Entrevista, Sobre Música

Entrevista com o músico e escritor Pippo Pezzini

  • Você tem projetos tanto na literatura quanto na música. Como é a sua relação com essas duas artes?

Elas se complementam. Preenchem espaços diferentes no meu âmago, mas em algum momento, acabam se encontrando numa poesia musicada, quando escrevo e escuto música. O que muda é a linguagem, a forma e a técnica. Não consigo viver sem as duas. Como diria Nietzsche: Sem a música, a vida seria um erro. E completo: Sem a literatura também.

  • O que veio primeiro na sua vida, o desejo de ser músico ou de ser escritor? Como foi isso pra você?

A música esteve sempre presente na minha vida. Ouvia meu pai cantando quando era pequeno, ficava mexendo nos discos e ouvindo. Sempre tive um fascínio. Passei uma parte da infância no Japão, então tive aulas de música na escolinha. Quando vim para o Brasil, só fui estudar aos 12 anos, no caso, Violão. Ficava encantando de assistir as bandas tocando em palcos enormes, sempre tive esse desejo de ser um rock star. A escrita veio bem mais tarde, depois dos 18 anos.

  • Você se sente capaz de se expressar melhor em uma dessas duas artes mais do que na outra? Por quê?

Sentia. Pois não gostava das minhas composições musicais. Agora já me sinto seguro pra compor, mas é bem diferente do que escrever. A música pode movimentar sentimentos que jamais podem ser transpostos à linguagem literária.

  • Fale um pouco da sua trajetória como músico.

Comecei a estudar com doze anos. Aos quinze, toquei pela primeira vez num palco. E não foi pouco, tinham 700 pessoas ocupando um teatro. Fato que me marcou muito e me fez aspirar essa carreira. Desde então, toquei em diversas bandas, em mil lugares, eventos, bares, shows, praças, parques, ruas. Tive oportunidade de fazer uma canja com artistas nacionais, como Detonautas, Fresno, entre outros. Abri shows de muitas bandas nacionais, e já cheguei a tocar para um público de 20 mil pessoas. Muita estrada, experiências e histórias que dariam um livro. Toco diversos instrumentos, mas gosto de cantar e tocar violão/guitarra.

  • Que cantores e/ou bandas mais te inspiram e influenciam?

Difícil escolher. Mas estou numa fase de apreciação da música brasileira e latina. Escutando muita coisa. De Caetano à Perota Chingó.

  • Fale um pouco dos seus projetos musicais atuais, o Ar-te Livre e o seu EP ‘Bucólico’.

O embrião do Ar-te Livre foi uma construção de uma ideia que tive o ano passado, com meu amigo Eduardo Siqueira, parceiro de projetos musicais. Amadureci a ideia de tocar nas ruas, praças e parques e pus em prática no início desse ano, em Florianópolis, sozinho. Mas me senti muito solitário (risos), fato que me fez recrutar outros músicos para integrar esta proposta de levar arte ao ar livre, livre de custos. Tudo aconteceu muito rápido, estamos na crista da onda, muito felizes com a repercussão do projeto. O nome da banda é Maragá, e o projeto é Ar-te Livre.

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O EP foi uma necessidade que eu tive de registrar as canções que compus. Uma estreia nesse universo autoral. Prezei pela sinceridade e funcionou. As músicas foram bem recebidas, apesar de terem esse clima ‘’bucólico’’. Estou feliz, mas louco pra gravar novas canções, desta vez com banda.

  • Além desses, você tem algum outro projeto envolvendo música em andamento?

Eventualmente sou convidado para tocar como instrumentista em algumas bandas, mas nada fixo. Estou evitando me envolver, pois não tenho tempo para doar. Às vezes é melhor ter um projeto e dar foco total nele.

  • Agora comente um pouquinho da sua carreira como escritor.

Bem, vamos lá. Acho que só me senti um pouco escritor após lançar o primeiro livro. Comecei a escrever depois do ensino médio, por pura necessidade de expressão. Em blogs, diários, cadernos, e depois em redes sociais. Chegou um momento (2013) em que senti que tinha material para organizar um livro. Fiz a seleção e misturei contos, crônicas e poesias. Fiz toda a edição, até a capa e contracapa. Peguei o acerto de um emprego e investi na publicação. Em 2014 fui premiado na cidade onde resido (Caxias do Sul – RS), no concurso literário, na categoria de contos. Participei da feira do livro no lançamento dessa antologia. Em 2015, tive o prazer de lançar meu primeiro romance pela editora quatrilho, financiado pelo financiarte, ‘’Tempestade de Outono’’. Penso que já fiz muita coisa desde que me propus a escrever seriamente. E a melhor parte é receber mensagens de pessoas que se beneficiam e se identificam com a minha escrita, me sinto útil levando arte e reflexão.

