender a nossa peculiaridade ou até mesmo estranheza. E acima de qualquer coisa sempre admirei o Edward por ele ser um artista. Com certeza esse era o lado mais humano dele e essa sensibilidade ele manteve o tempo todo.

2 – Matilda

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E ainda sobre isso de ser “a pessoa diferente” temos Matilda, que é até hoje muita minha ídola! Por que será?! 😀

Como não amar a menina que vivia em uma família que não tinha nada a ver com ela mas acabou encontrando conforto e companhia nos livros?! E fora que eu achava tão legal os superpoderes dela de conseguir controlar as coisas! Metaforizando um pouco, eu acho que isso tem a ver com o poder que passamos a ter sobre o mundo a partir da leitura. Pelo menos é assim que eu entendo.

3 – Harriet, a espiã

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Nooooosssa, como eu amo esse filme! Esse é um filme que de fato me marcou demais! Isso porque foi depois de assisti-lo que eu decidi começar a anotar tudo que acontecia na minha vida, assim como a Harriet fazia. E isso com certeza mudou minha vida. Foi ali com uns 12 anos que resolvi começar a escrever sistematicamente e passei a me encontrar na escrita.

Acho que esse filme não é muito conhecido, então vai aqui uma breve sinopse! Ele trata dos conflitos de uma pré-adolescente que queria ser jornalista e fazia investigações na sua vizinhança e também anotações sobre as pessoas com quem convivia. Quando seu caderno vai parar nas mãos daquelas típicas ‘meninas malvadas’ da escola, todo mundo acaba sabendo das observações que ela fazia das pessoas, nem sempre coisas agradáveis. E então durante o filme, excluída por todos, sofrendo bullying e não sendo compreendida pelos pais, Harriet tem que achar um jeito de consertar as coisas. (Eu acho que não sou muito boa com sinopses em geral, mas vale muito a pena assistir!)

4 – Titanic

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“Oi? Como assim?” Sim, pessoas! Titanic marcou minha infância! rsrs Minha prima mais velha tinha as duas fitas de vídeo (eu me entregando) do filme e a gente assistia praticamente todo dia assim que ela comprou. (E sempre adiantavam aquela parte dele no carro quando eu estava junto, afinal eu tinha só 7/8 anos.)

Até hoje Titanic é um dos meus filmes preferidos, que eu assisto toda vez que está passando em algum canal e me sinto incapaz de assistir sem comentar porque eu o acho perfeito demais!!! Muito bem feito, todos os detalhes, tudo incrível!!! Se eu pudesse eu daria mais Oscars pra Titanic porque realmente é merecido! Mas enfim…

Considero que Titanic tenha marcado minha infância também porque eu assisti muitas vezes ao longo dela e porque sempre pensava várias coisas. Tipo que foi azar pro Jack ter ganhado a passagem porque acabou morrendo… Mas, por outro lado, sem ele a Rose teria se matado. E também sempre pensei no quanto às vezes pessoas que acabamos de conhecer fazem por nós coisas incríveis que outras que nos conhecem há anos jamais fariam. Porque o Jack fez questão de ficar com ela até o final. ❤

E quanto ao problema se eu cabia ou não cabia lá no pedaço de madeira eu prefiro me abster mais uma vez. rsrs

5 – O Rei Leão

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Ah! Por essa ninguém esperava! hahaha

Acho que todo mundo já sabe que O Rei Leão é o meu filme preferido. Não é o desenho preferido, não é o ‘da Disney’ preferido. É de fato o meu filme preferido entre todos os filmes já feitos na história da humanidade! \o/

Os motivos para eu amar O Rei Leão são tantos que daria mais vários posts pra falar a respeito. Mas pra mim esse filme é o que mais me ensinou (e ainda ensina) coisas até hoje. Se um dia eu realmente fizer uma tatuagem ela será da frase “Lembre-se de quem você é”. Que é um dos meus maiores desafios na vida, me lembrar de quem eu sou e não abandonar os meus sonhos, por mais que sempre tenha gente ruim pra nos convencer que isso é o melhor a fazer.

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Bem, esse foi o meu Top 5 dos filmes que marcaram a minha infância e eu curti demais fazer isso. Eu acho que deveria ser uma criança meio estranha! hahaha Foi engraçado perceber que em todos esses filmes tem alguém que se sente ou é literalmente excluído e que há essas lições sobre a vida não parecer mesmo justa às vezes… Mas o bom é que todos eles me motivaram, me fizeram pensar um pouco sobre como as coisas funcionam e sobre tentar encontrar um sentido pra tudo isso.

Literalmente eu cresci com esses filmes. ^_^

Entrevista com o ator e diretor Leandro Veneziani

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  • Quando surgiu em você o desejo de ser artista?

Interessantíssima essa pergunta, por que eu realmente não sei a resposta. Parece clichê mas acho que muita gente já nasce com essa vontade, e eu certamente fui uma delas. Digo isso porque nunca me passou pela cabeça fazer outra coisa, claro que a influência da minha irmã (que é atriz) é grande, mas sempre tive essa vontade.

