Sobre a Vida

A quarentena e a saudade do que eu nem sabia que tinha

O ano era 1999 e, sem quem ninguém suspeitasse, a música Mina de fé nos ensinava uma triste lição: é preciso perder pra aprender a valorizar. É exatamente esse o sentimento desde do início dessa quarentena contra o Corona Vírus.

O mês de março começou tenso para nós brasileiros. A notícia de que havia por aqui pessoas infectadas pelo novo Corona Vírus nos deixou em alerta e, em poucas semanas, o alerta virou perigo eminente. O Brasil como um todo, mas especialmente cariocas e paulistanos, se viram exilados em suas casas.

Do nada, uma nova rotina se impôs: sem shows, sem cinema, sem academia, sem aulas, sem restaurantes, sem apertos de mão e até mesmo sem abraços (socorro!!!). Mas além dos grandes impactos (especialmente financeiros) falados diariamente nos jornais, eu tenho pensado muito nos impactos emocionais de tudo isso.

Eu sei que muita gente se diz tranquila, repetindo por aí que esse estilo de vida recluso já lhes era familiar (e pode até ser verdade mesmo). Mas pra mim, pessoa extremamente afetuosa, tem sido um martírio não poder abraçar ninguém. Acho que um nunca me senti tão solitária!

Essa quarentena tem me feito pensar na quantidade de coisas essenciais que precisamos fazer todos os dias e que, no fim das contas, acabamos tratando como coisas banais e não lhes dando o menor valor. E aqui eu não me refiro a poder abrir a porta de casa sem precisar passar álcool em gel logo em seguida ou de poder sentar no sofá usando a mesma roupa com que você veio da rua.

Mas como faz falta contar um babado forte grudada na orelha da pessoa, encostar a cabeça na janela do ônibus enquanto ouvimos música e nos imaginamos em um videoclipe! Ai, que saudade de abraçar cada um dos meus amigos e de sentar num banco de praça pra jogar conversa fora! É verdade que a tecnologia nos permite manter por perto mesmo quem está longe e que também nos proporciona inúmeras distrações, mas … Como substituir o insubstituível?

Quem disse que essa quarentena parece que deixou todo mundo cheio de vontade de viajar por aí disse certo! Nada como uma restrição drástica pra nos dar vontade de fazer tudo o que nos foi proibido de fazer, não é mesmo? Mas, para além disso, eu espero que, depois que tudo voltar a ser como era antes, a gente viaje mesmo! E beije e abrace e saia com os amigos e role no chão com as crianças e sinta tudo que se pode sentir nesse mundo! Sei que é clichê, porém mais do que nunca isso é uma verdade: a vida é muito curta e não dá pra saber o dia de amanhã.

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Sugestão de música para esse post:

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