Publicado em Sobre a Vida, Sobre Ser Você

We never change, do we?

“Início de ano é época de mudanças”, é o que dizem. Hora de mudar de hábitos, de atitude… De mudar tudo não está do jeito que a gente quer. E às vezes até parece que mudar é fácil, que é só parar de fazer as coisas de um jeito e fazer de outro que funcione melhor. Simples? Nunca é.

No ano passado comecei a preencher um livro chamado “Uma pergunta por dia” (isso aliás tem sido uma atividade interessante e pretendo falar sobre a experiência em breve), e dia desses a pergunta foi: “As pessoas podem mudar?” Levei bastante tempo refletindo a respeito e resolvi responder que “Podem amadurecer”.

É possível que com o passar do tempo a gente se torne mais consciente sobre certos assuntos e também que a nossa própria experiência de vida nos faça mudar de ideia sobre muitas coisas, mas o que eu tenho sentido de uns tempos pra cá é que, lá no fundo nós nunca vamos deixar de ser quem sempre fomos.

As decepções podem nos tornar mais frios (ou cautelosos), mas nunca completos insensíveis se nunca fomos assim. Às vezes até parece que as pequenas ou grandes tragédias que ocorrem em nossas vidas nos faz mudar completamente, mas depois de um tempo percebemos que ainda somos os mesmos, apenas mais maduros, mais experientes.

Já tentei mudar várias vezes na vida e pelos mais diversos motivos, por achar que não era aceita ou que eu sempre fazia as piores escolhas. E ao longo da vida a gente muda tanta coisa sem nem querer… A gente muda de tamanho, de corpo, de voz, de vontades, de casa, de escola, de cara… Mas no meu caso, acho que sempre serei a mesma do lado de dentro.

Sempre serei aquela que se sente melhor quando escreve (ainda que fique quase um ano sem escrever sobre o que quer); sempre serei a que acaba perdoando as pessoas pra não carregar tanto peso no coração, mas que ainda tem muita dificuldade de perdoar a si mesma; sempre serei romântica não importa quantas decepções sofra; sempre serei aquela que ama tanto as coisas que já conhece que sempre demora a se render a algo novo; sempre serei aquela que sabe que precisa de um pouquinho de tristeza na vida sim.

E por mais que a gente diga que vai mudar, não é bom tentar lutar contra o que é natural. Não dá pra tentar ser algo que a gente não é. No ano de 2016 achei que não faria diferença ficar sem postar nada aqui, até me dar conta recentemente que escrever aqui no blog já havia se tornado parte de ser quem eu sou.

Sempre vale apena aprimorar, amadurecer, podar-se (para o nosso bom e dos que estão à nossa volta). Mas acima de tudo vale a pena insistirmos na nossa própria singularidade, pois é o que faz com que mais ninguém no mundo se compare a nós.

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Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

8 comentários em “We never change, do we?

  1. Uau, tocou tanto e me identifiquei tanto que acho que a lagriminha ficou no canto do olho! Ótima escrita, sério… Quando escrevemos aquilo que realmente sentimos e passamos “para o papel” o que somos, tudo se torna mais fácil, não é? Até chegar ao outro! E perceber isso também já faz parte dessa mudança que tanto ambicionamos 🙂
    Relativamente ao livro, cá em Portugal existe “O Livro das Mil Respostas”, não sei se será o mesmo, mas o conceito é igual e eu acho que vou comprar…
    Beijos.

    Pseudo Psicologia Barata

  2. Adorei o post. Também acho que é impossível nós mudarmos completamente, mas sempre estamos evoluindo. Acebei me identificando muito com você e tenho certeza que as nossas evoluções acabam nos tornando diferentes de todo mundo. 😀

  3. Oi, Thaís!
    Apaixonei pelo nome do seu blog e, como estou escrevendo aqui as 2h da manhã, você já pode sentir que dormir não é para mim.
    Gostei de suas reflexões. Acredito que o segredo é equilibrar o que somos com o que podemos e queremos ser. A mudança só ocorre quando o atual já não nos supre mais.
    Beijos!
    Gatita&Cia.

  4. Se me identifiquei? Muito. Faço de suas palavras as minhas. Mas acho que o maior dom que nós temos é a nossa personalidade. Cada um tem a sua; cada um tem sua essência. Tudo que nos acontece não é para nossa mudança e sim para nosso amadurecimento e crescimento.

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