Cansaço

depressed

Estou com a vista cansada de olhar sempre para as mesmas coisas

E com os ouvidos desacreditados por ouvir tantas mentiras.

As pernas hoje já não querem correr e a voz quer ficar escondida no fundo da garganta

Porque essa tarde cinza me fez achar que tudo é vão.

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A não ser escrever, é claro. Escrever continua sendo eficaz!

Talvez ainda a única coisa capaz de me dar novas perspectivas, ainda quando uso as palavras de sempre.

Porque há nas palavras sempre alguma novidade, se você crer nelas.

E ainda que o mundo lá fora me faça não querer crer em mais nada, aqui dentro ainda creio nas palavras.

Elas não se cansam, nem se enfadam ou desistem.

Elas não mentem, não me decepcionam nem me abandonam.

Ao contrário das pernas exaustas, minhas mãos ainda correm ao papel em branco em busca de algo.

E enquanto houver espaços em branco e palavras a serem ditas, nenhum cansaço me fará desistir.

Top 5 – Filmes que marcaram minha infância

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Já é uma tradição eu compartilhar aqui no blog algumas das minhas impressões sobre filmes que eu gosto e que são importantes na minha vida de alguma forma. E realmente eu AMO cinema! Há muitos e muitos filmes que acho incríveis e tudo mais, mas resolvi pela primeira vez organizar essa listinha com 5 dos filmes que assisti quando era criança e que marcaram muito a minha infância, contribuindo muito para quem eu sou hoje.

1 – Edward, mãos de Tesoura 

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Só pra ir na contramão, vou começar minha listinha com um filme que não é infantil! rsrs

Eu me lembro de assistir Edward, mãos de tesoura várias e várias vezes na Sessão da Tarde e acho que foi o primeiro filme que chorei assistindo. (Segundo minha mãe não eram poucas às vezes que ela me surpreendia chorando assistindo algum filme na TV quando criança.)

Lembro do quanto eu achava tudo muito injusto! O criador dele morrer justo quando ia lhe dar as mãos e o Edward sempre sendo prejudicado pelos outros sendo inocente! Que peninha que eu sentia dele! Ficava achando que ele merecia ser feliz e ter o direito de conviver com as pessoas e poder estar perto da garota que amava… Mas… Não.

Acho que ali de certa forma eu comecei a pensar que nem tudo na vida iria acontecer da maneira que a gente achasse certa ou justa e que muita gente simplesmente nunca iria compreender a nossa peculiaridade ou até mesmo estranheza. E acima de qualquer coisa sempre admirei o Edward por ele ser um artista. Com certeza esse era o lado mais humano dele e essa sensibilidade ele manteve o tempo todo.

2 – Matilda

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E ainda sobre isso de ser “a pessoa diferente” temos Matilda, que é até hoje muita minha ídola! Por que será?! 😀

Como não amar a menina que vivia em uma família que não tinha nada a ver com ela mas acabou encontrando conforto e companhia nos livros?! E fora que eu achava tão legal os superpoderes dela de conseguir controlar as coisas! Metaforizando um pouco, eu acho que isso tem a ver com o poder que passamos a ter sobre o mundo a partir da leitura. Pelo menos é assim que eu entendo.

3 – Harriet, a espiã

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Nooooosssa, como eu amo esse filme! Esse é um filme que de fato me marcou demais! Isso porque foi depois de assisti-lo que eu decidi começar a anotar tudo que acontecia na minha vida, assim como a Harriet fazia. E isso com certeza mudou minha vida. Foi ali com uns 12 anos que resolvi começar a escrever sistematicamente e passei a me encontrar na escrita.

Acho que esse filme não é muito conhecido, então vai aqui uma breve sinopse! Ele trata dos conflitos de uma pré-adolescente que queria ser jornalista e fazia investigações na sua vizinhança e também anotações sobre as pessoas com quem convivia. Quando seu caderno vai parar nas mãos daquelas típicas ‘meninas malvadas’ da escola, todo mundo acaba sabendo das observações que ela fazia das pessoas, nem sempre coisas agradáveis. E então durante o filme, excluída por todos, sofrendo bullying e não sendo compreendida pelos pais, Harriet tem que achar um jeito de consertar as coisas. (Eu acho que não sou muito boa com sinopses em geral, mas vale muito a pena assistir!)

