Rodrigo

De todas as superfícies incomuns que já usei pra escrever um poema, as tuas costas sempre vão ter a minha preferência.

Já foram muitos guardanapos, papeizinhos que as pessoas distribuem na rua, envelopes de banco, notinhas do cartão e até dinheiro. Mas o que poderia ter mais valor do que esse infinito branquinho, salpicado com pintinhas por toda parte?

“Você parece um sorvete de flocos!” – eu te disse quando te vi sem camisa pela primeira vez. Naquela ocasião foi devido ao calor pós-show, mas na vez seguinte o que te fez tirá-la foi o calor pré-sexo.

Mas depois, como dormir com o coração palpitando tantas palavras diante de um espaço em branco tão lindo assim me chamando?!

“Quero escrever um poema pra você… em você… Posso?”

“A partir de hoje sou teu caderno, pequena.”

.

.

Amor em meio ao medo
falha.
Amor, se é meio a meio,
fica.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