Publicado em Curtas de amor

Décimo oitavo amor

Talvez o primeiro amor não seja o seu amor mais especial.
Não precisa ser.
Talvez não seja o amor que você vai lembrar pra sempre e que vai te fazer suspirar e libertar aquele sorrisinho envergonhado dos 13 anos de idade.

Pode ser que o seu amor mais especial seja aquele mais louco e nada a ver.
Aquele que você viveu por poucas semanas.
Aquele amor que só durou enquanto tudo era só beijo e bagunça e roupa jogada no chão.

Pode ser o seu amor mais especial aquele que vocês viveram com tanta intensidade que nem deu tempo pra você notar que era amor. Mas hoje você sabe que era. E que foi bom. E sente falta.

É esse amor que te faz libertar aquele sorrisinho malicioso que você só aprendeu o significado depois dos 20, que ainda te deixa sonhando acordada.
Talvez seja esse mesmo, quebrando todas as expectativas clichês, o seu amor mais especial.

Publicado em Curtas de amor, Poesia

Amor carioca (Soneto)

Meu amor é todo praiano,
Meio boêmio, meio leviano.
Adora uma rede e levanta tarde,
De dia dorme, de noite arde.

Meu amor não tem muito dinheiro,
Mas sabe amar de corpo inteiro.
No calor o mar, no frio a cama,
Se sente saudades logo me chama.

Meu amor é poeta de periferia,
Tudo que vê vira poesia,
Da rua lotada ao céu nublado.

Eu ando orgulhosa com ele do lado!
Afinal meu amor sabe o que faz e diz
E sabe como ninguém me fazer feliz.

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Thaís Bartolomeu – 2015

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Rodrigo

De todas as superfícies incomuns que já usei pra escrever um poema, as tuas costas sempre vão ter a minha preferência.

Já foram muitos guardanapos, papeizinhos que as pessoas distribuem na rua, envelopes de banco, notinhas do cartão e até dinheiro. Mas o que poderia ter mais valor do que esse infinito branquinho, salpicado com pintinhas por toda parte?

“Você parece um sorvete de flocos!” – eu te disse quando te vi sem camisa pela primeira vez. Naquela ocasião foi devido ao calor pós-show, mas na vez seguinte o que te fez tirá-la foi o calor pré-sexo.

Mas depois, como dormir com o coração palpitando tantas palavras diante de um espaço em branco tão lindo assim me chamando?!

“Quero escrever um poema pra você… em você… Posso?”

“A partir de hoje sou teu caderno, pequena.”

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Amor em meio ao medo
falha.
Amor, se é meio a meio,
fica.

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A última flor – Gabriela Paiva

Nunca fui de escrever ,até porque o jornalista era você. Era. Daqui há alguns anos irão ler esse texto e irão achá-lo fofo por se tratar de um melodrama vintage histórico que quiçá renderia um livro campeão de vendas – isso se nessa época em que descobrirem não houver nenhum governo ditatorial que repreenda tudo a seu respeito.

Sinto um pontapé de tristeza ao lembrar que meu pai causou sua morte,creio que uma das maiores dualidades da vida seja se dar conta que uma pessoa que você ama matou outra que você amava.Mas você também,por que diabos foi expressar seu senso de liberdade linguística naquele momento em que se pagava uma língua afiada com um machado afiado?!

Sabe,quando me falavam que você tinha cometido suicídio eu não acreditei. Não acreditei,pois uma afirmação não poderia apagar as lembranças que possuo de você: um sujeito mais alto do que eu duas canetas,de óculos negros que contrastavam com sua pele alva, características das quais davam a você um ar de intelectual, aquele tipo de intelectual que repudia romances chorosos e que só domina a linguagem referencial e argumentativa.

Argh,como eu detestava sua primeira impressão.

Sua segunda e permanente impressão corrobora para eu não ter acreditado no seu suicídio: um molecote tímido que viu nas palavras e nos pseudônimos uma forma de se expressar sem ser notado e que por um erro do destino acabou tornando-se notável através de sua camuflagem; um menino que possuía um pacto de lealdade com a vida ao ponto de soltar um ‘Obrigado Deus!’ a cada gorjeio de um pássaro,o que eu sempre achei meio ‘ falas de senhoras da missa de domingo’.

