Em par (ou “Fone estragado”)

fone

Quem vive de música conhece o drama
De notar que seu fone estragou de um lado.
Que tristeza! Que incompletude!
Porque a música demanda um sentir total
Tanto que às vezes ficamos
Com todos os sentidos voltados ao som
E não percebemos que o arroz está queimando.

Quem coloca seus fones quer só a música
Só a música.
Nada mais.
Ninguém mais.
E é por isso que só um lado do fone não basta.

Há muitas outras coisas na vida
Que só dão certo se estiverem em par.
O namoro é uma delas.

Por incrível que pareça
Há quem namore sozinho,
Que curte a música do amor pela metade.
É um amor que toca de um lado só.
O outro lado é estéril.

E por mais que você goste do seu fone
Quando isso acontece,
Não negue,
Ele já não te satisfaz.
E ainda que você não possa ter outro por hora
Jogue esse inútil fora
E curta o seu som em alto-falante.

Thaís Bartolomeu – 2015

11186280_1593297777578844_1203762444_n
Esse é o meu fone que estragou essa semana, devidamente jogado fora. Pequenas inspirações do dia-a-dia. ^^

Escrever à lápis

lapis_papel

Amor é palavra de se escrever à lápis.
Porque na hora em que se escreve
É difícil realmente saber
Se é amor, de fato.
E se é definitivo.
Não sabemos se precisaremos apagá-la
Um dia…
Do diário da nossa vida
Para depois, em seu lugar,
Vir a escrever
‘paixão’
‘encantamento’
‘fascínio’
‘carência’
‘ilusão’
Ou outro termo mais apropriado
Para o momento em que se der conta
De que não era amor, de fato.

My dear

unnamed (2)

Vem tocar John Mayer pra mim, meu bem
Porque eu gosto de vê-lo mexer com Neon
E vê-lo sorrir com Dear Marie é tão bom!
(Será que gostas do meu sorriso também?)

Vem iluminar minha noite, meu bem
Com os vagalumes que saem do teu violão
E que dançam pra nós a cada canção.
(Será que vai dar tempo pra Stop this train?)

E se você vier ainda hoje, meu bem
Tem aqui um quarto pra gente incendiar
E se escaparemos desse fogo, não sei dizer

Nem sei que efeitos os teus acordes irão ter
Mas certamente a gravidade me fará deitar
(Será que vou acordar no teu colo, meu bem?)

Final Feliz

cinderela

Há pouco mais de 2 semanas atrás eu fui ao cinema assistir a estréia de Cinderela e prometi que faria um texto falando um pouco sobre as minhas impressões a respeito do filme. Como eu sempre sou acusada deser “a spoiler”, resolvi deixar passar um tempinho pra postar o texto e com isso também tive tempo para acrescentar outras reflexões.

Eu cheguei a comentar no facebook que não me encantei em nada com o filme e que ele também não me surpreendeu. Todo mundo sabe que eu amo as animações da Disney e amo os filmes de princesa (animações ou não), mas a Cinderela nunca foi uma das minhas princesas favoritas. A questão da submissão à madrasta sempre foi algo que me incomodou , isso porque acho que eu no lugar dela ia dar um jeito que fazer valer os meus direitos como filha ou simplesmente iria fugir dali, ou sei lá. Mas ainda assim fui ao cinema, pensando que essa versão não-animada do filme poderia trazer novos pontos de vista da história já conhecida, como acontece em Malévola Caminhos da Floresta, mas… não.

Essa versão de Cinderela é muito semelhante à animação de 1950, com exceção de alguns poucos detalhes em relação à mãe da personagem e uma questão política envolvendo o Grão-duque. E apesar de ter havido um pouco mais de conversa entre Cinderela e o príncipe antes de se apaixonarem perdidamente um pelo outro (aff), ainda não foi o suficiente pra me convencer. Já falei um pouco sobre essa questão de encontrar o ‘amor verdadeiro’ no post sobre A Pequena Sereia , mas aqui quero ressaltar outras duas questões que me levaram a pensar: a necessidade do príncipe e o final feliz.

Eu tenho que confessar que ainda me surpreende nem tanto o fato de que essas histórias de amor à primeira vista entre duas pessoas mega lindas ainda façam sucesso nos dias de hoje, mas principalmente o fato de ainda ter meninas/mulheres que acham que:

1 – existe um príncipe encantado (lindo, cavalheiro e rico) procurando por elas em algum lugar;
2- elas PRECISAM dele para serem felizes.

