O Que Eu Quero Mais é Ser Rei (para relembrar dos seus sonhos de infância)

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Entra ano, sai ano e uma coisa não muda pra mim: O Rei Leão continua sendo o melhor filme da história. Não é a toa que o primeiro artigo desse ano tem a ver com o meu tão querido filme, que inclusive também foi tema do primeiro post que eu fiz aqui há quase 1 ano atrás. Pois bem, agora vamos ao que interessa.

Dia desses lá estava eu ouvindo a trilha sonora de O Rei Leão no meu celular enquanto andava de ônibus por aí. E quando começou a tocar “O que eu quero mais é ser rei” eu fiquei pensando ‘Como é que pode? Quando o Simba era filhote ele era doido pra ser o rei, mas depois de tudo que aconteceu ele acabou aceitando a vida que o Timão e Pumba mostraram pra ele e simplesmente esqueceu do próprio sonho… Como é que pode?’

E então eu comecei a tentar lembrar das coisas que eu queria ser quando eu era criança, dos sonhos que eu tinha, das coisas que eu queria fazer na vida e principalmente da pessoa que eu queria me tornar. Será que está tudo caminhando como eu gostaria? Quando a Nala reaparece na história ela logo se preocupa e fazê-lo lembrar da infância e do seu sonho. É como se o próprio Simba criança voltasse para falar ‘Que história é essa de ficar aí comendo esses insetos e deixar de lado todo o reino que seu pai te deixou?’

E eu fiquei imaginando, se a Thaisinha criança viesse aqui falar comigo, o que será que ela iria me dizer? Acho que começaria com algo do tipo ‘Você está ficando doida???’. Quando eu era criança sempre inventava muita história pras minhas Barbies e por várias vezes comecei a escrever livros com essas histórias, o que é algo que eu ainda trago comigo. Mas fora isso, eu também brincava de ter vários empregos, até porque eu podia fazer de tudo, desde um bolo de terra até apresentar um Talk Show. Hoje em dia o que eu faço com todas as coisas que eu sei? Com certeza eu poderia estar fazendo mais.

Muitas vezes a vida adulta nos leva a uma acomodação como a do Simba em sua nova filosofia de vida Hakuna Matata. Não que ela não seja muito válida, mas a verdade é que viver com menos problemas também significa viver menos. Escolhemos fazer o que nos dá menos trabalho, o que nos cansa menos mas muitas vezes isso também pouco nos satisfaz. Será que não estamos nos subestimando e levando uma vida medíocre, fazendo coisas medíocres?

O que acontece conosco quando estamos nessa situação é aquilo que o Mufasa (em espírito) vem dizer pro Simba: Você se esqueceu de quem você é. Sendo assim, vale lembrar também do que ele fala em seguida e que para mim é uma das frases mais marcantes do filme: Lembre-se de quem você é!

O tempo passa, coisas ruins acontecem, pessoas aparecem pra dizer que você não deve insistir em determinado projeto ou que você não é capaz de alcançar algumas coisas. Nós sentimos medo, nós nos sentimos pressionados, nós paramos, nos reformulamos e esquecemos de quem somos, daquilo que queríamos ser. Esquecemos quem podemos ser, da nossa força, dos nossos talentos, dos nossos sonhos, da nossa capacidade de reerguer das cinzas um mundo destruído.

Quando eu era criança eu queria ter um quarto só pra mim numa casa de dois andares com uma sacada, queria saber falar todos os idiomas e aparecer na televisão. Queria que as pessoas parassem para ouvir minhas histórias e emoldurassem pra pôr na parede os desenhos que eu fazia. Eu queria saber desenhar pessoas e queria gravar uma música. Queria ter um cabelo grande e bonito, queria não ter que ouvir piadinhas por causa dele. Eu queria ser feliz, ter as coisas que eu queria ao meu alcance, queria não me sentir inferior a ninguém em nenhum sentido. Quem eu sou hoje?

