Quando namorei um cineasta

Cineasta-Tarantino

No começo era um romance açucarado
O que vivia com o meu culto namorado.

Ele era bonito, barbudo e cineasta,
Mas minha história com ele foi nefasta.

Passamos do clássico roteiro de amor
Para o mais trash dos filmes de terror.

Não fosse o drama presente em cada cena
Eu poderia até dizer que valeu a pena.

Mas ele gostava era gritos, sangue, morte!
Acho que ter saído viva foi pura sorte!

Se soubesse que seu estilo era meio Tarantino…
Ah… Eu não teria namorado esse cretino!

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Thaís Bartolomeu

Gostar de chuva (Rain will make the flowers grow)

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Eu sou uma das poucas pessoas, dentre aquelas com as quais convivo, que gosta de chuva. O que mais ouço é gente reclamar dela. A chuva acaba com os planos.

Se começa a chover, nada de passeio, nada de show, nada de luau, nada de piquenique, nada de nada que seja ao ar livre. Será então que gostar de chuva é coisa de gente que gosta de ficar em casa?

Uma professora já me disse que gostar de chuva é característica de pessoas melancólicas. Pode ser. Se for isso mesmo até que faz sentido.

Mas seja lá o que for, a chuva tem para mim só significados positivos. E o que mais tenho pensado ultimamente é no da renovação.

Penso em chuva e penso no final de O rei leão, penso na questão do ciclo da vida e que a chuva também faz parte disso. Não só porque ela participa de um ciclo mais específico, o da água, mas porque para que haja florescimento, é necessário que haja chuva.

Rain will make the flowers grow! Esse é o trecho da música A little fall of rain, uma das minha preferidas do musical Os miseráveis e essa frase traduz muito bem a esperança que eu sinto toda vez que chove.

Não sei dizer quando comecei a gostar da chuva, do cheiro da terra, do barulho, do clima mais ameno… E também não sei quando comecei a pensar em significados para ela. Mas desde criança até hoje eu gosto de olha-la da minha janela e pensar que a vida pode ser totalmente nova quando a chuva passar.

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Top 5 – Filmes que marcaram minha infância

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Já é uma tradição eu compartilhar aqui no blog algumas das minhas impressões sobre filmes que eu gosto e que são importantes na minha vida de alguma forma. E realmente eu AMO cinema! Há muitos e muitos filmes que acho incríveis e tudo mais, mas resolvi pela primeira vez organizar essa listinha com 5 dos filmes que assisti quando era criança e que marcaram muito a minha infância, contribuindo muito para quem eu sou hoje.

1 – Edward, mãos de Tesoura 

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Só pra ir na contramão, vou começar minha listinha com um filme que não é infantil! rsrs

Eu me lembro de assistir Edward, mãos de tesoura várias e várias vezes na Sessão da Tarde e acho que foi o primeiro filme que chorei assistindo. (Segundo minha mãe não eram poucas às vezes que ela me surpreendia chorando assistindo algum filme na TV quando criança.)

Lembro do quanto eu achava tudo muito injusto! O criador dele morrer justo quando ia lhe dar as mãos e o Edward sempre sendo prejudicado pelos outros sendo inocente! Que peninha que eu sentia dele! Ficava achando que ele merecia ser feliz e ter o direito de conviver com as pessoas e poder estar perto da garota que amava… Mas… Não.

Acho que ali de certa forma eu comecei a pensar que nem tudo na vida iria acontecer da maneira que a gente achasse certa ou justa e que muita gente simplesmente nunca iria compreender a nossa peculiaridade ou até mesmo estranheza. E acima de qualquer coisa sempre admirei o Edward por ele ser um artista. Com certeza esse era o lado mais humano dele e essa sensibilidade ele manteve o tempo todo.