Vamos lá. Eu não sou cética e na verdade acredito muito no amor. Só não acredito em príncipes encantados (não mais). Acredito sim em caras legais, que tenham sensibilidade pra música e livros, que gostem de conversar com você e que te dão o devido valor e atenção e que não são perfeitos, mas são capaz de fazer com que qualquer momento seja perfeito quando vocês estão juntos. Esperar por esse cara sim eu acredito que valha a pena. PORÉM…

Ninguém PRECISA de ninguém pra ser feliz (também já falei disso aqui). Há um tempo atrás eu li um texto que dizia que não devemos procurar um amor pra preencher um espaço vazio, mas sim um amor que nos transborde. E eu acho que é bem por aí. Em primeiro lugar a gente tem que se sentir feliz com a gente mesmo, com quem a gente é, com nosso jeito, com nossos gostos, com nossos amigos, com nossa vida. E quando o seu amor vier ele só irá completar a felicidade que você já traz em si e você terá novos motivos para ser feliz.

*

Bem, vamos à segunda questão: o final feliz.
Outro dia eu estava conversando com o Derick sobre essa ideia de ‘final feliz’ e o quanto isso passou a me incomodar a partir do momento em que parei pra pensar um pouco mais sobre essa expressão. Por que será que tanta gente (e até eu mesma há um tempo atrás) tem esse sonho de ter um final feliz? Por que só no final? Por que esperar? Por que deixar pra ser feliz depois?

É como se a gente nunca fosse capaz de ser feliz com o que nós já possuímos. Isso é uma ingratidão gigante se a gente começar a considerar quanta felicidade existe em cada ‘pequena’ coisa que nós temos ou que podemos fazer. Eu, por exemplo, me sinto tão feliz por saber ler! Parece idiota, talvez até seja, mas é um conhecimento que eu tenho e que me ajuda a sim a ser feliz! E o que eu desejo pra mim não é um final feliz e sim um caminho feliz. Desejo ser continuamente feliz. Até porque, que final seria esse?

Esses filmes mostram apenas um recorte da vida e o que chamamos de ‘final’ não é final absolutamente. Final seria se os dois morressem e aí, curiosamente, as pessoas diriam se tratar de um desfecho trágico e triste, nunca de um final feliz. O que nos leva a concluir que esse tal ‘final feliz’ é uma grande utopia, assim como o ‘daqui a pouco’ ou o ‘amanhã’. Se estamos ainda vivos, não há final absolutamente (sei que já usei essa palavra ali em cima, mas ela é tão legal 🙂 ).

E pra terminar esse post bem piegasmente eu digo:
Seja feliz hoje, sinta-se completo, não adie sua felicidade pra outra hora e nem a deixe depender de mais ninguém.
Seja feliz by yourself e along the way! ❤

Como coisa que se escreve na areia da praia…

tumblr_ld57c2vPg11qber8m

Como coisa que se escreve na areia da praia, seja por inspiração da paisagem ou por recordação que nos vem à mente sem querer, assim é o amor insistente. Quando não é atropelado por alguém que caminha despreocupado, é a tua palavra ali escrita desfeita por inesperada onda. Assim é o amor insistente, aquele que se está a escrever eternamente em superfície fugaz, só pelo prazer que se sente em deixar na natureza a tua marca. Mas é marca efêmera, logo passa. Logo é levada a passar. O instinto de quem ama é insistir, e é mania de quem escreve querer escrever em todo lugar. É natural a ilusão humana de que as coisas foram feitas pra durar. O amor insistente é a luta constante de querer continuar a escrever na areia da praia, mentindo sempre a si mesmo, como se as ondas e os pés alheios fossem coisas que se pudessem dominar.

A Pequena Sereia, Frozen e O ‘Amor Verdadeiro’

24a93c093a19bc4a9c3112fe9cb634fc

Disney de novo! Siiiim, sempre! A Pequena Sereia, e um que eu amo bastante, Frozen.

Acredito que todo mundo que vai vir ler esse post, se não assistiu aos dois filmes pelo menos sabe do que se trata a história de cada um. Vou começar aqui falando das semelhanças de enredo entre os dois. Em ambos os filmes as protagonistas estão saindo da adolescência, Ariel com 17 anos e Anna com 18 e as duas tinham passado a vida toda loucas pra conhecer o mundo lá fora. Quando elas conseguem finalmente sair do ambiente em que estavam de certa forma presas, se apaixonam pelo primeiro cara que encontram e querem se casar com ele. E acho que as semelhanças acabam aqui.

