Entrevista com o músico e escritor Pippo Pezzini

  • Você tem projetos tanto na literatura quanto na música. Como é a sua relação com essas duas artes?

Elas se complementam. Preenchem espaços diferentes no meu âmago, mas em algum momento, acabam se encontrando numa poesia musicada, quando escrevo e escuto música. O que muda é a linguagem, a forma e a técnica. Não consigo viver sem as duas. Como diria Nietzsche: Sem a música, a vida seria um erro. E completo: Sem a literatura também.

  • O que veio primeiro na sua vida, o desejo de ser músico ou de ser escritor? Como foi isso pra você?

A música esteve sempre presente na minha vida. Ouvia meu pai cantando quando era pequeno, ficava mexendo nos discos e ouvindo. Sempre tive um fascínio. Passei uma parte da infância no Japão, então tive aulas de música na escolinha. Quando vim para o Brasil, só fui estudar aos 12 anos, no caso, Violão. Ficava encantando de assistir as bandas tocando em palcos enormes, sempre tive esse desejo de ser um rock star. A escrita veio bem mais tarde, depois dos 18 anos.

  • Você se sente capaz de se expressar melhor em uma dessas duas artes mais do que na outra? Por quê?

Sentia. Pois não gostava das minhas composições musicais. Agora já me sinto seguro pra compor, mas é bem diferente do que escrever. A música pode movimentar sentimentos que jamais podem ser transpostos à linguagem literária.

  • Fale um pouco da sua trajetória como músico.

Comecei a estudar com doze anos. Aos quinze, toquei pela primeira vez num palco. E não foi pouco, tinham 700 pessoas ocupando um teatro. Fato que me marcou muito e me fez aspirar essa carreira. Desde então, toquei em diversas bandas, em mil lugares, eventos, bares, shows, praças, parques, ruas. Tive oportunidade de fazer uma canja com artistas nacionais, como Detonautas, Fresno, entre outros. Abri shows de muitas bandas nacionais, e já cheguei a tocar para um público de 20 mil pessoas. Muita estrada, experiências e histórias que dariam um livro. Toco diversos instrumentos, mas gosto de cantar e tocar violão/guitarra.

  • Que cantores e/ou bandas mais te inspiram e influenciam?

Difícil escolher. Mas estou numa fase de apreciação da música brasileira e latina. Escutando muita coisa. De Caetano à Perota Chingó.

  • Fale um pouco dos seus projetos musicais atuais, o Ar-te Livre e o seu EP ‘Bucólico’.

O embrião do Ar-te Livre foi uma construção de uma ideia que tive o ano passado, com meu amigo Eduardo Siqueira, parceiro de projetos musicais. Amadureci a ideia de tocar nas ruas, praças e parques e pus em prática no início desse ano, em Florianópolis, sozinho. Mas me senti muito solitário (risos), fato que me fez recrutar outros músicos para integrar esta proposta de levar arte ao ar livre, livre de custos. Tudo aconteceu muito rápido, estamos na crista da onda, muito felizes com a repercussão do projeto. O nome da banda é Maragá, e o projeto é Ar-te Livre.

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O EP foi uma necessidade que eu tive de registrar as canções que compus. Uma estreia nesse universo autoral. Prezei pela sinceridade e funcionou. As músicas foram bem recebidas, apesar de terem esse clima ‘’bucólico’’. Estou feliz, mas louco pra gravar novas canções, desta vez com banda.

  • Além desses, você tem algum outro projeto envolvendo música em andamento?

Eventualmente sou convidado para tocar como instrumentista em algumas bandas, mas nada fixo. Estou evitando me envolver, pois não tenho tempo para doar. Às vezes é melhor ter um projeto e dar foco total nele.

  • Agora comente um pouquinho da sua carreira como escritor.

Bem, vamos lá. Acho que só me senti um pouco escritor após lançar o primeiro livro. Comecei a escrever depois do ensino médio, por pura necessidade de expressão. Em blogs, diários, cadernos, e depois em redes sociais. Chegou um momento (2013) em que senti que tinha material para organizar um livro. Fiz a seleção e misturei contos, crônicas e poesias. Fiz toda a edição, até a capa e contracapa. Peguei o acerto de um emprego e investi na publicação. Em 2014 fui premiado na cidade onde resido (Caxias do Sul – RS), no concurso literário, na categoria de contos. Participei da feira do livro no lançamento dessa antologia. Em 2015, tive o prazer de lançar meu primeiro romance pela editora quatrilho, financiado pelo financiarte, ‘’Tempestade de Outono’’. Penso que já fiz muita coisa desde que me propus a escrever seriamente. E a melhor parte é receber mensagens de pessoas que se beneficiam e se identificam com a minha escrita, me sinto útil levando arte e reflexão.