2 – Matilda

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E ainda sobre isso de ser “a pessoa diferente” temos Matilda, que é até hoje muita minha ídola! Por que será?! 😀

Como não amar a menina que vivia em uma família que não tinha nada a ver com ela mas acabou encontrando conforto e companhia nos livros?! E fora que eu achava tão legal os superpoderes dela de conseguir controlar as coisas! Metaforizando um pouco, eu acho que isso tem a ver com o poder que passamos a ter sobre o mundo a partir da leitura. Pelo menos é assim que eu entendo.

3 – Harriet, a espiã

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Nooooosssa, como eu amo esse filme! Esse é um filme que de fato me marcou demais! Isso porque foi depois de assisti-lo que eu decidi começar a anotar tudo que acontecia na minha vida, assim como a Harriet fazia. E isso com certeza mudou minha vida. Foi ali com uns 12 anos que resolvi começar a escrever sistematicamente e passei a me encontrar na escrita.

Acho que esse filme não é muito conhecido, então vai aqui uma breve sinopse! Ele trata dos conflitos de uma pré-adolescente que queria ser jornalista e fazia investigações na sua vizinhança e também anotações sobre as pessoas com quem convivia. Quando seu caderno vai parar nas mãos daquelas típicas ‘meninas malvadas’ da escola, todo mundo acaba sabendo das observações que ela fazia das pessoas, nem sempre coisas agradáveis. E então durante o filme, excluída por todos, sofrendo bullying e não sendo compreendida pelos pais, Harriet tem que achar um jeito de consertar as coisas. (Eu acho que não sou muito boa com sinopses em geral, mas vale muito a pena assistir!)

4 – Titanic

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“Oi? Como assim?” Sim, pessoas! Titanic marcou minha infância! rsrs Minha prima mais velha tinha as duas fitas de vídeo (eu me entregando) do filme e a gente assistia praticamente todo dia assim que ela comprou. (E sempre adiantavam aquela parte dele no carro quando eu estava junto, afinal eu tinha só 7/8 anos.)

Até hoje Titanic é um dos meus filmes preferidos, que eu assisto toda vez que está passando em algum canal e me sinto incapaz de assistir sem comentar porque eu o acho perfeito demais!!! Muito bem feito, todos os detalhes, tudo incrível!!! Se eu pudesse eu daria mais Oscars pra Titanic porque realmente é merecido! Mas enfim…

Considero que Titanic tenha marcado minha infância também porque eu assisti muitas vezes ao longo dela e porque sempre pensava várias coisas. Tipo que foi azar pro Jack ter ganhado a passagem porque acabou morrendo… Mas, por outro lado, sem ele a Rose teria se matado. E também sempre pensei no quanto às vezes pessoas que acabamos de conhecer fazem por nós coisas incríveis que outras que nos conhecem há anos jamais fariam. Porque o Jack fez questão de ficar com ela até o final. ❤

E quanto ao problema se eu cabia ou não cabia lá no pedaço de madeira eu prefiro me abster mais uma vez. rsrs

5 – O Rei Leão

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Ah! Por essa ninguém esperava! hahaha

Acho que todo mundo já sabe que O Rei Leão é o meu filme preferido. Não é o desenho preferido, não é o ‘da Disney’ preferido. É de fato o meu filme preferido entre todos os filmes já feitos na história da humanidade! \o/

Os motivos para eu amar O Rei Leão são tantos que daria mais vários posts pra falar a respeito. Mas pra mim esse filme é o que mais me ensinou (e ainda ensina) coisas até hoje. Se um dia eu realmente fizer uma tatuagem ela será da frase “Lembre-se de quem você é”. Que é um dos meus maiores desafios na vida, me lembrar de quem eu sou e não abandonar os meus sonhos, por mais que sempre tenha gente ruim pra nos convencer que isso é o melhor a fazer.

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Bem, esse foi o meu Top 5 dos filmes que marcaram a minha infância e eu curti demais fazer isso. Eu acho que deveria ser uma criança meio estranha! hahaha Foi engraçado perceber que em todos esses filmes tem alguém que se sente ou é literalmente excluído e que há essas lições sobre a vida não parecer mesmo justa às vezes… Mas o bom é que todos eles me motivaram, me fizeram pensar um pouco sobre como as coisas funcionam e sobre tentar encontrar um sentido pra tudo isso.

