Publicado em Sobre o Amor, Sobre Ser Você

Quem é você fora do ‘nós’?

Um dia desses perguntei a uma pessoa que estava reclamando do namoro (que realmente vai mal das pernas): o que você faria da sua vida se seu namorado terminasse com você agora? Ela me disse “Ah, eu iria ao cabeleireiro mudar um pouco o  visual, iria marcar um cinema com minhas amigas que já não vejo faz algum tempo, iria retomar alguns projetos que estão largados há meses…” E foi então que eu perguntei: por que você não pode fazer isso tudo agora mesmo?

A minha pergunta ficou sem resposta e foi aí que eu resolvi escrever a respeito.

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25 coisas pra fazer antes do 25

A contar de hoje, faltam exatamente 365 dias para o meu aniversário de 25 anos que é sem dúvida uma data importante para quem gosta de números redondos. Eu não gosto de números em geral, mas resolvi fazer aqui uma listinha com 25 coisas que eu acho extremamente maneiras, que eu inclusive já gostaria de ter feito, e que queria tentar fazer ao longo desse 1 ano que eu tenho antes de completar 1/4 de século pisando nesta terra.

Espero que também seja um incentivo para aqueles que ainda vão fazer 25 anos, seja lá quando, e que desejam fazer algumas dessas coisinhas aqui! Vamos à lista! \o/

1 – Andar de moto

2 – Me jogar do palco em um show de Rock

3 – Doar Sangue

4 – Ajudar um velhinho a atravessar a rua

5 – Publicar um livro M-E-U

6 – Conhecer Curitiba

7 – Ler todos os romances de Machado de Assis

8 – Participar de um programa de rádio ( de preferência “A hora dos perdidos”)

9 – Participar de um Flashmob

10 – Fazer figuração em uma novela de época

11 – Fazer uma tatuagem

12 – Aprender a dirigir

13 – Assistir direto a trilogia de “O poderoso chefão”

14 – Aprender a tocar uma música inteira no violão

15 – Fazer uma horta

16 – Pintar o cabelo de azul

17 – Participar do desfile de uma escola de samba

18 – Tirar uma foto imitando a clássica da “Abbey Road”

19 – Assistir o musical de O Rei Leão

20 – Acampar

21 – Participar da platéia em um programa de auditório

22 – Ir a um velório por dia durante uma semana seguida

23 – Fazer um vídeo epicamente engraçado (sem planejar), postar no YouTube e receber milhões de acessos

24 – Fazer uma trilha em grupo

25 – Conhecer o John Mayer

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Crescer

Quem é nunca na vida
Se olhou no espelho
E quis saber
Como foi que ficou assim.
.
Com essa cara,
Com esses medos,
Com essa altura,
Com esse olhar.
.
Crescer parece algo alheio
Porque a gente cresce sem ver.
A gente não sente o corpo aumentar
E nem a nossa voz mudar.
.
Mas tudo muda e muito muda.
Mudam-se os gostos
Mudam-se os motivos
Mudam-se as vontades.
.
E se tem algo que permanece
Talvez seja o espírito.
Ainda rimos das mesmas coisas
E ainda nos magoamos igual.
.
Crescer é de dentro pra fora
E de fora pra dentro.
E no fundo nem sabemos
O quê muda mais o quê.
.
A roupa favorita já não cabe…
Quantas perdas ao crescer!
Mas vale sempre lembrar que
Crescer significa estar vivendo!
.
O tempo e a memória andam juntos
Fazendo a gente lembrar
Que tudo passa
E a gente também vai passar.
.
Estamos passando
Sem perceber
Desbravando a vida
Sem se dar conta.
.
Crendo
Sendo
Sentindo
Crescendo.

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O que você tem feito com as suas mãos?

Nós não somos os piores
Nem os menos sábios,
Menos habilidosos,
Menos capacitados.
.
Cada um sabe a seu modo
Mostrar ao mundo a que veio.
Uns cantam, uns escrevem,
Uns emprestam o ombro.
.
Não queira ter
As mãos que são de outrem.
As suas são as que melhor
Servem pra mostrar o que sente.
.
Pode ser que às vezes pareça
Que a gente não serve pra nada,
Ou que não somos tão bons
Quanto o fulano que faz tanta coisa.
.
Eu não faço muito
Além de escrever,
Mas me basta poder
Fluir com as palavras.
.
Minha irmã joga vôlei
e sabe cozinhar,
Minha avó sabe crochê
e sabe aconselhar.
.
O que você tem feito
Com as suas mãos?
O que você tem feito
Além de reclamar?