  • Você está lançando agora o seu segundo livro, Tempestade de Outono. Conte um pouquinho sobre esse trabalho em relação aos anteriores.

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Este é o primeiro romance. A história mais longa que escrevi até então. Conta a história de um escritor vivencia um outono depressivo e turbulento. Encharcado de questionamentos existenciais, entranhado por elementos policiais. Utilizo da metalinguagem, meu personagem escreve dentro meu livro. Foi uma aventura escrever esse romance, e é um orgulho enorme vê-lo pronto, acessível a todos.

  • Pra você, o que significa ser artista?

Artista é todo aquele que imprime a sua subjetividade numa linguagem estética. O marceneiro é um artista, desde que ele dê valor a sua sensibilidade, e não apenas fique reproduzindo peças como se fosse uma máquina. O artista deve ouvir o coração. Nietzsche diz que o verdadeiro artista é aquele que respira a arte, e não cobra dela mais do que a sua subsistência.

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Clique aqui pra ouvir o EP “Bucólico”

Entrevista

Entrevista com o músico Castello Branco

  • Quando e como surgiu em você o desejo de ser artista, de se expressar através da arte?

É natural, minha natureza, o que veio da minha mãe (natureza) e meu pai (universo). Nunca vi como um desejo, pelo contrário, às vezes desejo não fazer mas me espanca e queima tão forte que só posso ser conivente com isso.

  • Como foi a transição entre a sua carreira na R Sigma para a sua carreira solo?

Passei por uma fase de não aceitar o fim da banda, triste, enxergava pouco. Depois de um tempo fui entendendo o que é que o universo estava me comunicando e comecei a aceitar tudo que veio.

  • No texto que você postou no seu site, você fala do quanto a palavra serviço estava presente na sua infância no monastério. O que essa palavra representa pra você no atual momento da sua vida?

Ser empático com os que me cercam. Receber de maneira flexível e amorosa o outro, estar sempre pronto pra acrescentar sem nada em troca.

  • Como foi pra você o processo de preparação desse CD (desde compor até a gravação)?

Doloroso mas (como tudo que é doloroso, no fim) gratificante.

  • Dentre todas as músicas de “Serviço”, tem alguma que tenha um significado mais especial pra você e por quê?

Todas tem sua importância, mas talvez “Anu” seja a mais importante, a primeira, a que eu toco desde criança e a que eu tenho mais liberdade. Gosto de modifica-la sempre, quero que ela tenha milhões de vôos.

  • Em algumas faixas do seu CD, como “Anu” mesmo existe a presença da natureza por meio do canto de pássaros. Que papel a natureza desempenha nas suas composições?

Antes delas, em mim. A natureza é a mãe. Gostaria que existisse uma outra palavra pra ela, que eu pudesse separar a “consciência natureza” da palavra geral “natureza”. Usamos “deus” mas “deus” ainda é outra coisa.

  • O que você achou da recepção desse seu primeiro CD solo e independente pelo público e pela crítica? Foi como você esperava? Teve muitas surpresas?

Não esperamos mais do que ele, nem menos. Foi um divisor de águas para todos os que fizeram parte do processo profundamente. Me surpreendi um pouco como ser-humano, mas sabíamos que de alguma forma, como ele mexeu com a gente, mexeria com os demais que estivessem abertos de verdade a receber.

  • O que você considera como a maior dificuldade para a carreira de um artista independente no Brasil atualmente e por quê?

Ele próprio. Pouco discernimento.

  • Quais são os seus projetos no momento?

Tenho um livro pronto e ando compondo algumas músicas também. Estou me preparando para o novo ciclo. 29 anos e um novo momento.

  • Bem, pra finalizar. A minha música preferida de “Serviço” é “Crer-sendo”. Ela foi a primeira música sua que eu ouvi e até hoje é a que mais traz lições. O que significa na sua vida crescer crendo e sendo?

Fé ativa.

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Para conhecer mais do trabalho do Castello, acesse http://www.castellobranco.nu

Entrevista

Entrevista com o escritor Alexandre Guimarães

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  • Como/quando a escrita apareceu na tua vida como forma de expressão? 

