Publicado em Entrevista

Entrevista com o músico Castello Branco

  • Quando e como surgiu em você o desejo de ser artista, de se expressar através da arte?

É natural, minha natureza, o que veio da minha mãe (natureza) e meu pai (universo). Nunca vi como um desejo, pelo contrário, às vezes desejo não fazer mas me espanca e queima tão forte que só posso ser conivente com isso.

  • Como foi a transição entre a sua carreira na R Sigma para a sua carreira solo?

Passei por uma fase de não aceitar o fim da banda, triste, enxergava pouco. Depois de um tempo fui entendendo o que é que o universo estava me comunicando e comecei a aceitar tudo que veio.

  • No texto que você postou no seu site, você fala do quanto a palavra serviço estava presente na sua infância no monastério. O que essa palavra representa pra você no atual momento da sua vida?

Ser empático com os que me cercam. Receber de maneira flexível e amorosa o outro, estar sempre pronto pra acrescentar sem nada em troca.

  • Como foi pra você o processo de preparação desse CD (desde compor até a gravação)?

Doloroso mas (como tudo que é doloroso, no fim) gratificante.

  • Dentre todas as músicas de “Serviço”, tem alguma que tenha um significado mais especial pra você e por quê?

Todas tem sua importância, mas talvez “Anu” seja a mais importante, a primeira, a que eu toco desde criança e a que eu tenho mais liberdade. Gosto de modifica-la sempre, quero que ela tenha milhões de vôos.

  • Em algumas faixas do seu CD, como “Anu” mesmo existe a presença da natureza por meio do canto de pássaros. Que papel a natureza desempenha nas suas composições?

Antes delas, em mim. A natureza é a mãe. Gostaria que existisse uma outra palavra pra ela, que eu pudesse separar a “consciência natureza” da palavra geral “natureza”. Usamos “deus” mas “deus” ainda é outra coisa.

  • O que você achou da recepção desse seu primeiro CD solo e independente pelo público e pela crítica? Foi como você esperava? Teve muitas surpresas?

Não esperamos mais do que ele, nem menos. Foi um divisor de águas para todos os que fizeram parte do processo profundamente. Me surpreendi um pouco como ser-humano, mas sabíamos que de alguma forma, como ele mexeu com a gente, mexeria com os demais que estivessem abertos de verdade a receber.

  • O que você considera como a maior dificuldade para a carreira de um artista independente no Brasil atualmente e por quê?

Ele próprio. Pouco discernimento.

  • Quais são os seus projetos no momento?

Tenho um livro pronto e ando compondo algumas músicas também. Estou me preparando para o novo ciclo. 29 anos e um novo momento.

  • Bem, pra finalizar. A minha música preferida de “Serviço” é “Crer-sendo”. Ela foi a primeira música sua que eu ouvi e até hoje é a que mais traz lições. O que significa na sua vida crescer crendo e sendo?

Fé ativa.

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castello lindo

Para conhecer mais do trabalho do Castello, acesse http://www.castellobranco.nu

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

2 comentários em “Entrevista com o músico Castello Branco

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