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Não julgue um livro pela capa

Muita gente não sabe, mas o meu querido e amado livro da Jane Austen Orgulho e Preconceito iria originalmente se chamar Primeiras Impressões. Não sei bem porque a Jane resolveu mudar, mas de toda forma, o livro ainda tematiza muito isso de criar uma imagem muitas vezes equivocada de alguém baseada nas primeiras impressões que se tem da pessoa.

Apesar de todo mundo já ter ouvido o ditado “Não julgue um livro pela capa”, a gente ainda faz isso e muito na nossa vida! E no post de hoje eu queria ir ainda um pouco além, porque muitas vezes mesmo depois de abrir o livro a gente continua julgando mal. Por que será?

Algumas outras vezes já cheguei a dizer aqui o quanto eu acho que as pessoas são complexas. Ninguém é uma coisa coisa. Todos nós somos múltiplos, temos gostos e aptidões que as vezes parecem não ter nenhuma relação, tipo gostar de poesia e ser lutador de UFC. E mesmo não sendo tão radical assim, acho que todos nós temos as nossas “discrepâncias”.

E acontece que assim que conhecemos uma pessoa, nós temos acesso só a uma parte dela. Pode ser que a gente a tenha conhecido num dia ótimo e ela estava radiante, ou num dia totalmente bosta e ela estava por aí dizendo que nada na vida dela dá certo. Então se a gente for levar em conta aquele outro ditado que diz que “A primeira impressão é a que fica”, imagine quanta gente nós já excluímos da nossa vida porque tivemos o azar de conhecê-la em um dia em que estava vivendo um dia de cão?

Infelizmente o contrário também acontece muito! Às vezes começamos uma amizade com alguém que estava vivendo um momento da vida super legal e parecido com o nosso e por isso houve uma identificação quase total! Mas aí, vai passando o tempo, a vida vai trazendo novas circunstâncias e a gente acaba percebendo que aquela pessoa não tem tem nada a ver com a gente e que não é nada do que a gente pensava. E isso também acontece muito em relacionamentos amorosos.

E é por esse motivo basicamente que eu não acredito nesse tal “Amor à primeira vista”. Porque à primeira vista todo mundo é só 1% daquilo que é. Quem me ver batendo cabeça loucamente em um show de rock e achar que sou o amor da sua vida só por causa daquele momento estará cometendo um grande erro. Assim como um cara que vir toda fofinha declamando um poema meu em um sarau.

Nós não somos nem temos que ser só uma coisa. Eu não sou só a apaixonada por rock, nem só a poetisa, nem só a blogueira ou só a fã do John Mayer. Eu e todos nós somos muitas coisas! Como seria bom se todas as pessoas interessadas em nos conhecer tivessem a disposição de nos conhecer de verdade, de passar muito tempo conversando e sair juntos algumas vezes pra ver como nós somos nas mais diversas situações. Por isso eu acho que só ama de verdade quem conhece a pessoa por inteiro a aceita mesmo assim.

Então além de não se deixar levar pelas aparências, também não podemos nos prender a apenas uma lado de uma pessoa para querer entendê-la. Conhecer uma pessoa é uma tarefa que, infelizmente, poucas pessoas querem fazer hoje em dia. E assim vão se fazendo relacionamentos cada vez mais efêmeros e superficiais.

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Leia também Para quando você conhecer uma pessoa

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Becoming me

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Eu conheci a Jane Austen quando eu tinha cerca de 16 anos e, explorando a linda biblioteca da minha escola, resolvi começar a ler um livro chamado Orgulho e Preconceito. Pelo título eu achei que o livro trataria de ódios e rancores, tramas de vingança! Mas para a minha surpresa, o livro era um romance belíssimo! Até hoje é um dos livros que mais amo na vida! Como eu aprendi com ele! Como ele é parte de quem eu sou!