Aos meus 11 anos de idade. Eu li um poema do Vinícius de Moraes e me apaixonei por literatura. Decidi que eu iria usar as palavras para me expressar. 

  • Há quanto tempo você já produz textos literários? Como tudo começou? 

Como eu disse acima, aos meus 11 anos de idade. Eu estava lendo “Antologia Poética” do Vinícius e me apaixonei. Foi algo meio que surreal. 

  • Os textos que você publica são realmente como cartas, como você mesmo diz na descrição da sua página. De onde surgiu essa ideia da escrita através de cartas? 

Isso é bem engraçado. Eu queria escrever para as pessoas, para que de alguma maneira eu pudesse levar paz e conforto para elas através das minhas cartas. Decidi usar as cartas porque é uma coisa bem simples, mas que pode mudar o dia de alguém. 

  • Quando e por que você resolveu começar a divulgar os teus textos na internet? Como surgiu a ideia da página? 

Eu não queria mais guardar para mim. Resolvi divulgar no ano passado, quando algumas pessoas disseram que eu deveria expor isso. A ideia da página é bem engraçada. O primeiro poema surgiu em um supermercado. Era um dia chuvoso e quando cheguei em casa resolvi publicar o poema. A recepção foi muito boa. No final do poema eu coloquei: “continua”. Dois dias depois eu publiquei um novo poema e a recepção aumentou. Daí eu decidi criar a página e está sendo isso que você vê hoje.

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  • Como foi e tem sido pra você essa recepção tão boa (e até rápida) dos teus textos nas redes sociais? 

Assustadora, eu diria. Eu não esperava tudo isso. Mas é algo maravilhoso. 

  • A ideia do livro “Doce Desconhecida” já era um projeto antigo ou surgiu por causa da página?  

Surgiu por causa da página. 

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  • Comente um pouco sobre como foi a preparação deste livro e quais são os projetos atuais relacionados a ele. 

A preparação foi muito rápida. Com apenas duas semanas de página recebi proposta de três editoras para publicar o meu livro. Ah, eu não gosto de planejar, deixo acontecer. 

  • Você já está pensando em publicar outros livros? 

Ainda não. Mas quem sabe em alguns anos. 

  • O que mais te inspira a escrever ? Quais são as suas influências e referências? 

O nada. A tristeza, uma música, um passarinho. Depende muito. Eu amo o Vinícius, Drummond, Leminski, Mario Quintana, Bukowski, Clarice Lispector, Caio Fernando de Abreu, Guimarães Rosa… 

  • Qual é o seu maior sonho como escritor e o que mais te move a continuar escrevendo?  

O meu maior sonho está sendo realizado. Publicar um livro e ser reconhecido. Como diria a Clarice: “Quando não escrevo, estou morta”. 

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Para conhecer mais sobre os escritos do Alexandre, viste Doce Desconhecida no facebook.

Entrevista

Entrevista com o ator e diretor Leandro Veneziani

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  • Quando surgiu em você o desejo de ser artista?

Interessantíssima essa pergunta, por que eu realmente não sei a resposta. Parece clichê mas acho que muita gente já nasce com essa vontade, e eu certamente fui uma delas. Digo isso porque nunca me passou pela cabeça fazer outra coisa, claro que a influência da minha irmã (que é atriz) é grande, mas sempre tive essa vontade.

  • Fale um pouco das suas primeiras experiências artísticas. 

Como disse anteriormente minha irmã (5 anos mais velha), é atriz, logo o mundo das artes sempre refletiu em mim. Eu tenho muita muita história, além do que tenho uma memória descomunalmente boa (infelzimente hahaa sim, isso atrapalha). Mas se tivesse que citar apenas uma falaria com certeza da vez que tinha 3 ou 4 anos e parei de falar repentinamente. Os diretores da escolinha chamaram minha mãe, foi um alarde só. Fui em dois psicólogos diferentes e após quase uma semana soltei a seguinte frase “ai mãe, como vocês são burros. Eu sou o dunga! O dunga não fala!”.

  • Quando você começou a levar mais esse desejo mais a sério?

Quando eu tinha 11/12 comecei a ver minha irmã indo realmente pra frente com a carreira, a partir daí percebi que isso era algo possível mesmo. Mas se levar a sério as vezes não é o bastante, afinal eu faço tudo com apoio dos meus pais, e eles só viram essa vontade/habilidade em mim quando eu criei minha primeira websérie (“As Joseenses”) quando estava ainda no terceiro ano e os vídeos bombaram, rendendo até uma entrevista pra Globo da região.