  • Você está lançando agora o seu segundo livro, Tempestade de Outono. Conte um pouquinho sobre esse trabalho em relação aos anteriores.

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Este é o primeiro romance. A história mais longa que escrevi até então. Conta a história de um escritor vivencia um outono depressivo e turbulento. Encharcado de questionamentos existenciais, entranhado por elementos policiais. Utilizo da metalinguagem, meu personagem escreve dentro meu livro. Foi uma aventura escrever esse romance, e é um orgulho enorme vê-lo pronto, acessível a todos.

  • Pra você, o que significa ser artista?

Artista é todo aquele que imprime a sua subjetividade numa linguagem estética. O marceneiro é um artista, desde que ele dê valor a sua sensibilidade, e não apenas fique reproduzindo peças como se fosse uma máquina. O artista deve ouvir o coração. Nietzsche diz que o verdadeiro artista é aquele que respira a arte, e não cobra dela mais do que a sua subsistência.

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Clique aqui pra ouvir o EP “Bucólico”

Em par (ou “Fone estragado”)

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Quem vive de música conhece o drama
De notar que seu fone estragou de um lado.
Que tristeza! Que incompletude!
Porque a música demanda um sentir total
Tanto que às vezes ficamos
Com todos os sentidos voltados ao som
E não percebemos que o arroz está queimando.

Quem coloca seus fones quer só a música
Só a música.
Nada mais.
Ninguém mais.
E é por isso que só um lado do fone não basta.

Há muitas outras coisas na vida
Que só dão certo se estiverem em par.
O namoro é uma delas.

Por incrível que pareça
Há quem namore sozinho,
Que curte a música do amor pela metade.
É um amor que toca de um lado só.
O outro lado é estéril.

E por mais que você goste do seu fone
Quando isso acontece,
Não negue,
Ele já não te satisfaz.
E ainda que você não possa ter outro por hora
Jogue esse inútil fora
E curta o seu som em alto-falante.

Thaís Bartolomeu – 2015

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Esse é o meu fone que estragou essa semana, devidamente jogado fora. Pequenas inspirações do dia-a-dia. ^^

Entrevista com o músico Eric Maia

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  • Como a música entrou na sua vida?

Meus pais sempre foram pessoas muito envolvidas com a música. Meu pai é músico profissional há muitos anos, ele teve várias bandas e minha mãe o acompanhava, sendo cantora do grupo.  Nós tínhamos centenas de discos de vinil na sala, sempre acessíveis e desde cedo fui me familiarizando com clássicos da MPB e da música internacional. Além disso, sempre tinha um violão no sofá de casa, o que acabou despertando meu interesse.

  • Quais foram as suas primeiras experiências com a música?

Quando eu era muito pequeno, talvez com 4, 5 anos em diante, meu pai me levava com ele pra shows em barzinhos e clubes. Eu cantava algumas músicas infantis da época, no final, ele me dava um dinheiro e dizia que música era trabalho. Quando eu tinha 6 anos, meu pai começou a me ensinar letras de músicas mais famosas até um dia que com uns 7, 8 anos, ele me ensinou a cantar “La barca” e aquilo era muito legal e inusitado. Até hoje pessoas comentam que era muito legal ver uma criança cantando uma música em espanhol. (risos) Nessa época, eu comecei a me interessar por violão, eu observava meu pai tocar e imitava os acordes. Acebei aprendendo. E nessa época eu comecei a estudar bateria, só que quando eu era criança, ter uma bateria, além de barulhento, era extremamente caro. (risos) Então eu acabei me dedicando ao violão e ganhei minha primeira guitarra aos 12 anos.

  • Quando e de que forma você descobriu que gostaria de ser músico?

Desde criança eu queria montar uma banda. Aos 11 anos montei minha primeira bandinha. Nós a chamávamos de “The Mentes”, isso em 1995. Eu era o baterista. Depois, aos 14, tentei montar outras bandas, mas em Itaboraí-RJ, lugar em que nasci e passei a maior parte da vida, nessa época a garotada não ligava pra música. Era muito difícil, frustrante e decepcionante viver num lugar onde ninguém da minha idade compartilhava o interesse pela música. Até que em 1999 eu conheci o Felipe Nunes. Ele veio de Angra dos Reis-RJ estudar no mesmo colégio que eu. Ele é baixista. Nesse ano, fundamos a banda que temos até hoje, a Barbie Suburbana.