Esses dias, dando uma olhada em adaptações da Jane para o cinema, acabei descobrindo que havia um filme sobre a vida dela chamado Becoming Jane, horrivelmente traduzido para o português como Amor e Inocência. Fui assisti-lo e simplesmente… é muito lindo e é muito amor! E eu ressaltei aqui o quanto foi ruim o nome dado ao filme em português porque ele trata fundamentalmente de como a Jane Austen se tornou a Jane Austen, como se tornou a escritora que hoje nós conhecemos e (falando de mim e de minhas amigas) amamos.

E depois de conhecer mais da história de vida dela ao assistir Becoming Jane, depois de saber como ela foi crescendo como escritora a partir das experiências que passou como filha, como irmã, como mulher naquela época e principalmente como leitora, eu fiquei pensando em como é que eu me tornei essa pessoinha peculiar e projeto de escritora que sou hoje.

Fiquei lembrando da música Capitão Gancho, da Clarice Falcão, em que ela fala de diversas coisas aleatórias de sua vida que, segundo ela, são responsáveis por ela ser quem é. E acho que é bem assim mesmo, não são só os grandes acontecimentos que nos formam. Cada pequena coisa, palavra dita ou ouvida, carinho recebido ou negado, tudo que até hoje já nos aconteceu foi direcionando os nossos sonhos e as nossas escolhas. E a maneira como nós lidamos com tudo de bom e ruim que acontece ao nosso redor vai aos poucos formando o nosso caráter.

E mais uma vez eu retomo aqui a importância das decepções na nossa vida pra que a gente cresça, pra que a gente descubra a nossa força e a nossa capacidade de se levantar do chão.  E ainda bem que todos os meus amores de adolescência foram platônicos! Pois assim eu fui pesquisar o que queria dizer platônico e assim conheci Platão. E ainda bem porque, por conta disso e da minha mania de ficar escrevendo o nome dos meninos por quem me apaixonava em todo lugar, comecei a rascunhar poemas onde eu repetia e repetia os seus nomes infinitamente.

Talvez se a Jane Austen não tivesse amado tanto o Thomas, ela não tivesse criado um homem tão perfeito como o Darcy. E talvez, se ela tivesse se casado com ele, ela teria visto que ele não era tão tudo de bom assim, daí o Darcy e seus outros protagonistas talvez não seriam tão idealizadamente perfeitos. Vai saber! Mas o que eu quero dizer é: ainda bem que as coisas são como são! Eu aprendi com Luís Fernando Veríssimo que a versão real da nossa vida, aquela que de fato vivemos, é sempre a melhor de todas porque é a única de fato possível. O restante é fantasia.

E por mais que a gente, vez ou outra, se pergunte “E se eu tivesse aceitado aquele emprego?” , “E se eu tivesse entrado para aquela faculdade?” , “E se eu não tivesse terminado com aquele cara?” , o fato é que a vida é como é, e escolhas são sempre difíceis e sempre significam abrir mão de uma outra possibilidade.

Mas se você por acaso se sente insatisfeito com quem você se tornou hoje, é como minha avó semopre diz: ‘enquanto há vida, há esperança’. Busque para você o que ainda te falta e não abra mão do privilégio de ser uma pessoa única para ser só mais uma igual a tantas outras!

Eu me sinto feliz demais por ter me tornado quem sou hoje, com meus gostos, minhas paixões e meus sonhos, por mais que às vezes eu me sinta meio incompreendida e até solitária. Ainda bem que minha vida foi dessa forma e não de outra! Ainda bem que em uma manhã de 2007 eu resolvi ler Orgulho e Preconceito e não outra coisa qualquer. Porque, parafraseando a Clarice Falcão, se não fosse a Jane Austen não seria eu! ❤

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Não peça desculpas por ser quem você é

Belle-Be-Yourself

Uma das coisas mais interessantes sobre a vida é a certeza que todos nós podemos ter de que cada um de nós e uma pessoa exclusiva. Eu poderia também ter dito “única” ou “especial”, mas isso já está muito batido (apesar de não deixar de ser verdade). Mas voltando… Sim, você e eu somos pessoas exclusivas, o que significa dizer que não há mais ninguém nesse mundo que se compare a cada um de nós. E se você por ventura tem aquele melhor amigo super parecido com você vai poder confirmar que, por mais que vocês se pareçam nos mais diversos gostos ou modos de pensar, há ainda assim certas diferenças entre um e outro.