  • Fale um pouco das suas primeiras experiências artísticas. 

Como disse anteriormente minha irmã (5 anos mais velha), é atriz, logo o mundo das artes sempre refletiu em mim. Eu tenho muita muita história, além do que tenho uma memória descomunalmente boa (infelzimente hahaa sim, isso atrapalha). Mas se tivesse que citar apenas uma falaria com certeza da vez que tinha 3 ou 4 anos e parei de falar repentinamente. Os diretores da escolinha chamaram minha mãe, foi um alarde só. Fui em dois psicólogos diferentes e após quase uma semana soltei a seguinte frase “ai mãe, como vocês são burros. Eu sou o dunga! O dunga não fala!”.

  • Quando você começou a levar mais esse desejo mais a sério?

Quando eu tinha 11/12 comecei a ver minha irmã indo realmente pra frente com a carreira, a partir daí percebi que isso era algo possível mesmo. Mas se levar a sério as vezes não é o bastante, afinal eu faço tudo com apoio dos meus pais, e eles só viram essa vontade/habilidade em mim quando eu criei minha primeira websérie (“As Joseenses”) quando estava ainda no terceiro ano e os vídeos bombaram, rendendo até uma entrevista pra Globo da região.

  • Existe algum acontecimento que marque pra você o início da sua carreira de ator?

Eu na verdade me vejo muito mais como um diretor/roteirista/criador do que ator. Mas eu amo e tenho vontade sim de ser ator. Eu acho que a primeira vez que eu me senti ator mesmo foi no primeiro teste de microfone do Mamma Mia, não sei porque mas aquilo marcou muito pra mim. Foi como se pela primeira vez eu botasse meu “uniforme de ator”.

  • Qual você considera o momento mais legal que você já viveu na sua carreira até hoje?

Nossa, essa é complicada hahahaha Fico em dúvida entre o agradecimento final do Mamma Mia e as primeiras vezes que fui reconhecido na rua pelo NOVA. Realmente não sei dizer hahaha.

  • O que te fez decidir ir estudar em Nova York? Como foi essa decisão pra você?

Vim pra cá pela primeira vez com 16 anos, acompanhado dos meus pais. E foi amor a primeira vista hahahaha bati o olho e pensei “eu quero estudar aqui e pronto cabô” hahaha desde então botei isso na cabeça e comecei a correr (muito) atrás.

  • Quais são os artistas (atores, cantores, cineastas etc) que mais te influenciam e/ou inspiram e por quê?

Nossa, desculpa. Essa eu vou passar, já tentei responder mas eu tenho dois problemas grandes : falar muito e ter muita criatividade/viajar. Se eu começar eu termino daqui 3 dias. 

Mas se for pra citar (assim por cima) eu diria : Tarantino, Almodóvar, Fellini, Wagner Moura, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Fábio Porchat, Brad Pitt, Daniel Day Lewis, chega se não não paro. 

  • Como surgiu a ideia de criar a sua web série? Está tendo o retorno que você esperava?

Desde que cheguei me deu aquela vontade de fazer alguma coisa, algum vídeo, alguma produção, sei lá. Mas dessa vez quis fazer com calma, parei e pensei muito, demorei quase um ano pra terminar o projeto. E com o tempo (até mesmo depois de começar) fui moldando ele do jeito que eu queria. 

Nunca esperei esse retorno, não mesmo. Até hoje não acredito. Quando comecei a ideia era fazer no máximo 5 vídeos, e agora já estou chegando no 50º, é realmente surpreendente pra mim, até hoje.

  • Quais são os seus projetos atualmente?

Olha, exclusividade pro blog Hahahahaha o NOVA vai acabar (ou ficar um boooooooom tempo fora do ar) porém eu não vou parar hahaha agora o que vem em seguida ainda é segredo.

  • Qual é o seu maior sonho como artista?

Ser reconhecido, ser respeitado e viver fazendo o que eu amo, a arte. Transformar todo esse amor em reconhecimento e não deixar nunca essa chama de “sonho” se apagar.

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Para conhecer um pouco mais sobre o trabalho do Leandro, visite https://www.youtube.com/user/LeandroVeneziani

Brevidade

brevidade

.Se a gente for pensar
.
.Que nada dura e tudo passa,
.
.Que o segundo que acabou já não volta
.
.E que os segundos não param de passar
.
.E tudo o que passou não volta,
.
.Acho que a gente iria enlouquecer de vez!
.
.
..E enquanto a gente pensasse
..Em todos os segundos perdidos
..Mais e mais segundos estariam se perdendo
..E toda a vida seria tempo a se perder.
.
.
.Mas e se a gente resolver viver cada momento
.
.Fazendo de conta de que tudo é eterno?
.
.Pois ainda que do eterno não se tenha certeza,
.
.É certo que existe o infinito
.
.E o infinito cabe
.
.Na brevidade da vida.

.
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Thaís Bartolomeu – 2015

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