Hoje finalmente tenho a independência que eu e toda criança sonha, mas condiciono muitas coisas que pertencem só a mim à opinião dos outros, como a minha auto-estima, por exemplo. Quem nós nossos? Somos uma rotina chata? Somos um emprego maçante? Somos estudar só pelo diploma? Somos o nosso facebook? Somos a descrição do Twitter ou do Instragram? Somos a quantidade de curtidas numa foto? Somos a quantidade de ‘amigos’ e seguidores? Não, nós não somos isso. Não acredite se alguém disser que você é isso. Lembre-se de quem você é. Seja o Rei pelo menos da sua própria vida e, como diz Tiago Iorc, procure a criança dentro do homem adulto.

Lembre-se de quem você é.

“Cada um vive atrás das grades que carrega consigo”

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Eu encontrei a frase que dá título ao post de hoje absolutamente por acaso em um texto de Franz Kafka. Já faz algumas semanas que essa frase que expressa uma imagem tão forte e impactante não sai da minha cabeça e hoje, finalmente, as ideias que começaram a se formar na minha mente resolveram transcorrer pelos meus dedos. Vamos a elas.

É interessante que antes de encontrar essa frase que me ajudou a refletir sobre tanta coisa, eu estava conversando com uma pessoa mais velha (algo que eu estava fazendo cada vez com menos frequência) e me queixava dos traços da minha personalidade que me impedem de viver a minha vida do modo como eu gostaria. Sempre que toco nesse assunto, destaco logo a minha timidez, que sempre me pareceu ser o meu maior problema, mas nessa conversa também falei com ela da minha insegurança e da minha falta de habilidade para começar conversas com pessoas que não conheço. Eu estava pronta para ouvir algo do tipo “ah, mas você pode trabalhar isso e mudar” etc, só que, para a minha maior surpresa eu ouvi “Thaís, você tem uma imagem equivocada de si mesma”.

Aquilo me chocou tanto! Não imaginava que alguém no mundo pudesse me enxergar como uma pessoa sociável e confiante e, sem falsa modéstia, eu confesso que os argumentos que ela usou me levaram a concordar com ela. Por incrível que pareça, eu não sou esse poço de ensimesmamento que eu fico me convencendo que sou. Mas por que, então, eu sou tão dura comigo mesma? Por que me vejo com olhos tão críticos? A frase de Kafka me fez pensar.

Desde que eu me entendo por gente eu repito para mim mesma “sou tímida e por isso não sou boa em fazer amizades”, “sou tímida e por isso as pessoas me acham chata e me excluem”, “sou tímida e por isso não consigo fazer com que as pessoas entendam o que eu quero dizer e o meu ponto de vista sobre as coisas” e por aí vai. A minha timidez é uma das grades que venho carregando comigo para me privar do mundo. Junto com ela, tem também a grade da falta de auto-estima… nunca bonita o suficiente, nunca atraente o suficiente, completamente sem carisma, com um cabelo que não é dos melhores, com um corpo não tão bem acabado e cheia de pensamentos que ainda me fazem levar susto quando algum carinha diz que sou bonita.

Essas duas grandes deram vida a pior grade de todas: a grade da falta de fé em mim mesma. E, pra piorar, de uns tempos pra cá ainda resolvi que sou ingênua em relação às pessoas e por isso estou condenada a ser eternamente feita de boba pelas pessoas de quem eu gostar. Eis aí as minhas grades, a minha pequena prisão particular. E eu aqui pensando que o meu problema era qualquer coisa relacionada a falta de sorte.

Conversando com algumas pessoas depois disso, percebi que o Kafka estava mesmo certo e que esse gradeamento não era exclusividade minha. Se fosse, eu não estaria escrevendo esse texto, não valeria apenas gastar palavras e mais palavras para falar de algo com que ninguém mais pudesse se identificar. Mas… por que é que nós criamos essas grades? Por que escolhemos nos esconder atrás delas? O que nos assusta tanto no mundo lá fora?