Vamos imaginar aqui que você concordou até agora com tudo que eu disse e esteja aí pensando “Oh, sim! Somos todos pessoas exclusivas, mas… e daí?” Eu mesma me perguntei ‘e daí?’ e me perguntei também qual é a vantagem de reconhecer nossa exclusividade e, principalmente, qual é a vantagem dessa exclusividade toda. Qual é a vantagem em ser eu? Eu: coisa difícil de explicar e mais ainda de definir, se for o caso. Eu: uma pessoa complexa, com gostos absolutamente discrepantes uns dos outros, muitas vezes insegura, muitas vezes overreacting . Qual a vantagem de ser quem eu sou?

Dia desses eu estava em mais uma daquelas situações em que tudo mundo está bebendo, rindo e conversando sobre as coisas engraçadas que estão vendo em seus celulares, tudo isso ao som de música eletrônica, enquanto eu estava lá no meu canto pensando na vida. Nesses momentos sempre surge uma alma bem intencionada querendo puxar assunto e me incluir no grupo e sempre não adianta muita coisa. Acontece que até um tempo atrás, na saída da reuniãozinha (ou seja lá o que tenha sido) eu me desculpava por ser tão quieta e tímida, por ter ficado lá sem quase interagir. Mas dessa vez eu não pedi desculpas por nada e ainda por cima cheguei à uma conclusão interessante.

O problema (se é que há de fato problema) não é nem tanto que eu seja tímida e mais na minha, e sim que o ambiente que a maioria das pessoas gosta não é o que eu mais gosto, e o que a maioria das pessoas costuma fazer pra se divertir não me atrai at all. E isso vale pra tudo na vida, não só nessa situação de festas e tal. Por que eu deveria me desculpar por preferir Machado de Assis à Game of Thrones? Por que eu deveria me desculpar por gostar mais de shows de rock ao invés de barzinho com música sertaneja ao vivo? Por que pedir desculpas por saber tudo das princesas da Disney e nada de Star Wars? Não peça desculpas por ser quem você é.

Seja lá quais forem os seus gostos, seus ídolos, suas preferências,orgulhe-se disso tudo! Afinal, cada filme que você viu e fez questão de memorizar as falas pra ficar citando por aí, cada livro que você leu e te marcou, cada música que é especial pra você, que vira e mexe você está ouvindo no repeat, tudo isso é quem você é! E não importa se essas coisas estão de acordo com as modinhas atuais, até mesmo com a modinha do-contra (leia-se hipster). O que importa é se sentir satisfeito com tudo isso que te construiu, que te faz exclusivo!

E quanto à sua personalidade, se você é tímido, quietinho ou o piadista que faz amizades novas a cada 5 minutos, não deixem que te diminuam ou tentem te fazer parecer ‘errado’ por agir dessa ou daquela forma se você se sente bem assim. Isso já está bem batido, mas eu vou repetir o conselho: Seja você mesmo. E se às vezes você sentir que também não sabe nem quem você é direito (porque comigo, pelo menos, acontece de tempos em tempos), recomendo que você passe um tempinho fazendo as coisas que gosta, se for sair, saia, se for ficar trancado no quarto, fique. Isso irá ajudar!

Nada como se amar, se entender, se aceitar e se respeitar sendo tudo que você é. Isso já é um grande passo para que as demais pessoas (legais) sintam o mesmo em relação a você, independente de qualquer diferença.

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O Que Eu Quero Mais é Ser Rei (para relembrar dos seus sonhos de infância)

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Entra ano, sai ano e uma coisa não muda pra mim: O Rei Leão continua sendo o melhor filme da história. Não é a toa que o primeiro artigo desse ano tem a ver com o meu tão querido filme, que inclusive também foi tema do primeiro post que eu fiz aqui há quase 1 ano atrás. Pois bem, agora vamos ao que interessa.