Nossa última conversa foi antes de você ser preso pelos homens do meu pai, em um rua paralelipada no Rio de Janeiro de 64 em plena ditadura militar e a última frase que me disse foi:

– Nada mais justo:eu dei vida através das minhas palavras, agora chegou a hora de elas me tirarem a vida.

Você se despediu com um derradeiro beijo quente que dias depois seria invadido pela sua gélida pele sem vida e posteriormente minha vista embaçou a ponto da minha última recordação sua ser a de um rosto pálido sendo fagocitado por uma massa verde.

E tudo isso foi em um 12 de junho,um dia dos namorados incomum com apenas um único elemento  em comum: uma rosa, não vermelha com um recado onde você tentaria escrever poemas só para me agradar, mas sim uma branca no seu túmulo,l ugar onde você não estaria se tivesse feito das suas idéias um túmulo também.

Quero te odiar,mas quanto mais te odeio mais te amo.

Não seria esse ódio a essência do amor?

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Seu Madruga e o sofá – Thiago Echer

O sofá é um lugar para deitar e pensar na vida, não de dormir! Só falta conseguir dizer isso pra minha namorada, a qual acaba de conquistar – de forma autoritária – o meu lado da cama e decidiu que eu deveria dormir neste móvel amarelo que me daria um belo torcicolo pela manhã. Por qual motivo, razão ou circunstância? Seu Madruga e a Bruxa do 71… Justo na véspera do dia dos namorados.

Era um início de noite comum, estávamos na nossa humilde casa, assistindo a nossa humilde televisão e eu comendo um sanduíche. Mas não importa se você tem duzentos canais ou apenas meia dúzia: sempre acaba assistindo Chaves. Até aí tudo bem, gostávamos da série – mesmo que já tivéssemos decorado o que acontecia em cada episódio. Neste que estávamos assistindo, a Bruxa do 71 dava em cima do pobre do Seu Madruga. Então – de uma forma não tão inesperada, pois ela gostava de conversar com a TV –, minha doçura comentou:

– Como o Seu Madruga pode fugir tanto da Dona Clotilde? Ora, que eles casassem logo.

– Casar pra quê? É uma bobagem se amarrar. – Até agora não sei por que me manifestei. Se deixasse passar, estaria na nossa cama agora.

– “É uma bobagem se amarrar”? É por isto que moramos juntos a sete anos e você nunca me pediu em casamento? – a cara de indignação estava velada, mas sabia que tinha atingido um ponto fraco.

– Calma, amor, não foi isso que eu quis dizer…

O resto da discussão deve ser fácil de imaginar, apenas aqueles velhos clichês: “você não me ama o suficiente”, “isso tudo é uma bobagem”; “desse jeito nunca vamos ter filhos”, “por isso que temos um gato”; et ceteras infindáveis.

Agora estou aqui. Enquanto a Supernanny manda as crianças sentar num cantinho para pensarem, eu fico recluso a este sofá. Bem que ela poderia ter levado isso menos a sério, foi apenas uma simples frase! É culpa minha o Seu madruga não querer a velha bruxa? Eu deveria ter aprendido com o pai do Chris: em uma discussão, a mulher sempre está certa.

Mas, talvez – só talvez –, eu deveria ouvi-la mais, afinal, estamos juntos há algum tempo… No final das contas, a Dona Clotilde não deve ser tão ruim quanto a pintam, veja só: a mulher vive fazendo favores para sua paixão.

Olho para a TV, olho para o teto… Lembra do meu sanduíche? Não fui eu quem fez, nem coloquei num prato, muito menos levei até a sala para eu mesmo – acho que algumas reticências cabem aqui.

Corri até a cozinha, peguei o arame de amarrar o saco de pão, moldei um círculo e corri até o nosso quarto. Quando cheguei, ela estava sentada na cama lendo um livro, me aproximei, ajoelhei-me, olhei praquele rosto com uma espinha na ponta do nariz, praquele cabelo desvairado, pros olhos castanho-escuros. Peguei na sua mão e disse sem pensar (pois deveria?):

– Fabrícia Vieira da Silva, quer casar comigo? – E deixei o meu anel improvisado a poucos centímetros do seu dedo.

A cara de brava foi se esvaindo, tentando ficar, mas foi tomada por um sorriso singelo que se transformou em uma expressão sincera de felicidade.