“Tememos a liberdade e a responsabilidade. Por isso preferimos sufocar atrás das grades que nós mesmos fabricamos.” Essa é a hipótese do autor e realmente faz sentido, mas eu proponho irmos além. Acho que nós tememos não sermos aceitos e por isso procuramos um ‘lugar seguro’ para nos refugiarmos das críticas correndo na frente e sendo excessivamente críticos com nós mesmos antes de qualquer pessoa. Muitas vezes usamos essas grades como desculpa para as nossas limitações e para as coisas que não temos coragem de fazer/enfrentar. É como se disséssemos “eu não posso passar daqui porque a minha timidez não deixa” ou “não posso amar ninguém porque sou uma pessoa fria”.

Todavia, eu concordo que viver sem grades, viver em liberdade nos dá algumas responsabilidades que às vezes não nos sentimentos fortes o bastante para assumir. Como é difícil sair de um lugar com o qual nos acostumamos, como é difícil se jogar no mundo como tem que ser, sem ter onde segurar quando algo der errado! Pensando sobre isso tudo, vi que eram dessas grades que vinham muitos dos meus pensamentos negativos que comentei em um post da semana passada.

Como seria bom encerrar esse texto dizendo que depois do Kafka serei uma pessoa totalmente confiante e livre e que já me desfiz das minhas grades! Mas algo que também tenho aprendido nesses últimos tempos é que tudo que é feito pra durar leva tempo pra ser construído. Não vai ser hoje nem amanhã que nós seremos pessoas desapegadas dessas afirmações tão cruéis que viemos repetindo para nós mesmos durante tanto tempo. Haverá muito esforço e algum tempo até que nossas grades se dissipem. Mas, seja como for, já é um grande passo saber que estamos precisando soltar as mãos das grades e começar finalmente a serra-las.

Viva bem com a idade que você tem!

Niterói! Praia Vermelha! Visual que inspirou o post de hoje…

Já faz algum tempo que eu ando preocupada, mais do que devia, com esse assunto de idade. Hoje à tarde comecei a refletir um pouco mais sobre o assunto e percebi que, talvez essa minha recente inquietação tenha a ver com o fato de a nossa sociedade conferir uma carga muito negativa ao termo velho e, consequentemente aos seus derivados, dentre os quais está a palavra envelhecer. Quando se diz que algo é velho, geralmente não é um elogio. Chama-se de velho o que já não já não serve mais ou já não é atual.

Mas talvez também tenha a ver com o fato de, nesse ano, eu ter começado a conviver muito com pessoas com cerca de 17 anos (leia-se ‘meus alunos’) e porque eu costumava considerar os meus 17 anos a fase mais top da minha vida. Hoje, pensando com mais frieza, eu me dei conta de que na verdade essa foi uma idade como todas as outras, com seus prós e contras. E foi assim que eu conclui que ter 23 anos é lindo! Tão lindo quanto ter 10, 15, 30 ou 45. O segredo para aproveitar bem a sua idade é saber usa-la a seu favor.

Eu li pela primeira vez a frase que dá título a esse texto quando eu tinha 13 anos. Ela estava escrita no muro de um grupo da terceira idade em Macaé. E eu detestava ter 13 anos! O que me levou já naquela época a concluir que viver bem com a idade que você tem é um desafio não só para os idosos, mas para pessoas de qualquer idade, isso porque o ser humano é um animalzinho muito reclamão, nunca está satisfeito.

E hoje eu abri mão do individualismo para me dar conta de que ver o tempo passar correndo diante dos olhos e se assustar com isso não é exclusividade minha. Nando Reis já falou sobre isso em “Não vou me adaptar” e o próprio John Mayer com uma das metáforas mais perfeitas que existem em “Stop this train”. E, voltando ainda mais, saindo da música para a literatura, eu conclui que realmente envelhecer não vale o meu drama e não é nem bom ficar pensando em possibilidades bizarras de se evitar isso (Dorian Gray e Fausto estão aí como exemplos, porque… né!).