Eu lembro até hoje da minha reação de susto quando assistindo a estréia de Frozen no cinema, vi a cena, logo no começo do filme, em que a Anna vai pedir o consentimento da irmã para se casar com o Hans e a Elsa simplesmente diz: Você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer. Eu fiquei tipo “Como é que ninguém nunca falou isso pras outras princesas antes???”

img-frozen-03

Porque o que acontece em quase todos os filmes de princesa da Disney é que a protagonista se casa sim com um cara que acabou de conhecer!!! E eu digo ‘quase todos’ por que no meu filme de princesa preferido da Disney eles passam um bom tempo juntos, se conhecendo e lendo juntos, aquela coisa toda…  ai ai A Bela e a Fera)

Mas voltando aqui pra nossa análise, sinceramente não me espanta essa paixão sem noção pelo primeiro cara que te aparece pela frente quando você sai e conhece o mundo, o que foi insistentemente chamado nos filmes de ‘amor verdadeiro’. Primeiro porque quando você tem 17/18 anos você nem sem sempre age com a cabeça e eu sei o que é se sentir presa, sentir que você não pode fazer nada e querer subir no primeiro cavalo branco que vir na sua frente e ir pra um reino bem distante. O que me espanta realmente é todo mundo até então meio que achar normal os desfechos de casamento e felizes para sempre entre pessoas que mal se conhecem nesses filmes.

Eu nem vou comentar dos clássicos Branca de Neve, Cinderela A Bela Adormecida porque são realmente muuuuito antigos, mas A Pequena Sereia é de 1989 e ela não tinha um motivo sequer pra justificar ter se apaixonado pelo Eric. Mesmo assim a pessoa vai lá e faz um pacto com uma bruxa pra tentar ficar com o cara (oi?). E no final o próprio pai transforma a filha em humana pra ela ser livre pra viver ‘o amor verdadeiro’. Enfim. Elsa tem mais juízo que o rei Tritão.

É bom ver que as coisas estão mudando e mesmo se tratando de filmes infantis as mulheres estão tendo a oportunidade de desempenharem papéis menos ingênuos e irreais. O amor é algo que se constrói e acredito que muitas meninas, assim como eu, cresceram com a ideia de que o amor é uma coisa que acontece assim do nada. Que um belo dia você vai encontrar um cara que é tudo que você queria e vocês vão se apaixonar e namorar e se casar e (olha aí de novo) serão felizes para sempre. Mas quanta coisa acontece na nossa vida, quantos caminhos e descaminhos… E quem sabe até se a pessoa que vai ser seu grande amor não vai chegar porque , (quem sabe) ela até chegou e você ainda não se deu conta porque está esperando alguém fora do normal ou porque está insistindo com um cara de definitivamente não quer ser o seu príncipe.

Espero que os temas das próximas animações sobre princesas continuem se adequando às novas demandas como aconteceu com Frozen, e quem sabe daqui há um tempo tenhamos um filme em que o amor verdadeiro quebre o feitiço da friendzone. Ah, friendzone… Isso já vai ter que ser outro post.

A pessoa certa

Quando você encontra a pessoa certa você passa a não querer procurar mais ninguém. Você continua saindo, indo aos seus shows e suas festas e continua olhando para as pessoas bonitas, mas não passa disso.

Quando você encontra a pessoa certa ela passa a ser o parâmetro para todas as outras que você vai vir a conhecer. Se algum cara tem algo que te agrada você se lembra que o ELE tem muito mais, se uma menina fez algo que você não gostou você logo pensa que ELA nunca faria aquilo.

E às vezes demora até você perceber que já encontrou a pessoa certa. Na maioria das vezes você só se dá conta disso ao ver que todas as outras pessoas já não parecem boas o suficiente pra você. Ninguém é tão carinhosa quanto ela, ninguém é tão inteligente quanto ele.

E quando você ainda está lutando para admitir que está apaixonada e que aquele carinha é tudo que você queria ou que aquela menina tem tudo que você sempre desejou, pode ser que apareça alguém te convidando pra sair e você vá. Pode ser até que ele seja legal e pode ser até que vocês fiquem, mas… Não, não é ela.

Quando eu penso nisso logo me vem à mente o Leoni cantando ‘Depois de você os outros são os outros e só’.

Encontrar a pessoa certa é aquele sentimento de que alguém secretamente stalkeou seu coração e mandou fazer uma pessoa bem do jeitinho que você sempre quis (ou talvez ainda melhor), apesar dos defeitos que todos nós temos. A vida sempre surpreende! Talvez você não estava contando que ele seria tão divertido ou que ela fosse tão compreensiva.