Literalmente eu cresci com esses filmes. ^_^

Becoming me

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Eu conheci a Jane Austen quando eu tinha cerca de 16 anos e, explorando a linda biblioteca da minha escola, resolvi começar a ler um livro chamado Orgulho e Preconceito. Pelo título eu achei que o livro trataria de ódios e rancores, tramas de vingança! Mas para a minha surpresa, o livro era um romance belíssimo! Até hoje é um dos livros que mais amo na vida! Como eu aprendi com ele! Como ele é parte de quem eu sou!

Esses dias, dando uma olhada em adaptações da Jane para o cinema, acabei descobrindo que havia um filme sobre a vida dela chamado Becoming Jane, horrivelmente traduzido para o português como Amor e Inocência. Fui assisti-lo e simplesmente… é muito lindo e é muito amor! E eu ressaltei aqui o quanto foi ruim o nome dado ao filme em português porque ele trata fundamentalmente de como a Jane Austen se tornou a Jane Austen, como se tornou a escritora que hoje nós conhecemos e (falando de mim e de minhas amigas) amamos.

E depois de conhecer mais da história de vida dela ao assistir Becoming Jane, depois de saber como ela foi crescendo como escritora a partir das experiências que passou como filha, como irmã, como mulher naquela época e principalmente como leitora, eu fiquei pensando em como é que eu me tornei essa pessoinha peculiar e projeto de escritora que sou hoje.

Fiquei lembrando da música Capitão Gancho, da Clarice Falcão, em que ela fala de diversas coisas aleatórias de sua vida que, segundo ela, são responsáveis por ela ser quem é. E acho que é bem assim mesmo, não são só os grandes acontecimentos que nos formam. Cada pequena coisa, palavra dita ou ouvida, carinho recebido ou negado, tudo que até hoje já nos aconteceu foi direcionando os nossos sonhos e as nossas escolhas. E a maneira como nós lidamos com tudo de bom e ruim que acontece ao nosso redor vai aos poucos formando o nosso caráter.

E mais uma vez eu retomo aqui a importância das decepções na nossa vida pra que a gente cresça, pra que a gente descubra a nossa força e a nossa capacidade de se levantar do chão.  E ainda bem que todos os meus amores de adolescência foram platônicos! Pois assim eu fui pesquisar o que queria dizer platônico e assim conheci Platão. E ainda bem porque, por conta disso e da minha mania de ficar escrevendo o nome dos meninos por quem me apaixonava em todo lugar, comecei a rascunhar poemas onde eu repetia e repetia os seus nomes infinitamente.

Talvez se a Jane Austen não tivesse amado tanto o Thomas, ela não tivesse criado um homem tão perfeito como o Darcy. E talvez, se ela tivesse se casado com ele, ela teria visto que ele não era tão tudo de bom assim, daí o Darcy e seus outros protagonistas talvez não seriam tão idealizadamente perfeitos. Vai saber! Mas o que eu quero dizer é: ainda bem que as coisas são como são! Eu aprendi com Luís Fernando Veríssimo que a versão real da nossa vida, aquela que de fato vivemos, é sempre a melhor de todas porque é a única de fato possível. O restante é fantasia.

E por mais que a gente, vez ou outra, se pergunte “E se eu tivesse aceitado aquele emprego?” , “E se eu tivesse entrado para aquela faculdade?” , “E se eu não tivesse terminado com aquele cara?” , o fato é que a vida é como é, e escolhas são sempre difíceis e sempre significam abrir mão de uma outra possibilidade.

Mas se você por acaso se sente insatisfeito com quem você se tornou hoje, é como minha avó semopre diz: ‘enquanto há vida, há esperança’. Busque para você o que ainda te falta e não abra mão do privilégio de ser uma pessoa única para ser só mais uma igual a tantas outras!