4 – Titanic

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“Oi? Como assim?” Sim, pessoas! Titanic marcou minha infância! rsrs Minha prima mais velha tinha as duas fitas de vídeo (eu me entregando) do filme e a gente assistia praticamente todo dia assim que ela comprou. (E sempre adiantavam aquela parte dele no carro quando eu estava junto, afinal eu tinha só 7/8 anos.)

Até hoje Titanic é um dos meus filmes preferidos, que eu assisto toda vez que está passando em algum canal e me sinto incapaz de assistir sem comentar porque eu o acho perfeito demais!!! Muito bem feito, todos os detalhes, tudo incrível!!! Se eu pudesse eu daria mais Oscars pra Titanic porque realmente é merecido! Mas enfim…

Considero que Titanic tenha marcado minha infância também porque eu assisti muitas vezes ao longo dela e porque sempre pensava várias coisas. Tipo que foi azar pro Jack ter ganhado a passagem porque acabou morrendo… Mas, por outro lado, sem ele a Rose teria se matado. E também sempre pensei no quanto às vezes pessoas que acabamos de conhecer fazem por nós coisas incríveis que outras que nos conhecem há anos jamais fariam. Porque o Jack fez questão de ficar com ela até o final. ❤

E quanto ao problema se eu cabia ou não cabia lá no pedaço de madeira eu prefiro me abster mais uma vez. rsrs

5 – O Rei Leão

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Ah! Por essa ninguém esperava! hahaha

Acho que todo mundo já sabe que O Rei Leão é o meu filme preferido. Não é o desenho preferido, não é o ‘da Disney’ preferido. É de fato o meu filme preferido entre todos os filmes já feitos na história da humanidade! \o/

Os motivos para eu amar O Rei Leão são tantos que daria mais vários posts pra falar a respeito. Mas pra mim esse filme é o que mais me ensinou (e ainda ensina) coisas até hoje. Se um dia eu realmente fizer uma tatuagem ela será da frase “Lembre-se de quem você é”. Que é um dos meus maiores desafios na vida, me lembrar de quem eu sou e não abandonar os meus sonhos, por mais que sempre tenha gente ruim pra nos convencer que isso é o melhor a fazer.

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Bem, esse foi o meu Top 5 dos filmes que marcaram a minha infância e eu curti demais fazer isso. Eu acho que deveria ser uma criança meio estranha! hahaha Foi engraçado perceber que em todos esses filmes tem alguém que se sente ou é literalmente excluído e que há essas lições sobre a vida não parecer mesmo justa às vezes… Mas o bom é que todos eles me motivaram, me fizeram pensar um pouco sobre como as coisas funcionam e sobre tentar encontrar um sentido pra tudo isso.

Literalmente eu cresci com esses filmes. ^_^

Becoming me

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Eu conheci a Jane Austen quando eu tinha cerca de 16 anos e, explorando a linda biblioteca da minha escola, resolvi começar a ler um livro chamado Orgulho e Preconceito. Pelo título eu achei que o livro trataria de ódios e rancores, tramas de vingança! Mas para a minha surpresa, o livro era um romance belíssimo! Até hoje é um dos livros que mais amo na vida! Como eu aprendi com ele! Como ele é parte de quem eu sou!

Esses dias, dando uma olhada em adaptações da Jane para o cinema, acabei descobrindo que havia um filme sobre a vida dela chamado Becoming Jane, horrivelmente traduzido para o português como Amor e Inocência. Fui assisti-lo e simplesmente… é muito lindo e é muito amor! E eu ressaltei aqui o quanto foi ruim o nome dado ao filme em português porque ele trata fundamentalmente de como a Jane Austen se tornou a Jane Austen, como se tornou a escritora que hoje nós conhecemos e (falando de mim e de minhas amigas) amamos.

