Publicado em Entrevista

Conheça a nossa banda – Jaya

  1. Como e quando vocês se conheceram?

Marcelo Nobre: Eu e o guitarrista, Marcelo Secron, nos conhecemos na UERJ, quando estudamos lá. Eu fazia Jornalismo, e ele, Engenharia. Eu tinha uma banda, chamada Supernova, e o convidei para tocar. Gravamos um álbum, fomos muito elogiados pela crítica, fizemos vários shows, mas rolou um desgaste interno com os outros integrantes. Então, depois que o grupo acabou, no início de 2007, eu decidi que não queria mais saber de música. Não ouvia rádio e nem os CDs dos Beatles, do Oasis, do Kula Shaker, do Verve e de várias outras bandas que eu admirava. Secron sempre me telefonava para a gente montar outro grupo, mas eu realmente não estava a fim. Tinha certeza de que o melhor a fazer era “matar” o artista que havia dentro de mim. Isso durou até fevereiro de 2010, quando eu finalmente topei fazer um ensaio depois que ele se esforçou muito para arrumar um baterista e uma baixista.

 

  1. Como surgiu a banda?

Marcelo Nobre: No dia 27 de fevereiro de 2010 aconteceu o primeiro ensaio. A banda nem tinha nome. O baterista, Leandro, apareceu, mas a baixista “furou”. Quando o Juhnior – que chegou a trabalhar como roadie do Supernova – entrou no estúdio para ajustar os microfones para a gente ensaiar, eu o chamei, de brincadeira, para tocar baixo com a gente no ensaio. Só que ele levou a sério, pegou um baixo em se jamais ter tocado o instrumento antes, começou a ensaiar com a gente! Então, rolou a tal da “química” entre nós quatro e a banda nasceu. Demorou até que eu me animasse a estar em uma banda de novo. Eu ia para cada ensaio decidido a dizer que seria o último, mas quando as músicas eram tocadas, algo especial acontecia e eu desistia de sair fora. Depois de um tempo, não conseguia mais me ver sem o rock na minha vida. Em agosto de 2010 aconteceu a única mudança na banda. O baterista, Leandro, resolveu deixar o grupo para dar prioridade a outras coisas, mas colocou um outro em seu lugar: Gabriel Lana, que continua até hoje. Como o Gabriel nasceu em Londres, brincamos sempre, dizendo que o Jaya soa como uma banda inglesa porque ele é de lá! Em dezembro de 2010, nós quatro estávamos atrás de um nome para o grupo. Então, eu apareci com a ideia de colocar “Jaya”, uma palavra em sânscrito, antiga língua falada na Índia, que significa “vitória”. Seria a “vitória do rock, da persistência”. Todos gostaram e o nome ficou.

 

  1. Como funciona a composição das músicas?

Marcelo Nobre: Eu sou o compositor no Jaya. Das 16 músicas próprias que tocamos hoje, fiz 14, e duas são parcerias minhas com o Secron. Como eu sou um grande fã do rock britânico, as canções carregam influências de Beatles, Who, Hollies, Oasis e Kula Shaker. Mas como o som feito no Reino Unido é mais conhecido pelas belas melodias do que pela energia, acrescentamos uma boa dose de Nirvana para equilibrar isso. Então, é possível dizer que o Jaya criou um estilo próprio dentro do rock. Uma espécie de “Britgrunge”. Quando alguém escuta nossas músicas, percebe todas as influências, mas é incapaz de dizer: “Parece a banda X ou Y”. Todos destacam isso. Nada soa como o Jaya. Eu faço as músicas e as letras, em português – ainda que tenha feito duas em inglês –, mas é no estúdio que rola a “química” que dá às canções o “estilo Jaya”. Todos têm liberdade para criar em cima da ideia original que é levada para o estúdio.

 

  1. Qual foi a primeira música autoral de vocês? Contem um pouco sobre a história dela.

Marcelo Nobre: Não houve uma “primeira música” quando o Jaya começou a ensaiar. Quando a gente se reuniu, logo passamos a trabalhar em quatro músicas minhas: “Será Que Só Você Não Vê?”, “P’ra Lugar Nenhum”, “O Que Você Me Diz” e “Quase-amor”. Não é à toa que elas são as faixas do EP que gravamos. Mas a que mais se destacou foi “Será Que Só Você Não Vê?”, que chegou a tocar na Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e na 89 FM, de São Paulo, entre várias outras rádios independentes espalhadas pelo Brasil. Ela é o exemplo perfeito do “estilo Jaya” de som. Muita gente curte essa música, e uma grande amiga nossa, a Camila, fez uma tatuagem enorme com parte da letra do refrão: “Toda dor vem do amor de quem não teme viver”. É sobre se entregar sem reservas à vida e experimentar tudo, até mesmo a dor. Uma homenagem incrível! O mínimo que podemos fazer é dedicarmos “Será Que Só Você Não Vê?” eternamente para ela!