Eu me sinto feliz demais por ter me tornado quem sou hoje, com meus gostos, minhas paixões e meus sonhos, por mais que às vezes eu me sinta meio incompreendida e até solitária. Ainda bem que minha vida foi dessa forma e não de outra! Ainda bem que em uma manhã de 2007 eu resolvi ler Orgulho e Preconceito e não outra coisa qualquer. Porque, parafraseando a Clarice Falcão, se não fosse a Jane Austen não seria eu! ❤

Final Feliz

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Há pouco mais de 2 semanas atrás eu fui ao cinema assistir a estréia de Cinderela e prometi que faria um texto falando um pouco sobre as minhas impressões a respeito do filme. Como eu sempre sou acusada deser “a spoiler”, resolvi deixar passar um tempinho pra postar o texto e com isso também tive tempo para acrescentar outras reflexões.

Eu cheguei a comentar no facebook que não me encantei em nada com o filme e que ele também não me surpreendeu. Todo mundo sabe que eu amo as animações da Disney e amo os filmes de princesa (animações ou não), mas a Cinderela nunca foi uma das minhas princesas favoritas. A questão da submissão à madrasta sempre foi algo que me incomodou , isso porque acho que eu no lugar dela ia dar um jeito que fazer valer os meus direitos como filha ou simplesmente iria fugir dali, ou sei lá. Mas ainda assim fui ao cinema, pensando que essa versão não-animada do filme poderia trazer novos pontos de vista da história já conhecida, como acontece em Malévola Caminhos da Floresta, mas… não.

Essa versão de Cinderela é muito semelhante à animação de 1950, com exceção de alguns poucos detalhes em relação à mãe da personagem e uma questão política envolvendo o Grão-duque. E apesar de ter havido um pouco mais de conversa entre Cinderela e o príncipe antes de se apaixonarem perdidamente um pelo outro (aff), ainda não foi o suficiente pra me convencer. Já falei um pouco sobre essa questão de encontrar o ‘amor verdadeiro’ no post sobre A Pequena Sereia , mas aqui quero ressaltar outras duas questões que me levaram a pensar: a necessidade do príncipe e o final feliz.

Eu tenho que confessar que ainda me surpreende nem tanto o fato de que essas histórias de amor à primeira vista entre duas pessoas mega lindas ainda façam sucesso nos dias de hoje, mas principalmente o fato de ainda ter meninas/mulheres que acham que:

1 – existe um príncipe encantado (lindo, cavalheiro e rico) procurando por elas em algum lugar;
2- elas PRECISAM dele para serem felizes.

Vamos lá. Eu não sou cética e na verdade acredito muito no amor. Só não acredito em príncipes encantados (não mais). Acredito sim em caras legais, que tenham sensibilidade pra música e livros, que gostem de conversar com você e que te dão o devido valor e atenção e que não são perfeitos, mas são capaz de fazer com que qualquer momento seja perfeito quando vocês estão juntos. Esperar por esse cara sim eu acredito que valha a pena. PORÉM…

Ninguém PRECISA de ninguém pra ser feliz (também já falei disso aqui). Há um tempo atrás eu li um texto que dizia que não devemos procurar um amor pra preencher um espaço vazio, mas sim um amor que nos transborde. E eu acho que é bem por aí. Em primeiro lugar a gente tem que se sentir feliz com a gente mesmo, com quem a gente é, com nosso jeito, com nossos gostos, com nossos amigos, com nossa vida. E quando o seu amor vier ele só irá completar a felicidade que você já traz em si e você terá novos motivos para ser feliz.

*

Bem, vamos à segunda questão: o final feliz.
Outro dia eu estava conversando com o Derick sobre essa ideia de ‘final feliz’ e o quanto isso passou a me incomodar a partir do momento em que parei pra pensar um pouco mais sobre essa expressão. Por que será que tanta gente (e até eu mesma há um tempo atrás) tem esse sonho de ter um final feliz? Por que só no final? Por que esperar? Por que deixar pra ser feliz depois?

