Publicado em Sobre a Vida

Temos nosso próprio tempo

Hoje, por acaso (se é que existe mesmo esse tal de acaso), eu ouvi alguém dizer uma coisa em uma série de TV que me inspirou a voltar a escrever aqui.

Passei o mês de outubro praticamente ausente do blog, postando apenas amostras de poemas que pretendo algum dia reunir em uma antologia chamada “Simplicidades”. Não escrevi nenhum artigo, não fiz nenhum Top 5, não discorri sobre assunto nenhum… e podem ter certeza que isso me fez muita falta.

Pois bem. No episódio da tal série (que eu não acompanho, mas estava vendo “por acaso” hoje) havia um personagem compositor que não conseguia mais compor porque estava com um problema que não sabia como resolver. Daí então uma outra personagem sugeriu o seguinte: Use o que está te impedindo de compor como tema da sua canção. Eu nem esperei pra ver se essa idéia iria dar certo e logo parti pra computador porque achei aquela uma dica simplesmente excelente!!!

Mas antes de começar a escrever de fato, fui pensar no que estava me bloqueando ou me impedindo de escrever, e a resposta foi TEMPO. Falta de tempo, ou falta de saber organizar o tempo ou de saber lidar com o tempo… A palavra que ecoava era a mesma… TEMPO TEMPO TEMPO. Resolvi escrever um pouco sobre isso nesse meu post de retorno ao blog.

Hoje em dia quando eu penso a respeito do tempo, eu imediatamente me lembro de algo que aprendi com minha psicóloga, que existe o tempo de fora e o tempo de dentro. Eu não sei explicar isso tão bem quanto ela, mas em linhas gerais quer dizer que existe um tempo generalizado, que é igual pra todo mundo e um tempo que é só seu.

O tempo de fora tem dias de 24 horas, meses de 28 a 31 dias e anos com 12 desses meses. Isso pode querer dizer muito ou dizer nada. Porque o nosso tempo de dentro pode estar totalmente indiferente a isso. E é por isso que a gente perde a hora, perde prazos, esquece datas, atrasa o pagamento de faturas e por aí vai. O tempo de fora não é automático na gente. E que bom! Sinal de que ainda não nos tornamos andróides! Ainda somos nós que fazemos o nosso próprio tempo.

E é por isso que tem gente que faz mil coisas em um só dia e gente que vive dizendo que não tem tempo pra nada. Pra essas pessoas, mesmo que o dia tivesse 1.000 horas não iria adiantar. Está faltando regular o tempo de dentro.

Por isso também alguns entram na faculdade aos 17 e se formam aos 23 e outros entram, trancam, tentam de novo aos 30 e poucos e só então se formam. Por isso algumas pessoas namoram por 10 anos e só então se casam e outras que se conhecem há poucos meses e também resolvem se casar e nem por isso se decepcionam. Existe receita pronta? Existe um tempo exato e certo pra todo mundo? É claro que não.

Temos nosso próprio tempo. Nosso melhor horário de escrever, nossa melhor idade pra estudar e por aí vai. O tempo se torna um grande parceiro nosso quando entendemos que o tempo de dentro é o único que a gente pode ajustar. Ajustar nós a ele ou ele a nós. Cabe a cada um de nós saber.

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Brevidade

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

2 comentários em “Temos nosso próprio tempo

  1. Essa coisa de fazer tudo no tempo de “fora” não está com nada, e você disse tudo, temos nosso próprio tempo. Essa coisa de querer acelerar a gente, é como se fossemos robô e tivéssemos que seguir a linha horário que todos seguem.
    Genial o texto, e que bom que voltou ☼

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