Eu já zoei muito a minha mãe porque ela viveu a época em que “A Lagoa Azul” passou no cinema, e agora é a minha vez de já ter que lidar com pessoas dizendo que os meus queridos filmes dos anos 90 são velhos. Mas vamos pensar nas vantagens de envelhecer convivendo com novas gerações. Você vai ter histórias pra contar!
Eu sempre gostei muito de ouvir as histórias da minha avó sobre como eram as coisas quando ela tinha mais ou menos a minha idade lá nos anos 60. Nada como ouvir a versão de alguém que você conhece e que esteve realmente lá. Você pode ler mil livros de história, mas o relato de quem viveu é algo sem igual!

Também sempre ficava encantada quando uma professora de história que eu tive contava pra gente como foi ter participado do Fora Collor. E, apesar de não ser professora de história, daqui a algum tempo estarei contando pra alunos meus que não terão vivido a “Revolta dos 20 centavos” como foi tudo aquilo e como foi estar lá. Vou contar também que houve um tempo que escrevíamos ‘cinquenta’ com estranhos dois pontinhos em cima do u.

Algo muito interessante sobre a vida é que há coisas que simplesmente não se desgastam com o tempo. Um exemplo simples e incontestável é a música. É incrível como existem músicas que já foram produzidas há décadas mas que continuam nos encantando como se fossem a maior novidade do mundo! Há em certas músicas algum traço de atemporalidade que eu atribuo ao espírito vivaz, humano e universal que elas transmitem, o que nos mostra que se nós procurarmos também manter o nosso vigor firme, a ação do tempo por sozinha não será capaz de deixar em ruínas o brilho da nosso alvorecer.

É bom ser chamado de jovem porque a juventude está mesmo relacionada ao que é belo e viçoso e por isso fico feliz quando as pessoas dizem que eu pareço ser mais nova. Mas, por outro lado, também é verdade às vezes eu ouço isso por causa de alguns pensamentos infantis que eu ainda estava insistindo em manter. Tenho sentido falta de alguém me dizer que sou madura. Ainda tenho muito para amadurecer e sei que isso vem com o tempo.

Então que tal fazermos do tempo, ao invés de nosso inimigo, nosso aliado? Ao invés de se queixar ou fazer de tudo para parecer mais novos do que somos, por que não unir o melhor dos dois mundos?! O frescor do adolescente e a experiência do adulto?! ; a intrepidez do jovem e a cautela do homem maduro?!
Porque o tempo não para mesmo e para encarar o inevitável, nada melhor do que um sorriso no rosto e um coração bem disposto. Viva bem com a idade que você tem!

Body and soul, I am a freak!

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Me sentir deslocada é algo que faz parte de mim desde que eu era criança. Desde que eu ouvi a história d’O patinho feio pela primeira vez eu já me identifiquei. Não por me achar feia em si, mas porque sempre me senti, em certa medida, uma estranha no ninho.

Com o passar dos anos eu fui percebendo que o fato de me sentir deslocada na maior parte dos lugares em que frequentava se dava principalmente pelo fato de eu ser uma pessoa tímida. É bem verdade que nas minhas recentes experiências mundo a fora eu acabei descobrindo que não sou tão tímida quanto eu pensava, mas, ainda assim, sou bastante tímida.

E essa timidez que me acompanha desde sempre acabou fazendo com que eu criasse espaços meus, mundos particulares em que eu pudesse me expressar e me sentir acolhida. E foi nos filmes, nos livros e nas músicas que acabei encontrando, de certa forma, o meu lugar. Ontem eu estava assistindo ‘Matilda’, que é simplesmente um filme perfeito, e fiquei refletindo um pouco mais sobre isso. Felizmente a minha família não era tão caótica quanto a dela, mas às vezes o sentimento de não ser compreendida ainda persiste.

Com o passar do tempo fui percebendo que além do problema da timidez, o que me fazia e ainda me faz sentir deslocada no mundo é o fato de não pertencer a nenhum grupo específico, não ser definitivamente uma coisa só. Que rótulo eu poderia colocar em mim? A que lugar eu pertenço?

Eu amo ler, amo literatura, mas a Universidade não é a minha única casa. Há diversos clássicos da literatura que eu não li e nem sei se vou ler e há milhões de autores que eu nunca ouvi falar. Eu amo música, principalmente Rock, mas eu não sou isso… Ouvi uma música do Led Zeppelin pela primeira vez antes de ontem. Eu adoro sair, adoro festinhas e reuniões mas eu não bebo (nada de álcool, de jeito nenhum) e acho maluquice beber. Então sempre que saio em grupo para determinados lugares eu só faço parte até certo ponto.