É como se a gente nunca fosse capaz de ser feliz com o que nós já possuímos. Isso é uma ingratidão gigante se a gente começar a considerar quanta felicidade existe em cada ‘pequena’ coisa que nós temos ou que podemos fazer. Eu, por exemplo, me sinto tão feliz por saber ler! Parece idiota, talvez até seja, mas é um conhecimento que eu tenho e que me ajuda a sim a ser feliz! E o que eu desejo pra mim não é um final feliz e sim um caminho feliz. Desejo ser continuamente feliz. Até porque, que final seria esse?

Esses filmes mostram apenas um recorte da vida e o que chamamos de ‘final’ não é final absolutamente. Final seria se os dois morressem e aí, curiosamente, as pessoas diriam se tratar de um desfecho trágico e triste, nunca de um final feliz. O que nos leva a concluir que esse tal ‘final feliz’ é uma grande utopia, assim como o ‘daqui a pouco’ ou o ‘amanhã’. Se estamos ainda vivos, não há final absolutamente (sei que já usei essa palavra ali em cima, mas ela é tão legal 🙂 ).

E pra terminar esse post bem piegasmente eu digo:
Seja feliz hoje, sinta-se completo, não adie sua felicidade pra outra hora e nem a deixe depender de mais ninguém.
Seja feliz by yourself e along the way! ❤

Wolverine

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E eu fui descobrir então
Que esse meu mutante coração
É que nem o Wolverine.

Tem um passado obscuro
(nem ele se lembra de tudo)
Mas passou por poucas e boas!

As lembranças que às vezes vem
Quase nunca lhe fazem bem
(sofreu nas mãos de cruéis pessoas).

Já esteve à beira da morte
E só sobreviveu porque é forte
E consegue se regenerar.

Acho que esse deve ser
Entre todos, o melhor superpoder:
Ser capaz de recomeçar.

Thaís Bartolomeu – 2015

A Pequena Sereia, Frozen e O ‘Amor Verdadeiro’

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Disney de novo! Siiiim, sempre! A Pequena Sereia, e um que eu amo bastante, Frozen.

Acredito que todo mundo que vai vir ler esse post, se não assistiu aos dois filmes pelo menos sabe do que se trata a história de cada um. Vou começar aqui falando das semelhanças de enredo entre os dois. Em ambos os filmes as protagonistas estão saindo da adolescência, Ariel com 17 anos e Anna com 18 e as duas tinham passado a vida toda loucas pra conhecer o mundo lá fora. Quando elas conseguem finalmente sair do ambiente em que estavam de certa forma presas, se apaixonam pelo primeiro cara que encontram e querem se casar com ele. E acho que as semelhanças acabam aqui.

Eu lembro até hoje da minha reação de susto quando assistindo a estréia de Frozen no cinema, vi a cena, logo no começo do filme, em que a Anna vai pedir o consentimento da irmã para se casar com o Hans e a Elsa simplesmente diz: Você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer. Eu fiquei tipo “Como é que ninguém nunca falou isso pras outras princesas antes???”

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Porque o que acontece em quase todos os filmes de princesa da Disney é que a protagonista se casa sim com um cara que acabou de conhecer!!! E eu digo ‘quase todos’ por que no meu filme de princesa preferido da Disney eles passam um bom tempo juntos, se conhecendo e lendo juntos, aquela coisa toda…  ai ai A Bela e a Fera)

Mas voltando aqui pra nossa análise, sinceramente não me espanta essa paixão sem noção pelo primeiro cara que te aparece pela frente quando você sai e conhece o mundo, o que foi insistentemente chamado nos filmes de ‘amor verdadeiro’. Primeiro porque quando você tem 17/18 anos você nem sem sempre age com a cabeça e eu sei o que é se sentir presa, sentir que você não pode fazer nada e querer subir no primeiro cavalo branco que vir na sua frente e ir pra um reino bem distante. O que me espanta realmente é todo mundo até então meio que achar normal os desfechos de casamento e felizes para sempre entre pessoas que mal se conhecem nesses filmes.