E depois de conhecer mais da história de vida dela ao assistir Becoming Jane, depois de saber como ela foi crescendo como escritora a partir das experiências que passou como filha, como irmã, como mulher naquela época e principalmente como leitora, eu fiquei pensando em como é que eu me tornei essa pessoinha peculiar e projeto de escritora que sou hoje.

Fiquei lembrando da música Capitão Gancho, da Clarice Falcão, em que ela fala de diversas coisas aleatórias de sua vida que, segundo ela, são responsáveis por ela ser quem é. E acho que é bem assim mesmo, não são só os grandes acontecimentos que nos formam. Cada pequena coisa, palavra dita ou ouvida, carinho recebido ou negado, tudo que até hoje já nos aconteceu foi direcionando os nossos sonhos e as nossas escolhas. E a maneira como nós lidamos com tudo de bom e ruim que acontece ao nosso redor vai aos poucos formando o nosso caráter.

E mais uma vez eu retomo aqui a importância das decepções na nossa vida pra que a gente cresça, pra que a gente descubra a nossa força e a nossa capacidade de se levantar do chão.  E ainda bem que todos os meus amores de adolescência foram platônicos! Pois assim eu fui pesquisar o que queria dizer platônico e assim conheci Platão. E ainda bem porque, por conta disso e da minha mania de ficar escrevendo o nome dos meninos por quem me apaixonava em todo lugar, comecei a rascunhar poemas onde eu repetia e repetia os seus nomes infinitamente.

Talvez se a Jane Austen não tivesse amado tanto o Thomas, ela não tivesse criado um homem tão perfeito como o Darcy. E talvez, se ela tivesse se casado com ele, ela teria visto que ele não era tão tudo de bom assim, daí o Darcy e seus outros protagonistas talvez não seriam tão idealizadamente perfeitos. Vai saber! Mas o que eu quero dizer é: ainda bem que as coisas são como são! Eu aprendi com Luís Fernando Veríssimo que a versão real da nossa vida, aquela que de fato vivemos, é sempre a melhor de todas porque é a única de fato possível. O restante é fantasia.

E por mais que a gente, vez ou outra, se pergunte “E se eu tivesse aceitado aquele emprego?” , “E se eu tivesse entrado para aquela faculdade?” , “E se eu não tivesse terminado com aquele cara?” , o fato é que a vida é como é, e escolhas são sempre difíceis e sempre significam abrir mão de uma outra possibilidade.

Mas se você por acaso se sente insatisfeito com quem você se tornou hoje, é como minha avó semopre diz: ‘enquanto há vida, há esperança’. Busque para você o que ainda te falta e não abra mão do privilégio de ser uma pessoa única para ser só mais uma igual a tantas outras!

Eu me sinto feliz demais por ter me tornado quem sou hoje, com meus gostos, minhas paixões e meus sonhos, por mais que às vezes eu me sinta meio incompreendida e até solitária. Ainda bem que minha vida foi dessa forma e não de outra! Ainda bem que em uma manhã de 2007 eu resolvi ler Orgulho e Preconceito e não outra coisa qualquer. Porque, parafraseando a Clarice Falcão, se não fosse a Jane Austen não seria eu! ❤

Escrever à lápis

lapis_papel

Amor é palavra de se escrever à lápis.
Porque na hora em que se escreve
É difícil realmente saber
Se é amor, de fato.
E se é definitivo.
Não sabemos se precisaremos apagá-la
Um dia…
Do diário da nossa vida
Para depois, em seu lugar,
Vir a escrever
‘paixão’
‘encantamento’
‘fascínio’
‘carência’
‘ilusão’
Ou outro termo mais apropriado
Para o momento em que se der conta
De que não era amor, de fato.

Entrevista com a escritora Luana Helena

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  • Quando começou a sua paixão pelos livros? O que você se lembra dessa época?

Bom, segundo meu pai, desde bem pequena eu preferia a seção de livros a de brinquedos no supermercado…rsrs… Eu sempre tive livros, gibis, histórias, fantoches e outras coisas do tipo à disposição. Não sei dizer quando começou, creio que eu já nasci apaixonada.

  • Qual foi o primeiro livro que você leu? Conte um pouco sobre essa experiência.