De todas as coisas que eu faço e que eu gosto não há nada que me reduza ao ponto de me definir. Assim como algumas poucas pessoas, sou uma freak, uma outsider.

E é por isso que eu passo e preciso mesmo passar certa parte do meu tempo sozinha, porque não há ninguém nesse mundo que me entenda plenamente ou com quem eu me identifique amplamente. E são pouquíssimos os amigos de verdade que eu tenho, pouquíssimas as pessoas que estão do meu lado mesmo quando, como diria John Mayer, ‘I am not myself’. Porque às vezes eu ajo de uma maneira tão diversa do que eu gostaria que eu realmente me sinto outra pessoa.

Eu não queria que esse texto fosse meramente um relato pessoal, eu gostaria que ele tivesse alguma utilidade pra você que está lendo… E essas ideias vieram à minha cabeça porque eu tenho observado ultimamente a quantidade enorme de pessoas no mundo que tem uma vida perfeita, que sabem exatamente quem elas são e o que as definem (palmas pra elas). Eu não tenho outra definição além de freak, que na verdade não define nada.

Se você se encaixa perfeitamente na vida que você tem, na família que você tem e consegue se sentir plenamente parte dos meios sociais onde você vive (igreja, escola/faculdade, grupos de amigos etc), provavelmente esse texto não faz o menor sentido pra você. Então desculpe ter feito você ter lido isso tudo pra nada.

Mas se, por mais que você goste de alguma coisa ou de algum ambiente ou de alguma pessoa, vez ou outra você se pergunta “O que é que eu estou fazendo aqui?”, temos algo em comum.

Ser um freak é se sentir um pouco forasteiro em qualquer lugar, até mesmo naqueles que você conhece a sua vida toda. É perceber que em certos ambientes você é sempre o estranho, o que vê graça no que ninguém vê, o que se emociona com o que ninguém se importa, o que fala coisas que todos acham a maior bobeira do mundo.

Ser um freak é nunca parecer maduro o suficiente, porque sempre alguém vai te dizer que nessa idade você não deveria mais gostar de determinada coisa ou agir daquela forma. O freak é aquela pessoa inacabada, aquela tal metamorfose ambulante que já virou cliché, que muita gente diz que é, mas que na verdade poucos são os que enfrentam a dor de, de tempo em tempo, ter que se isolar um pouco e perder um pouco do seu antigo corpo pra ganhar formas novas.

Ser um freak é muitas vezes parecer que você nasceu na época errada. É querer ter ido em Woodstock mas também achar que você não viveria sem internet.

Acho que nessa vida todo freak tinha que encontrar o seu love-freak pra viver feliz pra sempre. Alguém que também está meio à margem pra ficarem os dois falando de coisas que resto das pessoas normais e bem-resolvidas simplesmente não entenderiam. Eu já conclui que não seria feliz com uma pessoa-padrão e espero um dia poder dizer que encontrei o meu outsider, pra sair por aí sendo só a gente mesmo, ouvindo nossas músicas e tendo nossas crises de riso.

Somos muito mais do que dizem que somos. Aprendi com o “Clube dos Cinco” que as pessoas-padrão sempre vão nos enxergar ‘em termos mais simples e com as definições mais convenientes’, sempre querendo nos dar um rótulo de ‘um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso.’ Mas somos muito mais do que isso! E há em todos nós, os que estamos sempre um pouco de fora, o incrível desejo de apenas se sentir completo, mesmo com toda a nossa aparente estranheza.

Nem mais , nem menos

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Escrever esse post só me foi possível graças a pessoa incrível que conheci recentemente. Ninguém nunca me inspirou tanto e me trouxe tanta reflexão em tão pouco tempo. 