– Seu bobo, enquanto tem gente terminando o namoro pra não dar presente, você transforma namorada em noiva. Espertinho! – Pegou na gola da minha blusa, me puxou para a cama e me deu um daqueles beijos que não vêm desacompanhados.

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Metáfora – Daniele Aparecida

Já ouviu falar naquela expressão “cavalo selado só passa uma vez, então suba”? Oportunidades.

Mas não faria sentido eu falar sobre um cavalo num texto como esse. Mas eu me lembrei desse ditado enquanto pensava em destino. Se ele realmente existisse, não seria assim? Eu sempre vou dizer que o destino somos nós que fazemos, mas não resisto a ideia de algo nos conduzindo invisivelmente. E se fosse com o amor?

Se fosse um cavalo trazendo a sorte de um amor verdadeiro? E você não poderia pensar muito se quisesse viver aquilo. As palavras amor e verdadeiro juntas soam piegas, cafonas e sem graça.
Mas se a insulina estiver funcionando bem para você, acho que conseguirá terminar essa leitura sem adquirir diabete.

O destino está tão perto que não enxergamos, vai saber por que. Pressa? Medo? Espera?
Na fila do supermercado, aquele estranho que te deixa passar na frente na fila, no elevador a garota que oferece um chiclete, na livraria é coincidência a mão dele tocar na sua enquanto tem a ideia de pegar o mesmo livro?

A chance de dar errado é tão grande quanto a de dar certo.

Eu vi o destino passar uma vez, e demorei um segundo a mais para pensar antes de decidir que arriscaria, nessa subi desajeitada, mal firmando os pés no estribo, mal sabendo o que estava acontecendo, sem ter ideia da viagem que estava fazendo.

Também não controlava as redeas, nem se quisesse. Mas a vista era perfeita. Havia mais estrelas a noite do que poderia contar, eu sentia o ar quente do verão no rosto e era maravilhoso, maravilhoso como é se apaixonar.

Era uma dança com borboletas sem eu precisar voar, era o sonho que a gente torce pra não acordar. Eu sorria um sorriso permanente, poderia durar para sempre.
Eu não sabia no entanto que era dificil manter aquilo. Foi quando descobri a fragilidade das oportunidades. Das coisas que deixamos de viver e sentir. O quão ridiculo somos por não nos deixar permitir.

Presta atenção então. Pode ser a coisa mais besta, ou o momento mais importante da sua vida. E como diz uma amiga minha, não importa o início ou o fim, o que importa é o durante. Sinta, viva. Ouse viver.
Nem sempre vai ser acaso, nem sempre é destino, mas talvez seja o seu cavalo.

Feliz dia dos Namorados!

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Gabriel

O Gabriel é o tipo do cara por quem fica impossível não se apaixonar. A não ser, é claro, que você não goste de caras sensíveis, engraçados, criativos e que ainda por cima sejam donos de um sorriso encantador. Eis aí o Gabriel.

Eu poderia até dar mais detalhes sobre ele, como altura ou cor dos olhos, mas para descrevê-lo bem, o melhor mesmo é falar de música.

São tantas as que ele ama e tantas as que ele conhece e que a gente ainda não tinha nem ouvido falar…! E sempre que ele comenta sobre música ou artista que gosta muito, a nossa vontade é chegar em casa e baixar toda a discografia, tão grande é a emoção que ele nos passa enquanto fala. Esse é o Gabriel.

Realmente, apaixonar-se por ele é fácil! Difícil é saber o que fazer depois. “Será que falo logo pra ele? Será que vou dando dicas?” Bom mesmo seria fazer uma música. Se fosse uma boa música certamente ele iria gostar.

Mas aí você se lembra que não sabe compor, nem cantar, nem tocar, nem nada…  e que talvez as outras gurias que andam por aí suspirando os seus “ai ais” atrás do Gabriel saibam fazer, se não todas, pelo menos alguma dessas coisas.

Mas não desanime!

Se você for prendada, lhe faça um brigadeiro!
Se for poetisa, lhe faça uma rima!
Se for bobona, escreva o nome dele com Ketchup em cima do cachorro-quente.
(Com o Gabriel não dá mesmo pra ser indiferente!)

