Publicado em Sobre a Vida

A vida sem lobo

Sempre que eu preciso fazer hora em algum lugar eu sempre faço a mesma coisa: entro em alguma livraria e fico lá folheando livros até a hora do meu compromisso. Dia desses, durante esse meu ritual anti-ócio, acabei me deparando com Percatempos, o livro mais recente do Gregório Duvivier. E ao invés de só folhear, acabei lendo o livro todo. Aqui, porém, vou apenas comentar sobre a passagem que eu achei mais interessante.

Eu já tinha ouvido falar desse livro há um bom tempo e, como me vi diante da oportunidade de lê-lo, fiz isso sem pensar duas vezes. Percatempos é um livro de curtas reflexões sobre questões cotidianas, acompanhados de desenhos em aquarela feitos pelo próprio autor. Apesar de ter blocos de assuntos, ele não é muito linear e é realmente uma leitura que se faz muito rapidamente.

A passagem do livro que mais mexeu comigo foi a que o autor, ao relembrar de sua infância, relata que, por ter “lobofobia” pedia a sua mãe que lhe contasse a história da Chapeuzinho Vermelho retirando a figura do lobo: “Era um saco”, afirma.

Nas páginas seguintes ele desenvolve mais a ideia e mostra como a falta do lobo afetaria as histórias e exemplifica com Os três porquinhos, mostrando que nenhum deles pôde aprender as lições da história original, já que foi retirado o elemento responsável por toda a transformação na vida dos personagens.

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Quando eu li isso, imediatamente eu comecei a pensar em várias coisas “ruins” que já aconteceram na minha vida e o quanto eu reclamo por ter passado por elas. Demissões, decepções, traições, doenças… foi vindo tudo na minha cabeça! E eu tentei imaginar como estaria a minha vida hoje caso essas coisas não tivessem acontecido.

Me dei conta de que várias coisas boas que me aconteceram depois tiveram relação com problemas anteriores. Mais uma vez sou obrigada a falar da Teoria do Caos :D. Realmente está tudo interligado! Se eu não tivesse passado por aquele sofrimento não teria tomado uma atitude que fez minha vida mudar pra melhor.

Às vezes nós reclamamos tanto ou guardamos um ressentimento tão grande que não nos damos conta de como tudo aquilo foi importante pra gente crescer, amadurecer e sermos apresentados à novas realidades! O que seria de nossas histórias sem “o lobo”? Sem aquele incidente que nos atrapalhou tanto ou sem aquela pessoa que nos fez tanto mal?

Toda boa história precisa de um antagonista e na nossa vida não é diferente. Que tal ver “os lobos” que aparecem na nossa vida como portas abertas para novas possibilidades? Afinal, sempre cabe a nós encarar os problemas e decepções como uma oportunidade ou como uma punição. Não queira uma vida sem lobo, mas saiba encará-lo como um empecilho produtivo.

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

3 comentários em “A vida sem lobo

  1. Thaís resolvi ler tua crônica – posso considerá-la assim? – muito pelo título “A Vida Sem Lobos” que despertou enormemente minha curiosidade quanto ao conteúdo do post propriamente dito. Pois bem, qual não foi minha surpresa ao ler essa maravilha que escreveu. Me surpreendeu, rs.

    Duas palavras apenas p/ explicar o que estou sentindo: poesia e ternura.

    Parabéns mesmo!

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