  • Comente um pouco da sua rotina como músico.

Minha rotina atual de músico é bem agitada. São muitas noites sem dormir, fins de semana sem vida social. Toco em bares, clubes, boates, festas de aniversário, casamentos, etc. Basicamente de quinta a domingo, nos municípios de Niterói, Rio de Janeiro, Itaboraí, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Tanguá, Maricá, etc.

  • Quais são as suas maiores influências na música? Há algum músico em especial que te inspire?

Eu sou muito fã de Beatles. Estou sempre ouvindo. Quanto aos estilos, sou muito eclético. Gosto muito de rock, é meu gênero predileto. O reggae também tá quase ali empatado. Escuto muito Blues como Stevie Ray Vaughan e muita MPB. Os artistas que eu mais me espelho são Eric Clapton, Paul McCartney, John Mayer e Jimi Hendrix.

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  • Comente um pouco sobre os projetos em que já esteve envolvido e quais são seus projetos atuais.

Eu gravei dois discos independentes com a Barbie Suburbana. Um em 2004, chamado “Pare, olhe e escute” e outro em  2009, chamado “Barbie Suburbana”. Os dois estão disponíveis para download gratuito no nosso site: www.barbiesuburbana.com além de estarem disponíveis para ouvir no Youtube.

Atualmente, estou trabalhando num disco solo de músicas autorais e em outro com versões cover de sucessos da música internacional. Devem ficar prontos no final de 2015.

Além disso, tenho tocado na noite da região metropolitana do Rio de Janeiro. Sempre na estrada!

  • Qual é o seu maior sonho como músico?

Ao contrário de muita gente, eu nunca pensei na fama e no sucesso como um fim. Meu objetivo é tocar, é fazer meu som, é continuar fazendo o que eu mais amo na vida. Vejo o sucesso como algo secundário, um meio melhor a se alcançar para conseguir manter o sonho vivo. Meu maior sonho é conseguir divulgar minha arte, compartilhar meu trabalho com pessoas que se identifiquem com a mensagem que eu quero passar, viver disso, cada vez mais e com mais qualidade, tocar muito nessa estrada, encher esse mundo de poesia e música.

  • O que você considera a maior dificuldade para alcança-lo e por quê?

A maior dificuldade é a mesma em qualquer ramo: dificuldade de investimento. A música é um ramo como qualquer outro. Para conseguir divulgar nossa arte é necessário investimento. Conseguir gravar bons materiais, em estúdios de qualidade é um processo muito caro. Instrumentos musicais de ponta também são muito caros, é necessário abrir mão de muitas coisas pra poder ter uma guitarra de primeira linha e equipamentos bons. Outro problema é que no Brasil não há espaço para estilos que não estão na “moda”. Ou você faz o que todo mundo faz, ainda que seja mal feito, ou feito como um produto vagabundo de linha de produção só pra vender o máximo possível, ou então você está fadado ao desconhecimento. Isso é muito duro. E aí, um belo dia, você consegue uma certa projeção, aparecem muitas pessoas criticando seu trabalho apenas por criticar, sem conhecer um décimo da sua história. É um ramo injusto e a aceitação das pessoas é muitas vezes cruel.

  • Comente um pouco sobre suas composições e demais textos que você escreve. Como é isso pra você?

Eu sinto uma inquietação. Sinto necessidade de dividir minhas angústias com as pessoas. Saber se elas também sentem o que sinto em relação ao mundo e às coisas. Sou fascinado pelo debate de ideias, pela humanidade do diálogo, pela rejeição às ideias de senso comum. Gosto de escrever sobre um lado crítico, inquieto e inconformado a respeito da vida e do mundo e vivo na busca por interlocutores que estejam na mesma vibração que a minha. Eu só lamento não ter meios de alcançar mais pessoas.

  • O que é a música pra você?

A música é um instrumento da alma. É uma expressão quase que espiritual do que se pensa. É uma forma perfeita de materializar toda a sensibilidade humana em sons e versos. Eu nunca conseguiria viver sem música. Escuto música o tempo todo, em tudo, em qualquer lugar, esteja eu fazendo qualquer coisa. É a melhor parte da minha vida.