Um dos grandes desafios que cada um de nós tem na vida é achar um meio-termo para as coisas. Falei bastante sobre isso no meu texto “Excessos”, mas agora quero falar sobre esse ponto de equilíbrio que devemos achar em relação à nossa auto-estima.

Há pessoas que são muito confiantes e que estão sempre bem em relação a elas mesmas (bem, pelo menos no facebook parece que existem sim tais pessoas). Mas, seja como for, eu não sou uma delas. Há dias em que eu me sinto ótima, acho que tenho muitos talentos e coisas lindas na minha personalidade, mas infelizmente às vezes também fico achando que todo mundo é melhor do que eu e que eu não mereço nada nessa vida.

Em síntese, tenho uma auto-estima um pouco oscilante e essa balança sempre tendia à me fazer sentir menor do que as outras pessoas e muitas vezes eu nem me dava conta disso. Ontem eu me dei conta disso.

O Cesar é realmente uma pessoa incrível, mas antes de conhecê-lo um pouco melhor eu achava que ele era incrível por ser um excelente músico e compositor. Agora eu sei que ele é incrível porque consegue fazer com que todas as pessoas se sintam especiais e, o mais bonito, nem mais nem menos especiais do que as outras. Especiais por serem quem elas são.

Todos nós temos uma luz que faz com que cada um de nós brilhe a seu próprio modo e isso nos faz únicos. Todos nós somos singulares em alguma coisa, temos algum talento, algo que só nós sabemos fazer daquela forma e isso nos faz especiais. Talvez você não saiba cantar, ou não saiba tocar um instrumento, ou escrever coisas bonitas… mas talvez você saiba de um jeito ímpar fazer um amigo sorrir quando ele está triste. Isso te faz especial!

Achar o meio-termo em relação à nossa auto-estima é não se considerar melhor ou pior do que as outras pessoas. É saber dar o valor devido à nós mesmos, não se engrandecer em relação às outras pessoas por acharmos que temos mais qualidades do que alguém e é também não se diminuir pensando que o que uma outra pessoa tem de raro vale mais do os seus próprios tesouros. É saber que o tempo de cada pessoa tem valor igual e que se você escolhe gastar o seu tempo vivendo, amando, ouvindo, respeitando e fluindo você é mais do que especial!

E eu sei que, mesmo agora que eu já tenho consciência disso tudo, ainda pode ser que haja algum dia que eu me sinta menor do que alguém… mas isso não será frequente e nem vai durar mais que um dia. Porque a minha vida agora tem ganhado novas cores e porque ele tem de fato conseguido me fazer perceber que eu sou única.

Quanto de beleza você traz no peito?

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(porque hoje eu me dei conta de quanto tempo eu já perdi nessa vida me importando com a aparência das pessoas)

Hoje eu fui para a faculdade e lá me encontrei com uma das professoras mais bonitas que eu já tive na vida! Ela é loira, é magrinha, tem olhos verdes e toda a vez que estou com ela eu penso: eu queria ser bonita assim!

Mas hoje, enquanto conversávamos e eu olhava aquele par de olhos tão lindos, eu comecei a refletir sobre coisas novas. Tudo isso que eu citei e que eu julgava que a faziam bonita são na verdade meros adornos. Ela é bonita, dentre outras coisas, porque é generosa e sempre atenciosa com todas as pessoas, independente de quem elas sejam.

Quando eu era mais nova, já houve um tempo em que eu definitivamente queria ser outra pessoa: ter outros olhos, outro cabelo, outro tamanho, outro corpo. Não me achava bonita. E ainda hoje tenho a mania de me achar bonita sempre em relação: mais bonita que minha vizinha, menos bonita que a Megan Fox. Por quê?

E eu também achava que o fato de uma pessoa ser bonita dava a ela o direito de tratar as outras como se elas fossem nada. E pensando assim, muitas vezes eu mesma já passava a me sentir um nada perto dessas “pessoas bonitas”. Por quê?

Ainda bem que começo agora a mudar meu modo de ver! Porque hoje eu me dei conta de que as pessoas que tem olhos claros não são mais bonitas do que as pessoas que tem olhos castanhos. Mas as pessoas que olham para o pôr-do-sol e sorriem são as pessoas mais bonitas do mundo!