Dia desses lá estava eu ouvindo a trilha sonora de O Rei Leão no meu celular enquanto andava de ônibus por aí. E quando começou a tocar “O que eu quero mais é ser rei” eu fiquei pensando ‘Como é que pode? Quando o Simba era filhote ele era doido pra ser o rei, mas depois de tudo que aconteceu ele acabou aceitando a vida que o Timão e Pumba mostraram pra ele e simplesmente esqueceu do próprio sonho… Como é que pode?’

E então eu comecei a tentar lembrar das coisas que eu queria ser quando eu era criança, dos sonhos que eu tinha, das coisas que eu queria fazer na vida e principalmente da pessoa que eu queria me tornar. Será que está tudo caminhando como eu gostaria? Quando a Nala reaparece na história ela logo se preocupa e fazê-lo lembrar da infância e do seu sonho. É como se o próprio Simba criança voltasse para falar ‘Que história é essa de ficar aí comendo esses insetos e deixar de lado todo o reino que seu pai te deixou?’

E eu fiquei imaginando, se a Thaisinha criança viesse aqui falar comigo, o que será que ela iria me dizer? Acho que começaria com algo do tipo ‘Você está ficando doida???’. Quando eu era criança sempre inventava muita história pras minhas Barbies e por várias vezes comecei a escrever livros com essas histórias, o que é algo que eu ainda trago comigo. Mas fora isso, eu também brincava de ter vários empregos, até porque eu podia fazer de tudo, desde um bolo de terra até apresentar um Talk Show. Hoje em dia o que eu faço com todas as coisas que eu sei? Com certeza eu poderia estar fazendo mais.

Muitas vezes a vida adulta nos leva a uma acomodação como a do Simba em sua nova filosofia de vida Hakuna Matata. Não que ela não seja muito válida, mas a verdade é que viver com menos problemas também significa viver menos. Escolhemos fazer o que nos dá menos trabalho, o que nos cansa menos mas muitas vezes isso também pouco nos satisfaz. Será que não estamos nos subestimando e levando uma vida medíocre, fazendo coisas medíocres?

O que acontece conosco quando estamos nessa situação é aquilo que o Mufasa (em espírito) vem dizer pro Simba: Você se esqueceu de quem você é. Sendo assim, vale lembrar também do que ele fala em seguida e que para mim é uma das frases mais marcantes do filme: Lembre-se de quem você é!

O tempo passa, coisas ruins acontecem, pessoas aparecem pra dizer que você não deve insistir em determinado projeto ou que você não é capaz de alcançar algumas coisas. Nós sentimos medo, nós nos sentimos pressionados, nós paramos, nos reformulamos e esquecemos de quem somos, daquilo que queríamos ser. Esquecemos quem podemos ser, da nossa força, dos nossos talentos, dos nossos sonhos, da nossa capacidade de reerguer das cinzas um mundo destruído.

Quando eu era criança eu queria ter um quarto só pra mim numa casa de dois andares com uma sacada, queria saber falar todos os idiomas e aparecer na televisão. Queria que as pessoas parassem para ouvir minhas histórias e emoldurassem pra pôr na parede os desenhos que eu fazia. Eu queria saber desenhar pessoas e queria gravar uma música. Queria ter um cabelo grande e bonito, queria não ter que ouvir piadinhas por causa dele. Eu queria ser feliz, ter as coisas que eu queria ao meu alcance, queria não me sentir inferior a ninguém em nenhum sentido. Quem eu sou hoje?

Hoje finalmente tenho a independência que eu e toda criança sonha, mas condiciono muitas coisas que pertencem só a mim à opinião dos outros, como a minha auto-estima, por exemplo. Quem nós nossos? Somos uma rotina chata? Somos um emprego maçante? Somos estudar só pelo diploma? Somos o nosso facebook? Somos a descrição do Twitter ou do Instragram? Somos a quantidade de curtidas numa foto? Somos a quantidade de ‘amigos’ e seguidores? Não, nós não somos isso. Não acredite se alguém disser que você é isso. Lembre-se de quem você é. Seja o Rei pelo menos da sua própria vida e, como diz Tiago Iorc, procure a criança dentro do homem adulto.

Lembre-se de quem você é.