Publicado em Curtas de amor

Rodrigo

De todas as superfícies incomuns que já usei pra escrever um poema, as tuas costas sempre vão ter a minha preferência.

Já foram muitos guardanapos, papeizinhos que as pessoas distribuem na rua, envelopes de banco, notinhas do cartão e até dinheiro. Mas o que poderia ter mais valor do que esse infinito branquinho, salpicado com pintinhas por toda parte?

“Você parece um sorvete de flocos!” – eu te disse quando te vi sem camisa pela primeira vez. Naquela ocasião foi devido ao calor pós-show, mas na vez seguinte o que te fez tirá-la foi o calor pré-sexo.

Mas depois, como dormir com o coração palpitando tantas palavras diante de um espaço em branco tão lindo assim me chamando?!

“Quero escrever um poema pra você… em você… Posso?”

“A partir de hoje sou teu caderno, pequena.”

.

.

Amor em meio ao medo
falha.
Amor, se é meio a meio,
fica.

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

2 comentários em “Rodrigo

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