Manifesto da Vida Acústica

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Quero viver minha vida
Sem fios nem tomada.
Sem porta fechada.
.
Quero minha canção
Somente acompanhada
Pelo som do violão.
.
Quero minha voz
Livre e cantada
Sem caixa de som.
.
E que a energia
Seja solar
.
E as batidas
Palmas e cajon
.
E se for pra viver conectada
Que seja só com a Música, então.
.

Thaís Bartolomeu

My dear

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Vem tocar John Mayer pra mim, meu bem
Porque eu gosto de vê-lo mexer com Neon
E vê-lo sorrir com Dear Marie é tão bom!
(Será que gostas do meu sorriso também?)

Vem iluminar minha noite, meu bem
Com os vagalumes que saem do teu violão
E que dançam pra nós a cada canção.
(Será que vai dar tempo pra Stop this train?)

E se você vier ainda hoje, meu bem
Tem aqui um quarto pra gente incendiar
E se escaparemos desse fogo, não sei dizer

Nem sei que efeitos os teus acordes irão ter
Mas certamente a gravidade me fará deitar
(Será que vou acordar no teu colo, meu bem?)

Top 5 John Mayer – Pra você se sentir melhor

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Olá, pessoas! Já fazia um tempinho que eu não fazia um post aqui só falando de músicas do John Mayer, então resolvi postar hoje mais um Top 5 do John ( \o/ ). Dessa vez quis trazer as minhas preferidas pra gente ouvir e se sentir melhor naqueles dias que a gente está meio tristinho, às vezes até sem motivo ou ainda passando por situações bem complicadas mesmo como o próprio John já passou.
E eu sei que o que o John mais tem são músicas que nos fazem sentir bem e nos tiram da fossa, mas nesse post resolvi não colocar mais de uma música do mesmo CD e nem músicas que eu já tenha mencionado em outros posts.

(Se ficaram curiosos pra conhecer outros Top 5 e outros textos em que falo do John é só acessar a categoria John Mayer. 😉 )

Bem, vamos ao Top 5 de hoje!

1 – Waiting on the day

Essa música totalmente lindinha foi sugestão do Derick (porque realmente foi bem difícil escolher só 5 músicas). Mas eu também amo muito essa música, ela realmente traz uma calma incrível, tanto pela letra quanto pela melodia. Faz mesmo a gente acreditar que um dia tudo vai ser bem melhor!

2 – Shadow Days

O que dizer de Shadow Days? Acho que me faltam até palavras! Foi ouvindo essa música um dia numa rádio que eu pensei “Meu Deus! Que música perfeita!!! Preciso ouvir mais desse homem!” e foi então por causa dela e do Born and Raised como um todo que o John entrou na minha vida pra ficar. E o mais maravilhoso é que foi numa fase muito dramática da minha vida e que tudo que eu mais precisava fazer era deixar os meus dias sombrios pra trás! Ai ai… Muito amor envolvido! ❤

3 – War of my life

War of my life é uma música que só fui ouvir quando comprei o Battle Studies e foi amor ao primeiro acorde. Essa música nos fala sobre enfrentar os problemas da vida, por mais difíceis que possam ser, sobre ser forte e principalmente sobre não desistir e esperar pelo melhor sempre. Esse finalzinho que ele fica dizendo “Fight on” realmente foi tudo que eu precisava ouvir quando tive uma infecção braba no rim ano passado. Eu realmente não tinha escolha a não ser lutar até que acabasse. É como eu sempre digo, o John Mayer tem músicas pra cada momento da minha vida!

4 – Stop this train

Essa não poderia faltar de jeito nenhum! Afinal, quem é que nunca pensou “Ah, cara, não aguento mais” ou “O tempo está passando e não consigo fazer nada que eu quero” e coisas do tipo? Pra mim Stop this train é uma das músicas mais perfeitas que o John já escreveu, que traduz diversas inquietações que todo ser humano tem ao longo da vida. E apesar de eu já ter muitas vezes chorado ouvindo essa música, ela sem dúvida tem uma capacidade inexplicável de nos fazer querer continuar seguindo em frente.