Outra pergunta que não sei te responder! Livro mesmo eu não me lembro. Lembro muito dos gibis da Mônica. Fui alfabetizada, praticamente, em casa, então os gibis tiveram grande importância. Eu costumava brincar de recortar as personagens e criar novas histórias.

  • Você se lembra do primeiro texto literário que escreveu? (foi uma história, uma poesia… do que você se lembra sobre isso?)

Pensando em publicar, foi o Água de Sereia, em 2013, que nasceu em forma de conto, mas tenho me aventurado desde que me conheço por gente. Com uma cara um pouco mais profissional, escrevi de 2007 a 2010 uma história no meu extinto blog, o Sina Nossa. Tinha um número legal de leitores assíduos, fiz amizades, melhorei minha escrita… Foi uma época bem legal.

  • Quando você percebeu que gostaria de ser escritora?

Eu sempre quis trabalhar com a escrita, mas tinha vergonha de dizer que queria ser escritora. Não queria ser tachada de doida e ouvir aquele papo de que isso não dá dinheiro, então fui procurando alguns caminhos alternativos. Já quis ser jornalista, atriz, tive vários blogs, fiz Letras…. Dei muitas voltas até que resolvi assumir a profissão em maio de 2013.

  • Quais autores fizeram parte da sua formação como leitora e em quais você mais se espelha para a sua escrita?

Nossa… Muitos, mas principalmente os brasileiros. Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Pedro Bandeira, Drummond, Vinícius, Guimarães Rosa… Gosto muito dos clássicos.

A simplicidade e o contato com a natureza do Manoel de Barros me inspiram nos textos infantis, enquanto a Lygia me mostra a profundidade nos contos.

  • Fale um pouco da sua carreira como escritora. 

Sou mãe e autora dos livros Água de Sereia e Um Gigante de Estrelas, lançados, respectivamente, em 2013 e 2014. Tenho mais um título infantil em produção com previsão de lançamento para novembro deste ano, além de um livro de contos ainda sem data de lançamento.

Além de autora, sou minha divulgadora! Sou independente, então tenho que vender meu peixe. Visito escolas, desenvolvo projetos de leitura, faço contação do Água de Sereia, palestras sobre os livros e a vida do escritor… Gosto muito de estar entre os leitores!

  • Como você concilia sua carreira de escritora com a de professora?

Correndo e trabalhando muito! O tempo é curto, mas tento aproveitar da melhor maneira possível, então, reservo duas tardes da minha semana para a divulgação do livro. Para escrever, conto com os pequenos momentos livres…rsrs

  • Qual você considera o momento mais bonito de ambas as carreiras?

Na de professora, quando um aluno que não gostava de ler ou estudar passa a gostar porque ouviu uma palavra boa na sua aula. Isso não tem preço.

Na de escritora, quando criamos sonhos na cabeça do leitor. Um leitor com sonhos é a coisa mais linda de se ver!

  • Qual é o seu maior sonho como escritora?

Ter minhas histórias espalhadas pelo Brasil e também traduzidas em outros idiomas. Como divulgadora do meu trabalho, é palestrar em um evento literário internacional.

  • O que a literatura representa pra você?

Representa o que eu sou e o que me falta ser.

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Para conhecer mais do trabalho da Luana, visite 

https://www.facebook.com/pages/%C3%81gua-de-Sereia/1386122131619318?ref=ts&fref=ts

A Inspiração é uma força gravitacional

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Meu quarto ^_^

Eu não sei muita coisa de física, mas tenho a impressão de que, pelo menos no meu caso, a Inspiração e o Sono são duas forças opostas.

Chego em casa tarde da noite, faço um carinho no meu gato, tomo um banho, como alguma coisa e eis que surge então o meu primeiro dilema: dormir ou ficar trocando mensagens com meus amigos? Neste primeiro confronto em todas as vezes ganha a segunda opção. E sigo conversando noite a dentro até que todos estejam dormindo e eu fique sozinha no reino outra vez.