 

5- O que vocês consideram a maior dificuldade para uma banda que está começando?

Marcelo Nobre: São várias dificuldades, mas acho que 80% delas deixam de existir quando todos decidem estabelecer um objetivo e seguir juntos em busca dele. O lance é pensar em degraus. Subir cada um deles é uma vitória. Primeiro, montar a banda. Depois, ensaiar. Em seguida, uma gravação. A seguir, shows. Há muito mais depois disso, e é importante ter os degraus que vão levar ao objetivo maior. Uma banda é um casamento entre três, quatro ou cinco pessoas. Mas sem sexo! Bem, às vezes, nem nos casamentos há sexo… Então, tem que haver comprometimento. Se alguém estiver fazendo corpo mole ou criando problemas, o melhor a fazer é tirar a pessoa e colocar outra no lugar, senão o clima vai ficando cada vez pior, até se tornar insuportável. O motivo maior de uma banda existir deve ser a diversão. Se não for divertido, não faz sentido.

 

  1. Vocês se lembram quando foi o primeiro show de vocês?

Marcelo Nobre: Foi no dia 5 de setembro de 2013, no Audio Rebel, em Botafogo, no Rio. O Jaya tocou com uma banda chamada Ginger House. Tocamos bem e foi muito legal! Houve uma ansiedade natural. Sempre há, mas ela some logo nos primeiros acordes. Obviamente, hoje, uns 40 shows depois, estamos tocando bem mais à vontade, mas foi bacana a estreia.

 

  1. Qual foi o pior e o melhor momento da banda até agora?

Marcelo Nobre: O pior foi quando o Secron disse que teria de passar quatro meses na Holanda, entre abril e agosto de 2014, a trabalho. Ficamos meio perdidos na hora, imaginando o tédio que seria esse tempo todo sem atividade, mas depois resolvemos colocar um amigo nosso, o Rodrigo, no lugar dele durante esse período. E acabou sendo legal! Não sei quanto aos outros jayas, mas o melhor, pra mim, foi ouvir nossas músicas nas rádios! Foi muito especial ouvir “Será Que Só Você Não Vê?” tocando na Rádio Cidade e na 89 FM, as maiores rádios de rock do Brasil, e “Nowhere”, versão em inglês de “P’ra Lugar Nenhum”, sendo tocada em uma rádio no Reino Unido, a Black Diamond FM. Valeu todo o esforço que fizemos pra gravarmos essas músicas.

 

  1. Quais são os projetos atuais de vocês?

Marcelo Nobre: Estamos produzindo um single, “E Amanhã Talvez”, com o Felipe Rodarte, a mente agitadora do movimento #acenavive. Vamos gravar na Toca do Bandido em julho, e a faixa vai ser mixada e masterizada em Londres por Tomás Magno, que trabalhou com o mítico Tom Capone, um dos maiores produtores de rock que o Brasil já teve e que ganhou nada menos que quatro Grammys. Se tudo correr bem, ela deverá ser lançada em agosto. Além disso, deveremos lançar uma outra faixa no iTunes em agosto ou setembro.

 

  1. Qual é o maior sonho de vocês como banda?

Marcelo Nobre: Fazer um álbum que, musicalmente, vá bem mais além do que foi o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Um álbum ousado e arrasador.

 

  1. O que a música representa para vocês?

Marcelo Nobre: Fazer música é muito especial. É transformar o mais absoluto e perturbador silêncio em arte; em som e poesia. Pra mim, é parte da minha alma. Entre 2007 e 2010 eu tentei matar o artista que há dentro de mim, mas não consegui. Ainda bem, porque a música é a forma como quero deixar minha passagem por aqui. E tenho certeza de que não só meus três comparsas de Jaya pensam assim, mas todos que vivem a música.

Site

https://www.jayaoficial.com.br

Facebook

https://www.facebook.com/jayaoficial

SoundCloud

https://soundcloud.com/jayaoficial

“Será Que Só Você Não Vê?”: https://soundcloud.com/jayaoficial/jaya-sera-que-so-voce-nao-ve

“Nowhere”: https://soundcloud.com/jayaoficial/nowhere

Vídeos

“O Que A Vida É”: https://youtu.be/BozGI-aJ0ok

“Por Um Dia A Mais”: https://www.youtube.com/watch?v=UUlhp0zOMvY

“Será Que Só Você Não Vê?”: https://youtu.be/1xw4_jicf1M

“P’ra Lugar Nenhum”: https://youtu.be/glJ2n5FZTFU

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

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