  • Existe algum acontecimento que marque pra você o início da sua carreira de ator?

Eu na verdade me vejo muito mais como um diretor/roteirista/criador do que ator. Mas eu amo e tenho vontade sim de ser ator. Eu acho que a primeira vez que eu me senti ator mesmo foi no primeiro teste de microfone do Mamma Mia, não sei porque mas aquilo marcou muito pra mim. Foi como se pela primeira vez eu botasse meu “uniforme de ator”.

  • Qual você considera o momento mais legal que você já viveu na sua carreira até hoje?

Nossa, essa é complicada hahahaha Fico em dúvida entre o agradecimento final do Mamma Mia e as primeiras vezes que fui reconhecido na rua pelo NOVA. Realmente não sei dizer hahaha.

  • O que te fez decidir ir estudar em Nova York? Como foi essa decisão pra você?

Vim pra cá pela primeira vez com 16 anos, acompanhado dos meus pais. E foi amor a primeira vista hahahaha bati o olho e pensei “eu quero estudar aqui e pronto cabô” hahaha desde então botei isso na cabeça e comecei a correr (muito) atrás.

  • Quais são os artistas (atores, cantores, cineastas etc) que mais te influenciam e/ou inspiram e por quê?

Nossa, desculpa. Essa eu vou passar, já tentei responder mas eu tenho dois problemas grandes : falar muito e ter muita criatividade/viajar. Se eu começar eu termino daqui 3 dias. 

Mas se for pra citar (assim por cima) eu diria : Tarantino, Almodóvar, Fellini, Wagner Moura, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Fábio Porchat, Brad Pitt, Daniel Day Lewis, chega se não não paro. 

  • Como surgiu a ideia de criar a sua web série? Está tendo o retorno que você esperava?

Desde que cheguei me deu aquela vontade de fazer alguma coisa, algum vídeo, alguma produção, sei lá. Mas dessa vez quis fazer com calma, parei e pensei muito, demorei quase um ano pra terminar o projeto. E com o tempo (até mesmo depois de começar) fui moldando ele do jeito que eu queria. 

Nunca esperei esse retorno, não mesmo. Até hoje não acredito. Quando comecei a ideia era fazer no máximo 5 vídeos, e agora já estou chegando no 50º, é realmente surpreendente pra mim, até hoje.

  • Quais são os seus projetos atualmente?

Olha, exclusividade pro blog Hahahahaha o NOVA vai acabar (ou ficar um boooooooom tempo fora do ar) porém eu não vou parar hahaha agora o que vem em seguida ainda é segredo.

  • Qual é o seu maior sonho como artista?

Ser reconhecido, ser respeitado e viver fazendo o que eu amo, a arte. Transformar todo esse amor em reconhecimento e não deixar nunca essa chama de “sonho” se apagar.

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Para conhecer um pouco mais sobre o trabalho do Leandro, visite https://www.youtube.com/user/LeandroVeneziani

Entrevista, Sobre Música

Entrevista com o músico Eric Maia

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  • Como a música entrou na sua vida?

Meus pais sempre foram pessoas muito envolvidas com a música. Meu pai é músico profissional há muitos anos, ele teve várias bandas e minha mãe o acompanhava, sendo cantora do grupo.  Nós tínhamos centenas de discos de vinil na sala, sempre acessíveis e desde cedo fui me familiarizando com clássicos da MPB e da música internacional. Além disso, sempre tinha um violão no sofá de casa, o que acabou despertando meu interesse.

  • Quais foram as suas primeiras experiências com a música?

Quando eu era muito pequeno, talvez com 4, 5 anos em diante, meu pai me levava com ele pra shows em barzinhos e clubes. Eu cantava algumas músicas infantis da época, no final, ele me dava um dinheiro e dizia que música era trabalho. Quando eu tinha 6 anos, meu pai começou a me ensinar letras de músicas mais famosas até um dia que com uns 7, 8 anos, ele me ensinou a cantar “La barca” e aquilo era muito legal e inusitado. Até hoje pessoas comentam que era muito legal ver uma criança cantando uma música em espanhol. (risos) Nessa época, eu comecei a me interessar por violão, eu observava meu pai tocar e imitava os acordes. Acebei aprendendo. E nessa época eu comecei a estudar bateria, só que quando eu era criança, ter uma bateria, além de barulhento, era extremamente caro. (risos) Então eu acabei me dedicando ao violão e ganhei minha primeira guitarra aos 12 anos.