Round 2: ir dormir ou ler alguma coisa? Bem ao lado da minha cama fica a minha estante, dividida em cinco prateleiras. Em quatro delas os meus livros ficam separados por categorias que geralmente tem a ver com a origem da produção literária, literatura brasileira, portuguesa, inglesa, francesa, norte-americana e por aí vai.

Sendo eu uma compradora compulsiva de livros, sempre tenho ali algum livro novinho me esperando para ser explorado. Daí eu penso nos meus professores do mestrado, na quantidade de coisas que eles já leram e no quanto eu ainda não li nada nessa vida… Penso no quanto eu ainda preciso ler. Penso, penso, penso e a segunda opção acaba ganhando de novo.

Como eu costumo receber sempre boas sugestões a respeito de que livros comprar, é comum que eu me depare a esta altura da madrugada com algo genial. Por ‘esta altura da madrugada’ leia-se algo em torno de 3h ou 4h da manhã. É bem nesse momento que coisas estranhas começam a me acontecer.

Os meus olhos começam a querer fechar-se contra a minha vontade, a cabeça começa a pesar e então eu me dou conta de que o meu corpo já não está mais suportando estar ativo e que precisa entrar em repouso. Eu pego um dos marcadores da minha coleção, o coloco na página em que parei, fecho o livro e o ponho na mesa que fica à direita da minha cama, junto com alguns outros que estão com a leitura por terminar. Apago a luz, pego a coberta, deito-me com o abdomem para cima e minhas mãos ficam inquietas sobre ele. Logo me viro para um lado, então para o outro, me cubro, me descubro e logo descubro que começou a homérica luta entre as duas forças que mencionei no início. Inspiração x Sono: A batalha final.

A minha experiência já me fez ver que essas duas forças são realmente poderosas, nenhuma nunca quer ceder e eu sempre fico tentando não reagir a nenhuma delas. É impossível! O empate não é uma opção, elas não entram em acordo, é preciso que haja apenas uma vencedora.

O meu cérebro me orienta a dormir, minha consciência me convence de que é o melhor a se fazer, afinal em poucas horas eu precisarei estar de pé outra vez para mais um dia cheio e meu corpo vai precisar estar descansado. ‘Bobagem!’ , me diz a musa ao ouvido, “Você deve escrever!”.

Eu não mencionei, mas na quinta divisão da minha estante ficam os meus cadernos. São meu confessionário, minha fonte dos desejos, são o palco em que eu atuo. Nos meus cadernos eu escrevo tudo o que acontece ao redor de mim, coisas que são só minhas e também muitas das coisas que depois eu venho postar aqui. E tão logo a Inspiração começa a exercer sua força sobre mim, eles começam a me encarar dizendo “Vamos, escolha logo um de nós e comece a escrever!”. Finalmente eu me rendo a esses doces apelos, nada de dormir (mais uma vez).

Depois de pensar bastante sobre isso tudo e de conversar com meu amigo quase-físico, conclui que a força do Sono é uma força de resistência, enquanto a força da Inspiração é uma força gravitacional. O Sono vai tentando parar o meu corpo mas a Inspiração me puxa com toda a sua intensidade, quer me fazer descer ao papel de todo jeito. E a massa do caderno, infinitamente maior do que a da minha modesta mão direita, acaba por atraí-la até às suas folhas sem chance de fuga.

E ao cabo de algumas horas sai o texto pronto. Às vezes conto, às vezes poema, às vezes uma reflexão qualquer. E é geralmente assim que o meu dia nasce feliz, quando o mundo inteiro acorda e eu finalmente vou dormir depois de ter cumprido a minha missão. Porque escrever é só o que eu sei fazer, e acho que é a melhor contribuição que eu posso dar ao mundo. E não me importa que eu tenha que viver esse embate de forças opostas por quase todas as minhas noites, contanto que a força resultante dessa batalha seja sempre um texto cheio de sinceridade e poesia.

Isso é também o que eu quero na vida

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Hoje eu vivi uma experiência muito linda na minha vida, que foi assistir no cinema o filme “A culpa é das estrelas”. Sei que o filme estreou há dois dias e que nesses dois dias várias pessoas já assistiram e já relataram de suas lágrimas e comoção no facebook (o que eu mesma também fiz). Mas logicamente, sendo eu uma pensadora em tempo integral, resolvi elaborar um texto minimamente estruturado para falar das minhas reflexões.