5 – New Deep

E por último, mas de jeito nenhum menos importante, temos New Deep que é uma música que sempre que eu ouço eu paro e penso “Quer saber?! Foda-se”. Porque pelo menos no meu caso, sei que muitas das minhas sofrências são sem razão, são porque eu penso demais, me preocupo demais. Às vezes o que a gente tem que fazer é simplesmente parar de querer entender tudo o que acontece na nossa vida, parar de se preocupar tanto e… só viver! Eu considero New Deep como a versão do John Mayer pra Hakuna Matata! 😀

Bem, pessoas queridas, por hoje é o que temos! Espero que tenham gostado, que tenham se identificado e tenham aproveitado pra conhecer ou ouvir de novo essas músicas tão perfeitas do John! ❤

Fiquem à vontade pra comentar e sugerir músicas para próximas playlists!

Viver de música

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Eu sou uma pessoa de sorte, tenho muitos amigos músicos! E sei que o grande sonho da maioria deles é conseguir viver de música. Um sonho muito lindo e digno, apesar de ser não ser fácil de ser realizado, assim como não é fácil também o meu sonho de viver de literatura. Eu sei que essa expressão se refere a ter a música como profissão e não apenas algo que você faz porque ama mas ainda precisa de um trabalho mais tradicional pra conseguir se sustentar.

Hoje, porém, enquanto eu ouvia Pearl Jam no ônibus, à caminho da casa da minha prima, comecei a reformular esse conceito ‘Viver de música’. Cheguei à conclusão que vive de música todos aqueles que precisam de música pra viver.

Viver de música é não sair de casa sem o fone, é precisar ouvir música aonde quer que você vá. Seja da sua casa ao mercadinho da esquina ou por horas num ônibus até o trabalho.
Viver de música é medir o tempo com ela. Quanto tempo eu levo de casa pra faculdade? O Born and Raised quase inteiro! Quanto tempo da minha casa até o ponto de ônibus? Don’t look back in anger, mais ou menos.
Viver de música é definir o seu estado emocional pela música que você ouve no repeat.
‘ -E aí cara, como você está?’
‘ -Po, tô ouvindo Black no repeat desde acordei…’
(E pra você isso responde tudo!)
Viver de música é achar que ela é a melhor terapia, um ombro amigo em que você sempre se encostar independente do que aconteça.
Viver de música é ter uma música pra cada momento da sua vida, uma playlist mental de músicas pra sair da fossa, pra ficar mais ainda na fossa ou ao menos pra tentar entender porque raios você está na fossa.
(Bem, eu sempre acho que tudo tem a ver com uma fossa)
Viver de música é até mesmo ter algumas crenças comprovadas apenas por você mesmo a respeito dela. Como a crença de achar que você vai conseguir andar mais rápido quando está atrasado se você colocar pra tocar uma música mais rápida.
(Estudos afirmam que Chop Suey é capaz de te fazer andar até 300% mais rápido!)
Isso sem falar daquela crença doida de que uma música FOI TOTALMENTE E SEM DÚVIDA ALGUMA escrita pra você e mais ninguém no mundo. (Como não? Story of man foi escrita pra mim sim, eu hein!)
Viver de música é acreditar que de fato ela te ajuda e muito! Te ajuda a entender melhor o mundo, e porque as coisas são como são e talvez até mesmo porque você é como é!
Viver de música é não conseguir ser indiferente a ela. E quanto a isso cada um reage do seu jeito. Há os que pedem um violão de presente ainda novinhos, ou juntam um dinheiro suado pra comprar na juventude e então aprendem a tocar as suas músicas preferidas e logo estão compondo suas próprias. Há também os que não tem o talento necessário ou a disciplina necessária de horas praticando pra aprender a tocar, mas também compõem. Há os que se descobrem em outros instrumentos e também os que são sempre os que cantam nas rodinhas de amigos e acabam por que tem uma voz incrível! E há ainda os que eu chamo de ‘nerds musicais’ que não cantam, nem tocam, nem compõem mas sabem mais de música do que muita gente por aí! Sabe quem compôs o quê e quando e porquê e estão sempre te mostrando músicas lindas e cantores e banda sensacionais que você nem fazia ideia que existiam!

Viver de música! Que privilégio fascinante! O que seria de mim sem a música? Provavelmente não teria tanta sensibilidade e talvez nunca tivesse me interessado em estudar inglês! Quanta coisa eu já aprendi com música e quantos momentos bons ficaram ainda melhores só por causa da música que estava tocando na hora!

Viver de música é saber que mesmo tendo que fazer qualquer outro tipo de coisa na vida pra ter seu dinheiro, você simplesmente não pode viver sem ela.

E você, também vive de música?

Você acredita em superação?