E eis que um belo dia você está no ônibus a caminho de casa ouvindo a sua música favorita e você se lembra dele, o sorriso dele te vem à cabeça e logo vem o cheiro,  o gosto do beijo, o jeito de te abraçar…Você resolve mandar uma mensagem pra ela, diz que está com saudade, marca um novo encontro.

Essa é sempre a minha parte preferida em qualquer filme ou romance: quando a pessoa se dá conta de que já encontrou a pessoa certa! E a pessoa é tão certa mesmo que inclusive te corresponde!!! Muitas vezes a incerteza da reciprocidade mata os relacionamentos antes que eles comecem, por isso nada como dizer ‘acho que estou gostando de você, sabia?!’. Se ela for mesmo a pessoa certa vai te dizer ‘eu também!’.

O que é amar alguém?

img_6635

Mais de uma semana sem postar nada no blog e mais de duas semanas sem escrever um texto em prosa que prestasse. Não sei se esse aqui vai ficar prestando pra compensar, mas vou falar um pouco do que tenho sentido.

Nesse tempo que fiquei sem escrever muitas ideias me passaram pela cabeça a respeito da vida, dos nossos sentimentos, dos relacionamentos. Nessa época de fim de ano é inevitável não tentar fazer um balanço de tudo o que fizemos, o que foi bom, o que foi ruim, o que valeu, o que não valeu. E no meio de vários questionamentos eu me perguntei hoje cedo: eu amei alguém esse ano?

Como toda pessoa que se apega facilmente, eu já achei por diversas vezes nesse 2014 que estava apaixonada. Talvez eu estivesse mesmo. Talvez tenha de fato me apaixonado algumas dúzias de vezes esse ano, porque se apaixonar não é difícil e pode acontecer mesmo várias vezes com pessoas românticas e, pasmem, até mais de uma vez simultaneamente.

Porque a gente se apaixona sempre que acha que encontrou uma pessoa parecida com a gente, que nos entende em algum sentido, que gosta das mesmas coisas que nós, que pensa da mesma forma que a gente em algum aspecto e por aí vai. Mas tem diferença entre esse efêmero encantamento, que eu chamo aqui de ‘se apaixonar’ e entre um sentimento forte que deixa você de coração na mão, pronto a entrega-lo pra outra pessoa, que eu chamarei aqui de ‘amar’.

Quando a gente se apaixona é fácil de explicar, você diz “ah, eu gosto dele porque ele é um amor, sempre gentil comigo, me entende, gosta dos mesmos filmes e livros que eu…”. Se apaixonar sempre tem uma lógica. O brabo é que muitas vezes confundimos essa paixão com amor.

Ouvindo “I don’t trust myself” do John Mayer essa manhã, uma frase na música me chamou a atenção:
“Who do you love, me or the thought of me?”

Fiquei com isso na cabeça o dia todo. Realmente, quando encontramos alguém que ‘combina’ com a gente e que parece ter por nós um sentimento recíproco de interesse, começamos a achar que aquela é a pessoa ideal, que deveríamos namorar e que daria tudo certo. Não é assim que funciona (mas não me pergunte por quê).

É isso que o John chama na música de ‘thought of me’. Quando sentimos que somos correspondidos criamos uma série de pensamentos a respeito daquela pessoa pra nos convencermos de que é ela e começamos a imaginar um possível romance. Isso é uma das piores coisas que alguém pode fazer, mas é o que mais fazemos, quero dizer, pensar em começar um relacionamento cheio de expectativas, achando que aquela pessoa é o amor da sua vida só porque também se interessou por você e pelas coisas que têm em comum.

O que eu concluí é que é raríssimo você amar alguém que vai te amar também. Porque o amor não tem lógica.

Você ama aquela pessoa que é totalmente diferente de você em várias coisas, que não gosta de tudo de você gosta, não frequenta os mesmos lugares, não admira os mesmos artistas e chama o seu sentimentalismo de fazer drama. No entanto você ama essa pessoa. Ama sem razão e sem saber por quê.

Eu acredito que a gente pode amar mais de uma pessoa na vida sim. Eu mesma já amei mais de uma vez e em todas essas vezes esse amor não tinha a menor lógica. Amar alguém é algo muito forte, tanto que às vezes achamos que é mais forte do que nós. Mas não é. A partir do momento que esse amor nos faz sofrer, podemos trabalhar para nos libertar dele. Não nascemos para ser escravos de nada nem de ninguém.