  • Quando e de que forma você descobriu que gostaria de ser músico?

Desde criança eu queria montar uma banda. Aos 11 anos montei minha primeira bandinha. Nós a chamávamos de “The Mentes”, isso em 1995. Eu era o baterista. Depois, aos 14, tentei montar outras bandas, mas em Itaboraí-RJ, lugar em que nasci e passei a maior parte da vida, nessa época a garotada não ligava pra música. Era muito difícil, frustrante e decepcionante viver num lugar onde ninguém da minha idade compartilhava o interesse pela música. Até que em 1999 eu conheci o Felipe Nunes. Ele veio de Angra dos Reis-RJ estudar no mesmo colégio que eu. Ele é baixista. Nesse ano, fundamos a banda que temos até hoje, a Barbie Suburbana.

  • Comente um pouco da sua rotina como músico.

Minha rotina atual de músico é bem agitada. São muitas noites sem dormir, fins de semana sem vida social. Toco em bares, clubes, boates, festas de aniversário, casamentos, etc. Basicamente de quinta a domingo, nos municípios de Niterói, Rio de Janeiro, Itaboraí, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Tanguá, Maricá, etc.

  • Quais são as suas maiores influências na música? Há algum músico em especial que te inspire?

Eu sou muito fã de Beatles. Estou sempre ouvindo. Quanto aos estilos, sou muito eclético. Gosto muito de rock, é meu gênero predileto. O reggae também tá quase ali empatado. Escuto muito Blues como Stevie Ray Vaughan e muita MPB. Os artistas que eu mais me espelho são Eric Clapton, Paul McCartney, John Mayer e Jimi Hendrix.

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  • Comente um pouco sobre os projetos em que já esteve envolvido e quais são seus projetos atuais.

Eu gravei dois discos independentes com a Barbie Suburbana. Um em 2004, chamado “Pare, olhe e escute” e outro em  2009, chamado “Barbie Suburbana”. Os dois estão disponíveis para download gratuito no nosso site: www.barbiesuburbana.com além de estarem disponíveis para ouvir no Youtube.

Atualmente, estou trabalhando num disco solo de músicas autorais e em outro com versões cover de sucessos da música internacional. Devem ficar prontos no final de 2015.

Além disso, tenho tocado na noite da região metropolitana do Rio de Janeiro. Sempre na estrada!

  • Qual é o seu maior sonho como músico?

Ao contrário de muita gente, eu nunca pensei na fama e no sucesso como um fim. Meu objetivo é tocar, é fazer meu som, é continuar fazendo o que eu mais amo na vida. Vejo o sucesso como algo secundário, um meio melhor a se alcançar para conseguir manter o sonho vivo. Meu maior sonho é conseguir divulgar minha arte, compartilhar meu trabalho com pessoas que se identifiquem com a mensagem que eu quero passar, viver disso, cada vez mais e com mais qualidade, tocar muito nessa estrada, encher esse mundo de poesia e música.

  • O que você considera a maior dificuldade para alcança-lo e por quê?

A maior dificuldade é a mesma em qualquer ramo: dificuldade de investimento. A música é um ramo como qualquer outro. Para conseguir divulgar nossa arte é necessário investimento. Conseguir gravar bons materiais, em estúdios de qualidade é um processo muito caro. Instrumentos musicais de ponta também são muito caros, é necessário abrir mão de muitas coisas pra poder ter uma guitarra de primeira linha e equipamentos bons. Outro problema é que no Brasil não há espaço para estilos que não estão na “moda”. Ou você faz o que todo mundo faz, ainda que seja mal feito, ou feito como um produto vagabundo de linha de produção só pra vender o máximo possível, ou então você está fadado ao desconhecimento. Isso é muito duro. E aí, um belo dia, você consegue uma certa projeção, aparecem muitas pessoas criticando seu trabalho apenas por criticar, sem conhecer um décimo da sua história. É um ramo injusto e a aceitação das pessoas é muitas vezes cruel.

  • Comente um pouco sobre suas composições e demais textos que você escreve. Como é isso pra você?

Eu sinto uma inquietação. Sinto necessidade de dividir minhas angústias com as pessoas. Saber se elas também sentem o que sinto em relação ao mundo e às coisas. Sou fascinado pelo debate de ideias, pela humanidade do diálogo, pela rejeição às ideias de senso comum. Gosto de escrever sobre um lado crítico, inquieto e inconformado a respeito da vida e do mundo e vivo na busca por interlocutores que estejam na mesma vibração que a minha. Eu só lamento não ter meios de alcançar mais pessoas.