Eu nem vou comentar dos clássicos Branca de Neve, Cinderela A Bela Adormecida porque são realmente muuuuito antigos, mas A Pequena Sereia é de 1989 e ela não tinha um motivo sequer pra justificar ter se apaixonado pelo Eric. Mesmo assim a pessoa vai lá e faz um pacto com uma bruxa pra tentar ficar com o cara (oi?). E no final o próprio pai transforma a filha em humana pra ela ser livre pra viver ‘o amor verdadeiro’. Enfim. Elsa tem mais juízo que o rei Tritão.

É bom ver que as coisas estão mudando e mesmo se tratando de filmes infantis as mulheres estão tendo a oportunidade de desempenharem papéis menos ingênuos e irreais. O amor é algo que se constrói e acredito que muitas meninas, assim como eu, cresceram com a ideia de que o amor é uma coisa que acontece assim do nada. Que um belo dia você vai encontrar um cara que é tudo que você queria e vocês vão se apaixonar e namorar e se casar e (olha aí de novo) serão felizes para sempre. Mas quanta coisa acontece na nossa vida, quantos caminhos e descaminhos… E quem sabe até se a pessoa que vai ser seu grande amor não vai chegar porque , (quem sabe) ela até chegou e você ainda não se deu conta porque está esperando alguém fora do normal ou porque está insistindo com um cara de definitivamente não quer ser o seu príncipe.

Espero que os temas das próximas animações sobre princesas continuem se adequando às novas demandas como aconteceu com Frozen, e quem sabe daqui há um tempo tenhamos um filme em que o amor verdadeiro quebre o feitiço da friendzone. Ah, friendzone… Isso já vai ter que ser outro post.

O Que Eu Quero Mais é Ser Rei (para relembrar dos seus sonhos de infância)

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Entra ano, sai ano e uma coisa não muda pra mim: O Rei Leão continua sendo o melhor filme da história. Não é a toa que o primeiro artigo desse ano tem a ver com o meu tão querido filme, que inclusive também foi tema do primeiro post que eu fiz aqui há quase 1 ano atrás. Pois bem, agora vamos ao que interessa.

Dia desses lá estava eu ouvindo a trilha sonora de O Rei Leão no meu celular enquanto andava de ônibus por aí. E quando começou a tocar “O que eu quero mais é ser rei” eu fiquei pensando ‘Como é que pode? Quando o Simba era filhote ele era doido pra ser o rei, mas depois de tudo que aconteceu ele acabou aceitando a vida que o Timão e Pumba mostraram pra ele e simplesmente esqueceu do próprio sonho… Como é que pode?’

E então eu comecei a tentar lembrar das coisas que eu queria ser quando eu era criança, dos sonhos que eu tinha, das coisas que eu queria fazer na vida e principalmente da pessoa que eu queria me tornar. Será que está tudo caminhando como eu gostaria? Quando a Nala reaparece na história ela logo se preocupa e fazê-lo lembrar da infância e do seu sonho. É como se o próprio Simba criança voltasse para falar ‘Que história é essa de ficar aí comendo esses insetos e deixar de lado todo o reino que seu pai te deixou?’

E eu fiquei imaginando, se a Thaisinha criança viesse aqui falar comigo, o que será que ela iria me dizer? Acho que começaria com algo do tipo ‘Você está ficando doida???’. Quando eu era criança sempre inventava muita história pras minhas Barbies e por várias vezes comecei a escrever livros com essas histórias, o que é algo que eu ainda trago comigo. Mas fora isso, eu também brincava de ter vários empregos, até porque eu podia fazer de tudo, desde um bolo de terra até apresentar um Talk Show. Hoje em dia o que eu faço com todas as coisas que eu sei? Com certeza eu poderia estar fazendo mais.