Há muito tempo que eu não parava para assistir uma filme romântico assim, e na verdade não me lembro de ter chorando vendo algum filme no cinema. A história de “A culpa é das estrelas” é realmente muito bonita e tocante, e me deixou encantada porque eu encontrei nela certa profundidade. Gostei muito de ver como o amor entre os protagonistas foi surgindo aos poucos e que começou de um interesse mútuo, por mais que a Hazel tivesse tentado disfarçar ou evitar sentir o que estava sentindo por algum tempo.

Também fiquei completamente encantada pelo Augustus, que de fato é um cara incrível e que provavelmente não existe em sua totalidade na vida real. Tanto ele quanto a Hazel têm umas falas muito bonitas a respeito da vida e especialmente do amor, mas eu me identifiquei muito com o Gus desde o início devido ao seu medo de ser esquecido, porque isso é algo de que de certa forma eu também temo.

Eu também quero ser lembrada pelas pessoas quando eu já não estiver mais por aqui. Na verdade é mais do que isso. Eu quero morrer sabendo que eu fiz a diferença na vida de alguém e que por isso essa pessoa jamais se esquecerá de mim. Por conta disso eu resolvi começar a divulgar meus textos aqui, porque creio que assim, de uma certa forma, eu estou deixando um legado. Se não sair do ar ou acontecer qualquer coisa do tipo, mesmo quando eu já tiver partido, todos vocês poderão vir aqui e ler meus textos e talvez alguma palavra minha faça bem a alguém que ainda nem nasceu e que eu nunca vou conhecer.

Eu fico feliz em saber que, mesmo com pouco tempo, o meu blog tem sido relevante na vida de algumas pessoas. Bem que eu gostaria de ser como Machado de Assis e ter meus textos lidos mesmo depois de um século de que foram escritos… Mas pelo menos eu acho que deixar algumas das minhas palavras registradas já me dá uma certa imortalidade. E quem não quer ser, além de inesquecível, imortal? Todos os poetas são imortais. Mas seria isso o bastante? Não para mim…

Porque, assim como acontece no romance/filme, eu tenho o desejo de ser memorável para alguém especial. Ser o amor da vida de alguém e ser inesquecível para essa pessoa de uma maneira única. Diante disso percebi que além de ser lembrada eu também quero amar e ser amada nessa vida. Isso é também o que eu quero na vida.

Como eu pensei sobre o amor hoje! E pensei tanto, tanto… e no fim das contas acho que tenho mais peguntas do que respostas. Como é que a gente sabe que ama uma pessoa? Como é que a gente sabe que está sendo amada? Como é que a gente sabe que aquela pessoa é o amor da nossa vida? Por que e como a gente se apaixona por alguém? O que é de fato amar alguém?

O amor nem sempre é uma certeza, na maior parte das vezes é mesmo uma grande dúvida… porque a gente não sabe muito bem nem falar sobre ele, apesar de sempre parecer haver muito a se dizer. Acho que quando a gente ama uma pessoa, nós não conseguimos imaginar mais o nosso mundo sem ela, parece que sem ela tudo vai ficar sem graça e sem sentido. Se o amor for isso mesmo, será que eu já amei?

O amor é algo tão fora dos limites da compreensão humana que simplesmente não há uma definição exata e fechada sobre ele e nem dá pra dizer exatamente quando ele surge. E eu fiquei pensando que a gente pode começar a amar uma pessoa através de tantos caminhos diferentes… Eu estava inclinada a achar que isso tinha algo a ver com gostos em comum, afinidades no modo de pensar… Mas não é isso. Porque eu conheço alguns rapazes que tem tanto em comum comigo, na música, na poesia, nos valores, nos sonhos… e no entanto são meus amigos porque o meu coração não bate além do normal quando estamos juntos e os meus olhos não brilham. Como o amor é subjetivo!