E hoje eu também me dei conta de que ser generoso, gentil, ter disposição em ajudar e tratar as pessoas com atenção e carinho é o que nos deixa bonitos. E foi assim que eu vi alguém bonito diante dos meus olhos se tornar lindo no meu coração. E descobri finalmente que era essa a beleza que eu sempre procurei e que é essa a beleza que eu quero pra mim!

E para finalizar esse post, alguns versos (porque ele me deixou transbordando de beleza e de inspiração hoje):

O que faz uma pessoa ser mais bonita que outra é o quanto ela deixa em cada gesto sua alma vibrar, é o quanto ela se deixa cativar. É o quanto de energia ela traz no peito.

O que faz uma pessoa ser mais bonita que outra é o quanto ela deixa a natureza lhe inspirar, é o quanto de luz ela transmite com o olhar. É o quanto de paz ela traz no peito.

O que faz uma pessoa ser mais bonita que outra é o quanto ela deixa a poesia lhe tocar, é tudo aquilo que não se pode enxergar. É o quanto de amor ela traz no peito.

Excessos

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Uma coisa que pode parecer um pouco óbvia, mas que demorou um tempo para entrar na minha cabeça: Nada em excesso faz bem. Nada mesmo. Nem as coisas boas.

Acredito que todos nós somos pessoas minimamente complexas, porque não estamos sempre da mesma forma. Há dias em que estamos mais alegres e extrovertidos, outros em que estamos meio deprimidos e introspectivos. Pelo que eu já vivi até hoje, acho que toda pessoa é assim. O que nos diferencia uns dos outros é a nossa personalidade, e a nossa personalidade é reflexo daquilo a que mais damos vazão em nós.

Quando temos que falar de nós mesmos em alguma situação, geralmente procuramos nos ‘definir’ a partir das características que mais se sobressaem na gente. Mas se alguém me perguntasse agora “Thaís, quem é você?” O que eu iria dizer? Se alguém te perguntasse, o que você iria dizer?

O que eu quero propor como reflexão aqui é que não devemos deixar os nossos excessos definirem quem nós somos. Na verdade, temos que procurar a cada dia evitar esses excessos.

Talvez alguém pode pensar que o excesso de qualidades seria algo bom, mas também não é. Se você é carinhoso, animado e gosta de ajudar aos outros, por exemplo, isso sem dúvida é ótimo! Mas se você faz qualquer dessas três coisas em excessos, o fim disso será desastroso! O excesso faz com que a gente estrague algo que está bom da forma que está. É como colocar 1 quilo de açúcar para adoçar um copo de suco. Há que achar a medida certa, o tempero certo. Daí vem uma palavra linda que representa algo fundamental na vida de todas as pessoas: temperança.

Ter temperança é saber dosar, é ter equilíbrio. É saber respeitar limites. ‘Que limites?’ Os seus próprios!

Eu por muito tempo achei que se eu não me expressasse da maneira que eu sentisse vontade em determinado momento eu estaria me reprimindo. Na verdade eu estaria só respeitando os meus limites e agindo com maturidade. Ter equilíbrio é abrir mão dos excessos.

Acredito que a nossa vida seja uma constate caminhada de aperfeiçoamento pessoal, em que vamos sendo polidos, lapidados, filtrados. Reparem o quanto esses processos dão uma ideia de algo que se perde e fica para trás, mas também o quanto nos dão uma ideia de um produto final mais bem acabado. Temos mesmo que deixar um pouco de nós pelo caminho. Não podemos continuar agindo como crianças ou adolescentes quando já não os somos. Nessas fases os excessos estão muito presentes, mas crescer requer deixá-los de lado para o nosso próprio bem,

Que a nossa vida seja repleta de “termos médios”, como diria Machado de Assis. Nem riso demais, nem lágrimas demais. Nem abraços demais, nem frieza demais. Nem timidez demais, nem escândalo demais. Nem música demais, nem silêncio demais.

E tudo no tempo certo, na hora certa, na medida certa.

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