Muitas vezes a vida adulta nos leva a uma acomodação como a do Simba em sua nova filosofia de vida Hakuna Matata. Não que ela não seja muito válida, mas a verdade é que viver com menos problemas também significa viver menos. Escolhemos fazer o que nos dá menos trabalho, o que nos cansa menos mas muitas vezes isso também pouco nos satisfaz. Será que não estamos nos subestimando e levando uma vida medíocre, fazendo coisas medíocres?

O que acontece conosco quando estamos nessa situação é aquilo que o Mufasa (em espírito) vem dizer pro Simba: Você se esqueceu de quem você é. Sendo assim, vale lembrar também do que ele fala em seguida e que para mim é uma das frases mais marcantes do filme: Lembre-se de quem você é!

O tempo passa, coisas ruins acontecem, pessoas aparecem pra dizer que você não deve insistir em determinado projeto ou que você não é capaz de alcançar algumas coisas. Nós sentimos medo, nós nos sentimos pressionados, nós paramos, nos reformulamos e esquecemos de quem somos, daquilo que queríamos ser. Esquecemos quem podemos ser, da nossa força, dos nossos talentos, dos nossos sonhos, da nossa capacidade de reerguer das cinzas um mundo destruído.

Quando eu era criança eu queria ter um quarto só pra mim numa casa de dois andares com uma sacada, queria saber falar todos os idiomas e aparecer na televisão. Queria que as pessoas parassem para ouvir minhas histórias e emoldurassem pra pôr na parede os desenhos que eu fazia. Eu queria saber desenhar pessoas e queria gravar uma música. Queria ter um cabelo grande e bonito, queria não ter que ouvir piadinhas por causa dele. Eu queria ser feliz, ter as coisas que eu queria ao meu alcance, queria não me sentir inferior a ninguém em nenhum sentido. Quem eu sou hoje?

Hoje finalmente tenho a independência que eu e toda criança sonha, mas condiciono muitas coisas que pertencem só a mim à opinião dos outros, como a minha auto-estima, por exemplo. Quem nós nossos? Somos uma rotina chata? Somos um emprego maçante? Somos estudar só pelo diploma? Somos o nosso facebook? Somos a descrição do Twitter ou do Instragram? Somos a quantidade de curtidas numa foto? Somos a quantidade de ‘amigos’ e seguidores? Não, nós não somos isso. Não acredite se alguém disser que você é isso. Lembre-se de quem você é. Seja o Rei pelo menos da sua própria vida e, como diz Tiago Iorc, procure a criança dentro do homem adulto.

Lembre-se de quem você é.

Body and soul, I am a freak!

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Me sentir deslocada é algo que faz parte de mim desde que eu era criança. Desde que eu ouvi a história d’O patinho feio pela primeira vez eu já me identifiquei. Não por me achar feia em si, mas porque sempre me senti, em certa medida, uma estranha no ninho.

Com o passar dos anos eu fui percebendo que o fato de me sentir deslocada na maior parte dos lugares em que frequentava se dava principalmente pelo fato de eu ser uma pessoa tímida. É bem verdade que nas minhas recentes experiências mundo a fora eu acabei descobrindo que não sou tão tímida quanto eu pensava, mas, ainda assim, sou bastante tímida.

E essa timidez que me acompanha desde sempre acabou fazendo com que eu criasse espaços meus, mundos particulares em que eu pudesse me expressar e me sentir acolhida. E foi nos filmes, nos livros e nas músicas que acabei encontrando, de certa forma, o meu lugar. Ontem eu estava assistindo ‘Matilda’, que é simplesmente um filme perfeito, e fiquei refletindo um pouco mais sobre isso. Felizmente a minha família não era tão caótica quanto a dela, mas às vezes o sentimento de não ser compreendida ainda persiste.

Com o passar do tempo fui percebendo que além do problema da timidez, o que me fazia e ainda me faz sentir deslocada no mundo é o fato de não pertencer a nenhum grupo específico, não ser definitivamente uma coisa só. Que rótulo eu poderia colocar em mim? A que lugar eu pertenço?