E ele, amoroso que só, não vai deixar passar em branco a tua declaração de amor! Ainda que não te retribua com o tão desejado beijo, é certo que te dará um daqueles belos e largos sorrisos que só o Gabriel sabe dar.

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Felipe

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Sabe quando você encontra um rapaz tão perfeito que você custa a acreditar que ele é real? E então quer abraça-lo o tempo todo pra poder dizer a si mesma: “Nossa, não é que ele existe mesmo?!”
Bem, na verdade… Além disso você quer abraça-lo o tempo todo porque você acabou descobrindo que abraçar esse guri é uma das melhores sensações que você já teve!

E um belo dia, depois de passarem uma linda tarde à três (você, ele e o violão), você percebe que há alguma coisa errada com o seu rosto. Como assim?! Esse sorriso não vai sair mais daqui?!
Mas essa é só uma das coisas que esse rapaz faz com você. E esse é só um dos efeitos colaterais de estar amando. É o sorriso eterno no rosto, é a voz que falha perto dele, são as mãos tremendo, é o monte de corações rabiscados em todo canto, na maioria das vezes acompanhados do nome daquele que também já é dono do seu coração.

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Coldplay

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Era uma vez, em um tempo ancestral quando não havia facebook, uma garota apaixonada por um garoto. A garota era tímida, o garoto era lindo. E ela simplesmente não sabia como se aproximar dele. Se tivesse naquela época tal ferramenta cibernética, bastava entrar na página do curso de inglês em que estudavam e tentar encontra-lo lá ou então revirar o perfil de alguém da turma dele para tentar acha-lo. Hoje em dia é isso que fazem os tímidos. Mas…
Naquela época ela o via todas às terças no curso e não sabia nem o seu nome. Então pra facilitar os registros que ela fazia do guri em seu diário, ela passou a chama-lo de Coldplay. Isso porque praticamente toda semana lá está o rapaz de belíssimos olhos castanhos usando uma blusa do Coldplay. E toda vez que o via ou pensava nele, ela escrevia:
Hoje Coldplay estava mais lindo do que nunca!
Ou
Hoje tocou Coldplay na Rádio Cidade e eu fiquei sonhando acordada pensando no Coldplay! ❤ ”
Se fosse hoje em dia, ela teria chegado nele, teria falado que também curte a banda e logo logo descobririam outras coisas em comum. Mas…
Aos 15 anos ela só falava com pessoas que não conhecia quando não tinha outra opção. Nesse caso ela optou viver sua paixão sozinha, de longe e em silêncio.
Mas até hoje quando ela ouve Fix you, que é sua preferida deles, ou qualquer outra música do Coldplay, ela ainda pensa consigo mesma sobre o que poderia ter acontecido se ela tivesse tido a coragem de falar qualquer dia com a sua paixão secreta de todas as terças-feiras.

(Continua)

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Vinícius

Rafael e Pamela

Você chegou quando eu já não estava esperando mais nada. Quando eu estava contente com a nova rotina que eu havia inventado de ir pra praia todo domingo no fim da tarde para ler algum livro de poesia. Desde que comecei com isso li várias antologias enquanto o sol se punha bem na frente. E então você chegou. Em uma daquelas tardes você também surgiu bem na minha frente quando eu estava lendo os sonetos do Vinícius. Você apareceu e declamou um trecho do Soneto de Fidelidade pra eu tirar os olhos do livro e olhar pra você, todo charmoso dizendo “de tudo ao meu amor serei atento” pra uma perfeita desconhecida. Mais clichê impossível! Que bom pra nós que há certos clichês que me fascinam! E assim foi.
Você sentou do meu lado e começamos a falar dos nossos poetas preferidos e dos poemas que mais nos tocam. E anoiteceu. Pôs-se o sol sobre o dia mais bonito de abril. E desde lá, alguns domingos se passaram e em todos eles nós nos despedimos juntos do astro-rei. E com o tempo os seus olhos acolhedores foram se tornando irresistíveis, assim como as suas mãos que tentavam me ajudar a “segurar no lápis como todo mundo”. Ainda bem que você também não resistiu à sabe-se lá o quê que te chamou a atenção em mim. Quando eu não esperava mais nada, você chegou pra me mostrar que eu já não precisaria mesmo esperar mais. Porque você chegou.