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O ano ainda nem acabou e eu já estou aqui, de certa forma, fazendo um balanço das coisas que vivi e venci nesse em 2014. Acho que se eu tivesse que escolher uma palavra-chave para representar esse meu ano, ela seria SUPERAÇÃO.

Eu, particularmente, acho que esse ano passou muito rápido, mas agora parece que tudo na vida vai mesmo passar como um flash diante dos nossos olhos. Parece que foi ontem que eu estava em janeiro, de férias, super insatisfeita com diversas coisas na minha vida e nas mais diferentes áreas. Coube a mim superar tudo isso.

Nesse ano eu consegui vencer o meu medo de estar sozinha, tanto no sentido emocional quanto no sentido de estar em um lugar desconhecido, consegui perder o medo de mostrar ao mundo as coisas que eu escrevo, consegui emagrecer 10kgs, que era uma coisa que eu realmente queria muito, e também consegui romper com certos modos de pensar muito ingênuos que me faziam perder a melhor parte da vida. Mas há sempre muito a superar.

No fim do mês passado meus queridos amigos da banda Expresso 7 lançaram seu primeiro EP que se chama justamente ‘Superação’ e que tem uma música perfeita com esse mesmo título. E desde que o EP foi lançado eu ouço todas as música praticamente todo dia e inclusive já rascunhei textos sobre todas elas (me aguardem!), porque todas têm letras incríveis. Mas hoje é a vez de falar de superação.

Os primeiros versos dessa música parecem que foram feitos para mim:
“Mais uma vez
O tempo me ensinou
Que não se deve ter medo
Daquilo que te faz feliz”

É assustador pensar na quantidade de coisas que a gente gostaria de fazer na vida mas que acabamos não fazendo por algum medo bobo que nem sabemos explicar direito. Mas realmente, é só o tempo que nos ensina que a nossa felicidade deve estar sempre em primeiro lugar e que deve estar acima de qualquer temor.

‘Superação’ é uma música que nos faz pensar na vida, no que já passamos até chegar aqui, nos nossos erros, nas coisas que precisamos melhorar. Eu não consigo ouvi-la sem parar pra fazer essas análises. Ela tem uma mensagem muito forte que os meninos conseguem passar com muita intensidade, não só porque conta um pouco da história deles individualmente e como banda, mas porque ela parece ter a capacidade de criar uma identificação com qualquer pessoa que esteja ouvindo. Isso é incrível!

A música é uma forma de arte que tem uma linguagem singular, carregada de ritmo e poesia. Quisera eu conseguir transmitir tudo isso somente com minha prosa escassa! Por isso eu demorei para pensar no que mais eu poderia dizer para dar conta desse sentimento de vontade de libertação que essa música me passa. Acho que as minhas palavras são muito pobres para isso. Então resolvi encerrar esse post com o meu trecho preferido dessa música e deixar aqui o link da música para quem ainda não ouviu. Espero que vocês gostem e comentem aqui se sentem o mesmo que eu quando escutam ‘Superação’! 😉

“Eu cansei de esperar
Se eu não tentar lutar minha vez não vai chegar
Preciso ir atrás do que eu anseio
Superando os meus medos, minha vontade de parar

A vida nos ensina, se você for descansar ela vai passa por cima
Por cima dos seus sonhos, da sua realidade
Por isso vou me impondo, mostrando minha verdade

Minha palavra chave é a superação
Se eu for seguir em frente, eu não vou correr em vão
Não vou ser padronizado com essa forma de pensar
Me sentir acorrentado por medo de fracassar

Vivemos em um tempo que é preciso questionar
Temos que abrir a mente e começar a enxergar
Buscando um novo rumo nessa minha trajetória
Sigo sem olhar pra trás e escrevendo a minha história”

Superação – Expresso 7

Daquilo que cê foi – Gabriel Rangel

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Entra, pode ficar
Mas não esquece
De deixar aquele pedaço
Que nos fez virar
O que não somos
Não somos mais
Sem mais
Aqui
Jaz
Um amor que já se foi
‘Oi, tudo bem?’

Não esquece de passar depois
Pra ver se ela repôs
Tudo aquilo que cê foi
E quando se foi

Entra, pode buscar
Mas não esquece
De levar suas memórias
Que ontem cê deixou
Não é nada demais
Sem mais
Aqui
Jaz
Um amor que já se foi
É… não tô bem

Não precisa nem passar depois
Pra ver se ela repôs
Tudo aquilo que cê foi
E quando se foi
Tudo aquilo que se foi
E quando cê foi

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