Publicado em Entrevista

Entrevista com Saulo Florentino

Quando você começou a escrever poesia?

Minha primeira lembrança com poesia é algo bem clichê. “Menino estranho se apaixona pela menina mais bonita da turma”. Aquela menina com cabelo preto escorrido de indiazinha e pele morena, ela tinha os traços do descobrimento e eu era só o menino que interpretou o burro na peça da Santa Ceia. Em um milagroso 26 de setembro fui convidado para o aniversário dela de oito anos (se não me engano) e escrevi uma carta com um poema, “você é o sol da minha praia” ou algo do gênero. Minha letra era horrível, então pedi para que um amigo meu escrevesse e pedi para alguém entregar pra ela escondido, um típico banana.

O mais inusitado é que assinei a carta como “admirador secreto”, mas de última hora resolvi escrever meu nome escondido em letra microscópica no canto da folha. Logo descobriram que era eu o autor da carta e eu pedi ela em namoro para os pais dela, sem ela saber. Não preciso dizer que fui motivo de piadinhas durante meses. Era um completo perdido nessas questões de relacionamentos, e preciso te falar que não mudei muita coisa em vinte e dois anos. Muitas vezes ainda me vejo aquele garoto aflito assinando meu nome em uma carta que era pra ser admirador secreto.

Aquela garota eu “perdi”, já casou, é mãe, feliz e muito bem sucedida, mas mantive a poesia e a literatura desde então agarradas comigo.

Quando você se descobriu como poeta?

Não me descobri como poeta, só escrevo, os outros que me chamam assim às vezes.

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Quais são as suas maiores influências artísticas?

Douglas Adams, Ian Curtis, Kurt Cobain, Hemingway, Kerouac, Bukowski, Leonard Nimoy, Philip K. Dick, Ginsberg, Barão Vermelho, Tolkien, Rimbaud, Baudelaire, Dante Alighieri.

De onde vem a sua inspiração para escrever?

Geralmente de coisas que eu vivencio nas ruas, de coisas que observo e penso. Sento na frente do computador, coloco uma música clássica e deixo tudo explodir.

O que a poesia representa para você?

A tradução da música que nosso mundo e nossas mentes tocam. Um refúgio da loucura. É a liberdade que minha mente tem para vomitar tudo o que eu engulo e engoli durante a vida. É minha arma literária contra a hipocrisia “santificada” que se espalha feito praga diante dos nossos olhos.   É um soco na cara de quem só passeia pela vida. Representa um pouco de tudo.

Como foi o processo de escrita do seu primeiro livro “Um marginal que voou baixo demais”?

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Passei por um período extremamente fértil para a minha escrita e pensei em reunir tudo em um grande livro de poemas, mas como sabemos o mercado literário está em frangalhos e tomado por youtubers. Já é difícil ser lançado com um livro pequeno, com um livro enorme seria quase impossível. Então resolvi dividi-lo em três, com um tema cada um. Quis que este fosse o primeiro a sair pois é o mais impactante. Vai chocar muita gente que espera um livro de poemas acadêmicos ou algo clichê.

Minha mãe já leu o livro e ficou horrorizada, “Como vou mostrar isso para minhas amigas meu filho?” ela disse e repliquei com a voz mais doce que fui capaz “Simples mãe, não mostra!”. Ela esperava algo diferente do que eu tinha para oferecer neste primeiro livro. Minha mãe é tudo na minha vida, mas não escrevi pra ela, nem pra ninguém, eu acho, este livro é uma metralhadora de verdades e loucuras sob um ponto de vista bem duvidoso.

Você definiu alguma temática específica para o livro? 

Sim, neste primeiro livro reuni poemas sobre a vida nas ruas de um cara sem limites e barreiras. Que mesmo estando velho ainda possui uma ignição nos olhos de adolescente, quando se permite.

Acontecimentos absurdos e tudo que se passa em sua cabeça doentia acontecem no livro. Muitas vezes o leitor não vai saber o que é verdade, alucinação, ou imaginação do protagonista, o tal marginal que voou baixo demais.

É sobre um cara se entrega com tudo na vida, apesar de muitas vezes não gostar muito dela. Encontro esse tipo de gente todos os dias nas ruas e muitas vezes em frente ao espelho me encarando de volta.

Existe alguma poesia sua que tenha um significado especial para você? 

Todas tem um significado profundamente especial, principalmente as que realmente aconteceram comigo e que eu prefiro não comentar para deixar para a imaginação dos leitores.

O que o leitor vai encontrar no seu livro?

O caos de uma pessoa com a qual poderão se identificar, ou repudiar, dependendo da elasticidade e aceitação de sua mente.

Quais são os seus projetos literários para 2018?

Lançar os outros dois livros que citei acima.

– A diferença entre o veneno e o remédio está na dose – Um livro de poemas de amor e suas consequências etéreas ou desastrosas.

– Apagando a luz no fim do túnel para dançar no silêncio –  Um livro sobre a solidão, a dor de estar sozinho, depressão e etc.

Terminar o romance que comecei a escrever a pouco tempo para um possível lançamento em 2019 e terminar de montar um livro de contos.

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Convite para o lançamento do livro no próximo dia 24 de novembro, em Itaboraí.

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Link para adquirir o livro: http://www.editoramadreperola.com/ummarginal.html

Autor:

Thaís tem 25 anos, é formada em Letras pela UFF e recentemente concluiu o mestrado em Literatura Brasileira. Adora dar aula e sempre que dá leva alguma música. A Thaís acha o Machado de Assis o escritor mais genial e totalmente incrível de todos os tempos e na música não há outro como John Mayer. Ela sabe fazer um brigadeiro muito bom, mas garante que escrever é o que de fato ela sabe fazer de melhor nessa vida.

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