Então talvez amar tenho mesmo as suas próprias razões, aquelas que até a própria razão desconhece. E talvez amar alguém tenha muito mais a ver com estar disposto a abrir as portas do seu mundo para o mundo desconhecido de alguém, e talvez o mundo dele não tenha necessariamente muito em comum com o seu. Talvez você simplesmente perceba que o sorriso desse alguém era tudo o que ainda estava faltando na sua vida e pronto. Talvez seja só isso. Talvez seja só não poder mais ser totalmente você sem o sorriso da outra pessoa.

E é claro que, como eu mesma já disse aqui, não precisamos de outra pessoa para sermos felizes. Podemos ser felizes só com o que a vida já nos proporciona, mas seremos sem dúvida pessoas incompletas se vivermos sem amor… sem aquele abraço que te abriga e sem aquele beijo que te dá arrepio. E é claro também que todos nós encontraremos o amor das nossas vidas. Isso eu não digo por experiência própria, mas porque conheço pessoas que já encontraram.

O amor é um sentimento que existe necessariamente para ser compartilhado. E se você ainda não encontrou alguém pra você dar todo esse amor que todos nós temos, ainda te falta algo, como falta a mim. E talvez exista mesmo esse tal acaso que vá nos proporcionar, qualquer dia desses, tamanho encontro de almas! Pra essa pessoa deixar pra sempre um pouco dela em você e pra você poder deixar um pouco de você nela para sempre.

Spend More Time Writing

maxresdefaultGente, eu sei que eu sumi! rsrs

Fiquei sem postar nada por mais de duas semanas e eu mesma senti muita falta disso!

Felizmente, voltar a postar foi uma das coisas boas que esse feriadão vindo em tão boa hora me proporcionou!

Hoje, logo que acordei, senti uma vontade imensa de ouvir “Story of a man” , do Tiago Iorc e foi o que eu fiz! E dessa vez essa música falou comigo de uma forma muito especial. Fiquei cantarolando o dia todo, fiquei com ela na cabeça o dia todo!

Fiquei pensando em como eu de fato tenho gastado o meu tempo com coisas sem valor nesses últimos dias… Tenho gastado tempo demais fazendo projeções e idealizações para o futuro e me preocupando demais com o que os outros pensam de mim. Tenho gastado muitas horas tentando ter controle sobre o tempo, tentando domar o destino.

Esse tempo que eu já gastei não vai voltar, mas eu ainda posso fazer diferente a partir de hoje! Eu posso gastar o meu tempo com o agora! Eu posso e devo gastar o meu tempo com as coisas que me fazem feliz e que, principalmente, me fazem ser quem eu sou de verdade!

E é por isso que eu decidi gastar mais tempo escrevendo! Não só nos meus diários como eu já faço há anos, mas também aqui no blog porque vi que bastante gente gostou do que já escrevi até agora… E, afinal, de que servem belas palavras se elas ficam trancafiadas dentro de cadernos que ninguém nunca vai ler?! As palavras existem para aproximar as pessoas e é nisso que eu quero gastar o meu tempo daqui para frente! Quero ser uma construtora de pontes!

O meu grande amigo Igor sempre me diz que não posso ficar me preocupando tanto e que eu tenho que deixar as coisas acontecerem porque tudo que tiver de acontecer na minha vida vai acontecer no tempo certo, e que ficar querendo antecipar as coisas, além de não adiantar nada, só serve para trazer sofrimento.

Ele está certo.

E hoje, além de ter escutado muito essa música do Tiago Iorc, também estive ouvindo uma linda música do meu amigo Ian, chamada “Fotografia” que fala justamente sobre aceitar as coisas que já passaram e esperar pelas próximas experiências que a vida irá nos trazer : ‘Deixa ser como será e o destino se encarregará.’

E tentando sintetizar isso tudo na minha cabeça eu conclui que realmente a melhor coisa que eu tenho a fazer é gastar mais tempo escrevendo!

Pois quando eu escrevo eu me sinto mais leve, mais inspirada e mais tranquila. E isso de escrever para leitores é de fato incrível! Por isso espero continuar escrevendo textos que proporcionem às pessoas a mesma sensação de felicidade e aprendizado que eu sinto quando escrevo.

 

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