  • O que é a música pra você?

A música é um instrumento da alma. É uma expressão quase que espiritual do que se pensa. É uma forma perfeita de materializar toda a sensibilidade humana em sons e versos. Eu nunca conseguiria viver sem música. Escuto música o tempo todo, em tudo, em qualquer lugar, esteja eu fazendo qualquer coisa. É a melhor parte da minha vida.

Entrevista, Sobre Escrever

Entrevista com a escritora Luana Helena

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  • Quando começou a sua paixão pelos livros? O que você se lembra dessa época?

Bom, segundo meu pai, desde bem pequena eu preferia a seção de livros a de brinquedos no supermercado…rsrs… Eu sempre tive livros, gibis, histórias, fantoches e outras coisas do tipo à disposição. Não sei dizer quando começou, creio que eu já nasci apaixonada.

  • Qual foi o primeiro livro que você leu? Conte um pouco sobre essa experiência.

Outra pergunta que não sei te responder! Livro mesmo eu não me lembro. Lembro muito dos gibis da Mônica. Fui alfabetizada, praticamente, em casa, então os gibis tiveram grande importância. Eu costumava brincar de recortar as personagens e criar novas histórias.

  • Você se lembra do primeiro texto literário que escreveu? (foi uma história, uma poesia… do que você se lembra sobre isso?)

Pensando em publicar, foi o Água de Sereia, em 2013, que nasceu em forma de conto, mas tenho me aventurado desde que me conheço por gente. Com uma cara um pouco mais profissional, escrevi de 2007 a 2010 uma história no meu extinto blog, o Sina Nossa. Tinha um número legal de leitores assíduos, fiz amizades, melhorei minha escrita… Foi uma época bem legal.

  • Quando você percebeu que gostaria de ser escritora?

Eu sempre quis trabalhar com a escrita, mas tinha vergonha de dizer que queria ser escritora. Não queria ser tachada de doida e ouvir aquele papo de que isso não dá dinheiro, então fui procurando alguns caminhos alternativos. Já quis ser jornalista, atriz, tive vários blogs, fiz Letras…. Dei muitas voltas até que resolvi assumir a profissão em maio de 2013.

  • Quais autores fizeram parte da sua formação como leitora e em quais você mais se espelha para a sua escrita?

Nossa… Muitos, mas principalmente os brasileiros. Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Pedro Bandeira, Drummond, Vinícius, Guimarães Rosa… Gosto muito dos clássicos.

A simplicidade e o contato com a natureza do Manoel de Barros me inspiram nos textos infantis, enquanto a Lygia me mostra a profundidade nos contos.

  • Fale um pouco da sua carreira como escritora. 

Sou mãe e autora dos livros Água de Sereia e Um Gigante de Estrelas, lançados, respectivamente, em 2013 e 2014. Tenho mais um título infantil em produção com previsão de lançamento para novembro deste ano, além de um livro de contos ainda sem data de lançamento.

Além de autora, sou minha divulgadora! Sou independente, então tenho que vender meu peixe. Visito escolas, desenvolvo projetos de leitura, faço contação do Água de Sereia, palestras sobre os livros e a vida do escritor… Gosto muito de estar entre os leitores!

  • Como você concilia sua carreira de escritora com a de professora?

Correndo e trabalhando muito! O tempo é curto, mas tento aproveitar da melhor maneira possível, então, reservo duas tardes da minha semana para a divulgação do livro. Para escrever, conto com os pequenos momentos livres…rsrs

  • Qual você considera o momento mais bonito de ambas as carreiras?

Na de professora, quando um aluno que não gostava de ler ou estudar passa a gostar porque ouviu uma palavra boa na sua aula. Isso não tem preço.

Na de escritora, quando criamos sonhos na cabeça do leitor. Um leitor com sonhos é a coisa mais linda de se ver!

  • Qual é o seu maior sonho como escritora?

Ter minhas histórias espalhadas pelo Brasil e também traduzidas em outros idiomas. Como divulgadora do meu trabalho, é palestrar em um evento literário internacional.

  • O que a literatura representa pra você?

Representa o que eu sou e o que me falta ser.

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Para conhecer mais do trabalho da Luana, visite 

https://www.facebook.com/pages/%C3%81gua-de-Sereia/1386122131619318?ref=ts&fref=ts