Publicado em Sobre o Amor, Sobre Ser Você

Quem é você fora do ‘nós’?

Um dia desses perguntei a uma pessoa que estava reclamando do namoro (que realmente vai mal das pernas): o que você faria da sua vida se seu namorado terminasse com você agora? Ela me disse “Ah, eu iria ao cabeleireiro mudar um pouco o  visual, iria marcar um cinema com minhas amigas que já não vejo faz algum tempo, iria retomar alguns projetos que estão largados há meses…” E foi então que eu perguntei: por que você não pode fazer isso tudo agora mesmo?

A minha pergunta ficou sem resposta e foi aí que eu resolvi escrever a respeito.

Por que será que a gente espera a crise pra mudar o que não está funcionando? Esperamos a doença pra melhorarmos nossos hábitos, esperamos a multa pra dirigir com mais cautela, esperamos o término do  relacionamento pra repensar sobre quem nós somos e cuidarmos de nós.

Eu pensava que somente após anos e anos de namoro/casamento é que se entrava numa rotina e começávamos a deixar um pouco da nossa identidade pra trás, mas na verdade isso acontece muito rápido. Quando nos damos conta, quase todas as nossas atividades de lazer se tornam atividades a dois. O problema é que muito dificilmente você vai encontrar uma pessoa que goste de absolutamente todas as coisas que você gosta, e isso significa acabar deixando algumas dessas coisas de lado (por mais que se façam acordos).

Você que sempre ia à praia já não vai há muito tempo porque ela não suporta; você que adora shows foi deixando de ir  porque ele não curte o mesmo som… E quando você vê, muitas coisas que eram importantes e até fundamentais acabaram virando coisa do passado na sua vida desde que vocês estão juntos. E por que será que é assim?

Temos que lembrar que, antes de existir um “nós” sempre existiu um “eu” com gostos próprios, sonhos próprios, vida própria! É lógico que é importante (é ótimo) fazer coisas junto da pessoa que a gente ama, mas não se a gente também não tirar um tempinho pra fazer os nossos hobbies, sair com nossos amigos e até mesmo ficarmos sozinhos (seja lendo um livro ou jogando video game) o tédio e a insastisfação vão chegar mais rápido do que você imagina.

Não há nada de errado em fazer coisas que você gosta com outras companhias se seu namorado/namorado/afins não curte tanto aquilo como você. E se por acaso a pessoa com quem você está acha um absurdo você fazer as coisas sem ele/ela, eu recomendo que você comece a rever o seu relacionamento. Igualmente se ele/ela alega que adora tudo que você adora e por isso vai à tudo junto com você, pois há um risco de você estar se relacionando com um personagem e não com uma pessoa real.

Quando passamos muito tempo sem namorar e então aquela pessoa especial chega na nossa vida, às vezes temos a tendência de querer abrir mão de tudo para estar com ela (já que passamos tanto tempo sozinhos por falta de opção). Mas o tempo nos mostra que não há nada mais saudável que o equilíbrio, saber estar junto sem esquecer quem nós somos e o que queremos, sem ter que abandonar o “eu” em favor do “nós”.

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Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

7 comentários em “Quem é você fora do ‘nós’?

  1. Oi Thais, tudo bem?

    Fui lendo seu texto e me identificando com várias situações. Terminei meu relacionamento a pouco tempo e qual foi a primeira coisa que fiz? Isso mesmo, cortei o cabelo, bem curtinho. O pior é que aconteceu isso com todos os anteriores e lindo seu texto, percebi o quanto idiota fui por fazer isto. Suas palavras me afetaram muito, era do que precisava nesse momento.

    Beijos!

  2. Infelizmente meu primeiro comentário resolveu desaparecer, mas vamos lá mais uma vez porque esse texto merece reconhecimento!

    Eu fico abismada sempre que percebo como algumas pessoas mudam ao entrar em algum tipo de relacionamento, seja com alguém ou algo (no trabalho, por exemplo). É claro que se engajar é muito importante, e estar presente também, mas, mais importante do que isso, é estar bem consigo mesmo. O importante não é mudar para caber, mas sim o oposto. Caber para que a mudança não seja necessária.

    Achei muito bonito como você descreveu isso e me senti conversando com uma velha amiga. Isso que discutimos sempre esteve muito claro para mim, mas, com certeza, seu texto ainda vai ajudar muita gente. Parabéns!

  3. Resumindo em um única palavra: a despersonalização.

    Nos despersonalizamos por achar que o bem estar do próximo é a única coisa a ser perseguida, que vale tudo para não magoar outra pessoa, até mesmo se magoar, que não somos importantes p/ nós mesmos, uma completa sandice.

    E com isso vamos nos destruindo aos poucos e em vida.

    A cura? Auto-estima.

    Valeu, Thaís?

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