A lição de hoje é portanto não confundir paixão com amor, pois as paixões são bem mais frequentes e com a mesma facilidade que chegam, vão embora. Então não vale a pena ficar fantasiando em cima de algo que não tem profundidade, muito menos sofrer por conta disso. O amor correspondido é algo raro, difícil de acontecer e que eu não sei como funciona. Só conheço gostar de alguém convenientemente, porque a pessoa é boa pra você e te faz bem. Duas pessoas que amam uma a outra sem a menos explicação eu não sei dizer como é.

Vai lá tentar entender a vida, vai tentar entender o amor…

O que é namorar?

1244849996454_f

Namorar: um conceito complexo e de difícil definição. Difícil dizer o que ele representa, quais são suas regras, se é que elas existem, os acordos que pressupõe e o que de fato implica na vida das pessoas envolvidas.

O conceito de namoro foi ganhando para mim novas formas com o passar do tempo. Para mim namorar por muito tempo quis diz ter encontrado o amor da sua vida. Essa foi a primeira ideia que caiu. Já pensei também que namorar fosse ter alguém pra ficar te dizendo coisas românticas o tempo todo e te ligando direto pra dizer que te ama. A verdade é que pra mim, por muito tempo, a palavra ‘namoro’ estava intimamente ligada com a palavra ‘amor’. Achava que se você namora é porque você ama e, logo, você tinha que dizer isso pra outra pessoa quase com a mesma frequência com que você respira. Ainda bem que o tempo passa, a vida ensina suas lições e a gente vai amadurecendo. A ideia que eu tenho de namoro hoje em dia é totalmente outra.

Namorar pra mim não é ter que ligar todo dia, não é ter que se ver pelo menos aos fins de semana, não é ter dias certos pra se ver.

Namorar pra mim não é ter que apresentar pra família, não é ter que estar junto em todos os eventos, não é ter que fazer tudo junto.

Namorar pra mim não é deixar de sair só com seus amigos pra sair apenas quando a pessoa for junto, não é ter que ficar sempre dizendo com quem você está e o que vai fazer.

Namorar pra mim não é algo de que se faça alarde, que você precise expor com detalhes ao mundo todo. Eu aprendi que quanto mais você tem a capacidade de ser feliz para si, deixando saber apenas os poucos que se importam, mais intensa e duradoura será a sua felicidade.

Namorar para mim é um momento em que se chega quando os dois simplesmente param de procurar por outras pessoas, quando se sentem satisfeitos um com outro. Ousaria dizer mais completos, mais felizes por desfrutarem agora da companhia um do outro.

Namorar para mim não é criar uma cela de ciúmes para aprisionar a outra pessoa, não é querer dominar a outra pessoa, ter a outra pessoa pra si.

Namorar para mim é saber que aquela pessoa é a única com quem você quer estar naquele momento da sua vida. É uma forma de dizer, citando Renato Russo, “quero ficar só com você!”. É uma forma de mostrar que aqueles momentos não são banais e que aquela pessoa é realmente especial pra você, que é ela quem você quer agora.

Namorar pra mim é poder viver uma relação com a tranquilidade de que o afeto de vocês é apenas um do outro, não importa se estão longe, se estão sem se ver há alguns dias ou se estão vendo mais os amigos do que um ao outro.

Namorar na verdade é muito bom! É pena que a maioria das pessoas estraga esse momento tão delicado, dos apelidinhos carinhosos, da descoberta um do outro nos mais diversos sentidos e de tantas coisas tão singulares com inúmeras chatices, precipitações e cobranças sem fim.

Namorar sempre seria bom se as pessoas não se preocupassem em criar quase um manual do namoro querendo ‘deixar coisas claras’ , ‘combinar como vai ser’ e outras formalidades que além de serem desnecessárias são bastante estressantes.

Nada melhor do que os acordos mútuos e casuais, do que coisas que se estabelecem sem nem perceber. Nada é melhor do que se sentir livre acima de tudo, se sentir confortável, à vontade com a outra pessoa.

Namorar é fruto de uma identificação diferente, onde há sim o desejo, a paixão, mas também a amizade, as afinidades, o companheirismo, aquelas coisas que só fazem sentido e só tem graça pra vocês dois. Se não tiver isso não adianta.

Namorar… Bem… Não sei bem como terminar esse texto. É melhor eu apenas encerrar dizendo ‘O namoro acontece’.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