Eu amo ler, amo literatura, mas a Universidade não é a minha única casa. Há diversos clássicos da literatura que eu não li e nem sei se vou ler e há milhões de autores que eu nunca ouvi falar. Eu amo música, principalmente Rock, mas eu não sou isso… Ouvi uma música do Led Zeppelin pela primeira vez antes de ontem. Eu adoro sair, adoro festinhas e reuniões mas eu não bebo (nada de álcool, de jeito nenhum) e acho maluquice beber. Então sempre que saio em grupo para determinados lugares eu só faço parte até certo ponto.

De todas as coisas que eu faço e que eu gosto não há nada que me reduza ao ponto de me definir. Assim como algumas poucas pessoas, sou uma freak, uma outsider.

E é por isso que eu passo e preciso mesmo passar certa parte do meu tempo sozinha, porque não há ninguém nesse mundo que me entenda plenamente ou com quem eu me identifique amplamente. E são pouquíssimos os amigos de verdade que eu tenho, pouquíssimas as pessoas que estão do meu lado mesmo quando, como diria John Mayer, ‘I am not myself’. Porque às vezes eu ajo de uma maneira tão diversa do que eu gostaria que eu realmente me sinto outra pessoa.

Eu não queria que esse texto fosse meramente um relato pessoal, eu gostaria que ele tivesse alguma utilidade pra você que está lendo… E essas ideias vieram à minha cabeça porque eu tenho observado ultimamente a quantidade enorme de pessoas no mundo que tem uma vida perfeita, que sabem exatamente quem elas são e o que as definem (palmas pra elas). Eu não tenho outra definição além de freak, que na verdade não define nada.

Se você se encaixa perfeitamente na vida que você tem, na família que você tem e consegue se sentir plenamente parte dos meios sociais onde você vive (igreja, escola/faculdade, grupos de amigos etc), provavelmente esse texto não faz o menor sentido pra você. Então desculpe ter feito você ter lido isso tudo pra nada.

Mas se, por mais que você goste de alguma coisa ou de algum ambiente ou de alguma pessoa, vez ou outra você se pergunta “O que é que eu estou fazendo aqui?”, temos algo em comum.

Ser um freak é se sentir um pouco forasteiro em qualquer lugar, até mesmo naqueles que você conhece a sua vida toda. É perceber que em certos ambientes você é sempre o estranho, o que vê graça no que ninguém vê, o que se emociona com o que ninguém se importa, o que fala coisas que todos acham a maior bobeira do mundo.

Ser um freak é nunca parecer maduro o suficiente, porque sempre alguém vai te dizer que nessa idade você não deveria mais gostar de determinada coisa ou agir daquela forma. O freak é aquela pessoa inacabada, aquela tal metamorfose ambulante que já virou cliché, que muita gente diz que é, mas que na verdade poucos são os que enfrentam a dor de, de tempo em tempo, ter que se isolar um pouco e perder um pouco do seu antigo corpo pra ganhar formas novas.

Ser um freak é muitas vezes parecer que você nasceu na época errada. É querer ter ido em Woodstock mas também achar que você não viveria sem internet.

Acho que nessa vida todo freak tinha que encontrar o seu love-freak pra viver feliz pra sempre. Alguém que também está meio à margem pra ficarem os dois falando de coisas que resto das pessoas normais e bem-resolvidas simplesmente não entenderiam. Eu já conclui que não seria feliz com uma pessoa-padrão e espero um dia poder dizer que encontrei o meu outsider, pra sair por aí sendo só a gente mesmo, ouvindo nossas músicas e tendo nossas crises de riso.

Somos muito mais do que dizem que somos. Aprendi com o “Clube dos Cinco” que as pessoas-padrão sempre vão nos enxergar ‘em termos mais simples e com as definições mais convenientes’, sempre querendo nos dar um rótulo de ‘um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso.’ Mas somos muito mais do que isso! E há em todos nós, os que estamos sempre um pouco de fora, o incrível desejo de apenas se sentir completo, mesmo com toda a nossa aparente estranheza.

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